10.11.09

(Des) Rotulado


Às vezes, quando caio na besteira de me deixar levar por algum tipo de discussão envolvendo escolas teológicas e seus posicionamentos, sou pressionado por não dizer que sou “isso” ou “aquilo”.

Não aceitam de modo algum o fato de eu não me assumir como pertencente a qualquer dos das linhas teológicas existentes. No que se refere aos assuntos políticos também é assim; para alguns sou de esquerda, para outros sou de direita e por aí vai...

Diante desta pressão, tenho apenas duas opções: primeira, ceder a ela e acabar por criar uma nova linha de pensamento, inventando qualquer nome esdrúxulo e me intitulado como seu fundador (pretensão besta essa, não tenho capacidade para tal). Segunda, manter-me em minha posição de resignação e orfandade intelectual, sendo tachado (ou seria rotulado?) como indeciso ou mesmo incapaz de arrazoar de forma precisa a fim de tomar uma postura, uma posição.

Sou cristão, será que isso não basta?

Forza Palestra!


3.11.09

Masturbação é um legítimo método de controle de natalidade?

Masturbação no Púlpito


Li um pequeno texto sobre masturbação no blog Púlpito Cristão. O tema suscita muitos questionamentos e exalta os ânimos dos cristãos, como quase tudo o que gira em torno da nossa sexualidade.

Basta uma visitinha ao blog (no qual tenho contribuído por convite do Leonardo Gonçalves) para verificar o número de comentários nessa postagem – até agora vinte e cinco.

Deixei lá o meu pensamento acerca do tema. Quem quiser ler o texto clique aqui.

Já meu comentário, transcrevo-o a fim de que reflitam comigo:

Masturbação, quando se tornando a única e exclusiva forma de expressão sexual de algum indivíduo, acontecendo habitualmente, manifestando-se como vício sexual, é patologia psíquico-sexual, é pecado por ser o uso de uma linguagem que tem por fim um diálogo, não um monólogo.

No mais, masturbação ocorrendo com adolescentes ao descobrirem suas possibilidades corporais, sendo então um fenômeno do reconhecimento da própria natureza humana, não se fixando como algo permanente nem exclusivo no que tange ao sexo, não deve ser tomado com gravidade -- não é saudável tratar tal prática como pecado sem analisar a complexidade de tal manifestação em cada circunstância e, principalmente, idade.

Masturbação não é nem bom nem necessariamente ruim, por isso eu nem gosto nem desgosto, provei-a no momento oportuno e agora, adulto, abandono-a para vivenciar uma sexualidade madura que se manifesta como comunicação amorosa.

Quem assim quiser crer, creia!

27.10.09

Incógnita Humana



O ser humano gera em mim um tremendo fascínio. E o que mais me atrai é sua complexidade – exatamente o que gera um efeito totalmente inverso em muitas pessoas.

Essa atração é o que me torna um estudante do comportamento humano – um amador, diga-se de passagem. Não quero pra mim a pecha de pretensioso ou arrogante. Aliás, a fim de tranquilizar os críticos de plantão, as análises que faço servem para minha exclusiva satisfação.

Gosto de observar, mesmo quando não gosto do que vejo. As belezas e as tristezas do homem pintam um quadro dramático nas paredes da história, uma pintura sempre inacabada desenhada em cada canto onde haja uma alma vivente que se torna, ainda que involuntariamente, um agente da história.

Diante deste ser tão complexo, grande tolice é proferir julgamentos sem considerar todos os seus aspectos. É necessário reconhecer e respeitar o fato de que o homem possui aspectos biológicos, psíquicos, sociais e espirituais.

Resolver os problemas da vida como se o humano fosse apenas uma equação matemática é tentativa totalmente inócua. Se somos uma equação, certamente o somos com uma variedade sem fim de incógnitas e variáveis.

Não se trata de relativismo. Apenas devemos nos atentar que não possuímos a previsibilidade das máquinas (e hoje até elas não são tão previsíveis assim). Somos sangue e carne, mente e coração, somos incrivelmente grandes – ao ponto de ser convidados pelo próprio Deus para tecer a rede da história juntamente com Ele.

Somos também fragilmente pequenos, ao passo que muitas vezes não conseguimos dominar nem mesmo a nós próprios, possuídos pela gana doentia de dominar o mundo e tudo o que nele há.

Nunca cessaremos de observar o bicho homem. Com todas as suas idiossincrasias, ele nos fornece uma quantidade de material para estudo que levaria a eternidade para ser exaurido em avaliação.

Certamente não somos meramente animais, há algo de divino em nós e está revelado nessa complexidade – ainda que rejeitada pelos céticos. Há em nós, em nossa estrutura engenhosa (física e espiritual) os traços de que somos um projeto maravilhoso que se “autonomizou” e perdeu a direção.

Somos nós, preservadores e destruidores, geradores e aniquiladores de nossa própria espécie... somos o que há para ser admirado com exaltação, e repreendido com pena e compaixão. Somos um enigma que somente Deus pode decifrar e compreender em plenitude.

21.10.09

Arquibrochura, eu indico!


Depois de muito em insistir e encher a paciência dela, a Jacque resolveu publicar seus textos em um blog pessoal. Embora o Visão Integral esteja sempre aberto aos seus escritos, sempre pensei que manter um blog pode ser um incentivo ao desenvolvimento da talento para escrever.

Isso porque, ainda que sendo uma atividade não obrigatória e sem compromisso formal, ao passo em que publicamos nossas idéias e nos comunicando com os leitores, sem mesmo perceber nos vemos envoltos por um senso de dever velado.

Não tenho dúvidas de que ela irá nos surpreender a cada texto. E por mais que pareça tendencioso falar sobre a Jacque, posso dizer que ela é uma jovem raríssima, com sentimentos nobres, uma fé sincera, amor cristão e que também está em busca da capacidade de analisar a vida a partir de uma visão integral.


Sem mais delongas, sugiro que leiam o Arquibrochura.

14.10.09

Evangelho: um apelo à consciência


Um pastor amigo, há muito tempo atrás, me disse que de fato não era pecado beber bebida alcoólica, que a Bíblia não continha nenhuma mandamento condenando seu consumo, embora por diversas vezes ela asseverasse a tolice de se entregar descuidadamente à bebida forte. Mesmo pensando assim, ele me disse: “Só que não posso dizer isso tão abertamente na igreja, porque se o fizer terei de começar na semana seguinte a realizar campanhas de libertação contra vício da bebida”.

Entendo perfeitamente as motivações deste meu amigo, mas penso que de fato – embora pareça ser a postura mais piedosa – este não é o melhor jeito de tratar o assunto. Se realmente acreditamos que não há problema na bebida em si, por que dizer que há? Ou mesmo: por que esconder esta verdade? Seria mentira ou omissão agir destas duas maneiras, respectivamente.

Certamente o medo por trás dessa mentira ou omissão é que, ao ouvir a verdade, alguns dentre os irmãos não tenha o equilíbrio necessário ou mesmo se entreguem, caso sejam alcoólatras, ao vício e todos os seus malefícios. A preocupação se faz justa!

Não obstante, isso gera maturidade? Esses irmãos, protegidos por essa preocupação legítima, tornar-se-ão maduros o bastante para seguir – na jornada da vida – livres e responsáveis diante de suas escolhas?

Tal proteção assemelha-se à conduta da mãe que, a qualquer custo, busca impedir ao filho ter contato com a dor, o sofrimento, às intempéries da vida. Ela o leva na escola quando ele já teria idade para chegar lá sozinho; segura suas mãos ao atravessar à avenida fazendo-o sentir vergonha de seus amiguinhos independentes; tudo isso faz com que ele sinta-se culpado quando age de forma livre sem necessitar de sua ajuda. Um dia ela não estará presente, e o filho terá de viver por si mesmo; a menos que arrume uma esposa que substitua o papel exercido pela sua mãe.

Na primeira opção ele sofrerá mais do que teria sofrido se tivesse ganhado sua liberdade no momento adequado; na segunda, ele continuará raquítico, infantil e dependente.

Alguns pastores vigiam seus membros a fim de saber se eles têm visitado outras igrejas. Isso gera um problemão para alguns irmãos desavisados, que se deixam ser descobertos. A repreensão é imediata! A alegação para essa espionagem é que há o risco de que estas visitas acabem confundindo a pessoa, uma vez que este foi discipulado em uma igreja, com determinados costumes e doutrina, e ouvirá na igreja visitada algo totalmente diverso (e isso porque somos irmãos, imagine se não fôssemos!).

Esses exemplos são apenas amostras daquilo que é a vida religiosa em determinadas comunidades. Há uma gama de proibições que se transformam em tabus e, por conseqüência, gera-se indivíduos cheios de neuras. Grande parcela deles desrespeita os tabus, contudo estão sempre tomados por um sentimento de falsa culpa – mesmo que, no fundo, não entendam estar agindo errado.

O Evangelho nada tem a ver com isso. Pelo contrário, ele é um apelo à nossa consciência, um chamado à maturidade. Jesus não deixou de criticar os fariseus pelas diversas regras criadas a fim de se alcançar santidade (havia uma diversidade de literaturas judaicas com valor quase equiparado ao das Escrituras Sagradas objetivando instruir à santidade).

Um homem maduro deve ser livre para julgar se pode ou não beber, se isto lhe é lícito ou não. Pessoas saudáveis não devem precisar de tutores a fim de lhes dizer quais lugares frequentar, quantas vezes devem ir ao culto na semana ou se podem ou não namorar com esta ou aquela pessoa (imagine, até isso existe!).

Daí alguém diz, e se a pessoa não for madura o bastante? Ora, a caminhada cristã é uma jornada rumo a uma espiritualidade adulta. Os irmãos devem se encarregar de conduzir os mais novos e menos prudentes a serem responsáveis, capazes e aptos a viver em liberdade.

Dependência gera dependência. Isso não é nada bom! Somos dependentes uns dos outros enquanto membros de um corpo, mas não como eternas crianças que não sabem distinguir entre a mão direita e a esquerda.

Nesta vida todas as coisas devem ser temperadas pelo equilíbrio, e no que tange à preocupação e o zelo para com os mais fracos não será diferente. Só há duas escolhas, apelar para a livre vontade e responsabilidade de cada um ou então permitir que as pessoas estejam fadadas a nunca alcançar a maturidade integral em Cristo.

4.10.09

Intimidade


Não há nudez alguma que revele o íntimo de quem quer que seja. Por isso muitos, em estando nus, encontram-se vestidos um diante do outro.

Não há sexo bom que alivie a fome de comunhão. Não há transa que satisfaça a sensação de quem necessita fazer-se conhecido de outrem.

Homens e mulheres não cessam de gozar... um gozo efêmero que, de tão raso, impõe-se como objeto principal a ser alcançado quase que ininterruptamente.

Nunca satisfatório o “prazer”, é preciso mais, mais, mais do mesmo sem contudo encontrar o que se procura.

Não importa quem se é na verdade. Contanto que haja mútua fruição e deleite. Afinal, somos tão horríveis, miseráveis e pobres... Quem se interessaria por algo assim?

É melhor continuar no raso, usar máscaras, conhecer sem conhecer, dar-se sem nada dar de verdade na esfera da alma.

Intimidade não é mesmo o forte dessa nossa geração!

30.9.09

Religiosos acusam crianças de bruxaria e pais chegam a sacrificá-las



Se informe melhor em Blog do Caminho.

28.9.09

Culinária, um dom divino

Um dia desses eu conversava com um sujeito, um cara legal mas de visão muito tacanha. Daqueles que ainda acham que o homem é dono da mulher e que a palavra marido traz consigo a prerrogativa de mandar na parceira. Daí entre uma e outra varada n’água, ele soltou o que pensa sobre homem cozinhar.

Já posso te adiantar que não lhe causava admiração alguma homem na cozinha. E mais: como bom machista, tal lugar – a seu ver – é reservado para as mulheres. Ele cozinhando?, nem pensar... seria um demérito.

Meu pai foi chefe de cozinha, e hoje não sendo chefe de nada continua a cozinhar – divinamente, diga-se de passagem. E ele foi versado na cultura mineira, então imagine só os pratos que faz.

Eu mesmo nunca havia tentado fazer prato algum. Até que saí de casa para viver só em outro Estado. Pois bem, quando essas coisas acontecem a gente aprende que nem todos gostam daquilo que a gente gosta, que nem todos se dispõe a nos agradar, e que quando tentam... nem sempre conseguem. Conclusão, temos que aprender a fazer nossos próprios cardápios. (Ah, e vale ressaltar o que muita gente já sabe, comida de restaurante não é tão saborosa quanto comida caseira – com raras exceções).

Agora tenho aprendido um e outro prato. Só cozinho coisas simples, fáceis de se fazer e que não me tomem muito tempo, afinal o tempo é curto. Contudo, tenho descoberto a magia da culinária, e o prazer de terminar o preparo de uma refeição e poder agradecer a Deus por ela, sabendo que fui eu mesmo que fiz. Até nisso exercemos o papel de cocriadores junto ao Criador.

Talvez o que não entre na cabeça do cara que mencionei no início desse nosso papo seja o fato de que aquele que cozinha, na maioria das vezes, não o faz só para si mas também para outros. O que o torna servo daqueles a quem ele atende com seu trabalho, seja ele remunerado ou não.

Eu não tenho problema com isso, muito pelo contrário. Sou daqueles que ouviram as palavras de Jesus e pensam que ela faz muito sentido, e a respeito disso ele mesmo falou que “aquele que quiser ser maior dentre vós, seja servo de todos”. E mais: não sei de onde Deus tirou a receita do Maná, mas ele caprichou, porque não há um só registro de reclamação do povo hebreu sobre este alimento dispensado por Ele a seu povo no deserto.

Logo se vê que os bons cozinheiros têm a quem puxar...

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