24.5.06

Todos temos fé

A poucos dias estava eu, juntamente com um querido amigo, no pátio da Faculdade de Direito do Sul de Minas, onde estudamos,cabulando a aula de Medicina Legal. Conversávamos sobre muitos assuntos relacionados à vida, religião e espiritualidade. Num dado momento este meu amigo perguntou-me sobre o que eu esperava da vida; quais as minhas expectativas, meus planos para o futuro. Compreendo que a conversa tomou este rumo devido à clareza com que expus a minha fé. Como ele me asseverou que a resposta deveria ser simples e sincera, respondi apenas que não esperava muita coisa desta vida (me referia a coisas materiais). Ele redargüiu-me para ser mais claro, mais objetivo. Sendo assim, deixei claro que esperava continuar a servir a Deus e poder dedicar minha vida a Ele.

A sua reação foi a que eu esperava. Inconformado com meus posicionamentos que, para ele, quase beiravam a um fanatismo religioso, ele continuou a me interrogar sem se satisfazer com as respostas, até o momento em momento em que ele me disse algo realmente significante: “Você tem que parar e refletir sobre tudo isto seriamente”, disse ele, “ainda iremos conversar sobre tudo isto com calma”, insistiu com ar de preocupação, “você já se perguntou: quem você é?”, prosseguiu ele. Apesar de responder com tranqüilidade que já havia refletido seriamente sobre tudo o que estávamos falando e, mais ainda, sobre o que eu afirmara a ele sobre minha vida e fé, esta pergunta (quem você é?) me deixou incomodado, não porque eu não a houvesse respondido ainda, mas, exatamente por tê-la respondido, fui levado a refletir sobre ela.

Quando cheguei à minha casa consegui entender o que tanto me incomodava: não era a pergunta em si mesma, mas, creio eu, que o fato de não ser esta a pergunta correta. Digo isto porque todos nós um dia já demos resposta a esta pergunta; e digo mais, na realidade todos nós, seres humanos, já respondemos não somente esta, mas também a duas outras perguntas que, juntamente com esta feita pelo meu amigo, formam uma série de perguntas que são a base de tudo aquilo que cremos, valorizamos e praticamos. As três perguntas são: Quem sou eu? Qual o sentido da minha vida neste planeta? Para onde vou quando morrer?

Partindo do pressuposto que todos os seres humanos um dia já fizeram pra si mesmos estas perguntas e, não somente isto, consciente ou inconscientemente já responderam a estes questionamentos, posso dizer que a pergunta mais correta a ser feita pelo meu caro amigo deveria ser: “Você não acha que deve refletir novamente sobre a resposta que deu a pergunta: Quem você é?”.

Talvez, ao ler o texto, você pergunte como eu posso provar isto que acabo de afirmar. É fácil. Como já foi dito, estas questões são base para a formação da nossa crença pessoal, nossa crença por sua vez é a base para aquilo que estabelecemos como valores (entenda-se valores aqui como valores morais), e, por conseguinte, nossos valores influenciam diretamente nossa conduta diária, ou seja, nossa pratica de vida.

Daí pode surgir o seguinte questionamento: “Um ateu convicto já respondeu a estas perguntas?" Sim, é claro que um ateu convicto já deu resposta a estas perguntas, tanto o fez que apóia sua fé, veementemente, naquilo que passou a ser a sua crença pessoal; o ateísmo. Fé aqui (no caso do ateu) não pode ser confundida com a fé para salvação ensinada pela bíblia, mas deve ser entendida com aquilo que eu chamaria de fide lato sensu (fé em amplo sentido), ou seja, a fé que todo ser humano possui; a capacidade de crer em algo mesmo que este algo não seja provado racionalmente pela ciência. E, por este entendimento, percebemos que tanto a fide stricto sensu (fé no sentido estrito; fé religiosa), que os cristãos apregoam, quanto a fide lato sensu estão em pé de igualdade ante a ciência pós-moderna. Um ateu pode afirmar com veemência “Deus não existe”. No entanto, um cristão com a mesma força pode bradar “Deus existe”. Um ateu pode até afirmar que um cristão não pode, cientificamente, provar a existência de um Deus soberano e pessoal, mas não poderá, também, provar a inexistência deste mesmo Deus.

A questão mais importante a ser notada aqui é o fato de que todos nós temos uma fé, e, não somente isto, esta fé ou crença é fator fundamental em todos os aspectos da nossa vida, uma vez que ela irá desencadear a produção de um código moral pessoal, que por sua vez irá dirigir o comportamento de cada um de nós. Espero que os que leitores deste texto estejam direcionando sua fé a este Deus soberano e pessoal, que anseia ardorosamente se relacionar fraternalmente com a raça humana.

Humberto Ramos O. Júnior

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