4.6.06

A missão da Igreja e a libertação massas

Durante muito tempo eu pensava que fazer missões era ganhar almas para Cristo, libertá-las de suas opressões espirituais, e livrá-las das chamas do inferno. No entanto, tenho sido levado a refletir sobre essas expressões que considero incompletas e, sem dúvida, não expressam com precisão o sentido que a palavra missão tem.

Quando analisamos a palavra de Deus e, em especial, o evangelho, percebemos que o foco principal da mensagem do Reino não é apenas a alma humana, mas , ao contrário do que se tem pregado, o ser humano como um todo.

Como diria o pastor Ariovaldo Ramos: “este lance de alma é coisa de espírita, eles que acreditam na imortalidade da alma; nós acreditamos na ressurreição do corpo”. Alma sem corpo é fantasma. Deus tem interesse no ser humano como um todo: corpo, alma e mente. Nós pregamos o Jesus que libertava a alma humana da escravidão espiritual e, não se contentando com isto, curava as enfermidades, e preocupava-se com as injustiças sociais; o mesmo Jesus que multiplicou pães para alimentar uma multidão faminta que o escutava.

Um ponto interessante a ser mencionado na questão da missão da igreja é o da educação. A igreja deve ter um compromisso sincero e diligente com este ponto. Principalmente no contexto latino-americano no qual grande parte da população sofre pela dominação sócio-cultural. Ouso a dizer que a igreja, para ser relevante à sociedade, deve não apenas expulsar os males espirituais das pessoas, mas deve, também, se comprometer a exorcizar [do povo] o demônio da escravidão sócio-cultural resultante da fragilidade intelectual das massas.

Conduzir o ser humano à maturidade integral em Cristo é a finalidade principal da igreja, isto para que ela possa viver na plenitude do evangelho, para que possa desfrutar com entendimento das bênçãos e da liberdade concedida por Jesus.Infelizmente, não é isto que temos visto. Alguns líderes cristãos, ao invés de se esmerarem no trabalho de amoldar seus membros a fim de se tornarem maduros quanto participantes efetivos da igreja como também da sociedade, tornam-se verdadeiros manipuladores de massa. Muitos cristãos sinceros, apesar de libertos da escravidão espiritual, ainda são escravos em vários aspectos: cultural, social e psíquico.

E mais, muitos dentre os evangélicos brasileiros são massas manipuladas nas mãos dos seus próprios pastores. Pessoas que não sabem discernir entre a mão direita e a esquerda, dominadas, principalmente, pelas superstições propagadas pela sub-cultura evangélica. Estamos a poucos meses das eleições e, em breve, poderemos ver as igrejas sendo transformadas naquilo que podemos chamar de “santos currais eleitorais”: com o argumento de que quem é do “corpo vota em quem é do corpo”, pastores e líderes eclesiais irão persuadir seus membros a votarem e trabalharem para eles nas eleições. Em muitas denominações não pararão por aí: aqueles que não apoiarem a liderança da igreja nas eleições serão considerados rebeldes, pessoas fora da visão, desobedientes à vontade de Deus.

Parafraseando Gandhi, declaro que “precisamos ser a mudança que queremos ver”. Como líderes cristãos, devemos labutar em prol da libertação intelectual das massas para que, com isso, elas tenham livre escolha diante das questões que influenciarão suas vidas. Os nossos irmãos devem sim ser mansos como as pombas, mas também astutos como as serpentes.

Não podemos cair na tentação de ensinar somente aquilo que nos convém, não podemos nos valer da ignorância da população para fazermos o que os clérigos medievais faziam às suas comunidades eclesiais. Não devemos ser dominadores dos rebanhos; e, sim, servos fiéis que pastoreiam a igreja com todo cuidado e carinho, entregando as ferramentas necessárias para que ela possa se edificar, até que o seu Dono venha buscá-la.

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.”
I Pedro 5:2-4


Humberto Ramos O. Júnior

Um comentário:

Mylene geron disse...

Nossa q texto maravilhoso, era tudo o que eu pensava mas não sabia me expressar.Não tenho nada a acrescentar senão dizer

PARABÉNS!!

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