13.7.06

Digamos não ao escapismo: vivamos a Igreja integralmente!

O que você diria se conhecesse alguém que, tendo sua casa suja e mal arrumada, passasse a morar na área dos fundos ao invés de limpá-la e organizá-la? Sem dúvida você estranharia tal pessoa. Infelizmente é isto que nós, cristãos, temos feito muitas vezes em nosso país. Entendendo erradamente o fato de que, por sermos eleitos de Deus, devemos nos “separar do mundo”, adotamos uma postura de escapismo irresponsável que, na melhor das hipóteses, torna-nos irrelevantes dentro da sociedade da qual fazemos parte.

Creio que, em parte, esta postura é resultado da perda da compreensão do sentido real da existência da Igreja e da integralidade da sua missão. Antes de qualquer coisa, antes de falarmos de missão, e treinarmos pessoas para proclamar as boas novas do Reino, devemos refletir sobre o que é a Igreja de Cristo. Somente quando nos conscientizarmos sobre quem somos e qual o nosso papel neste mundo poderemos cumprir nossa missão efetivamente.

Á semelhança da Igreja descrita no livro de Atos devemos não nos preocupar, tão somente, em ir à “igreja”, mas em viver a Igreja de Cristo onde quer que estejamos, assumindo assim nossa vocação de ser uma comunidade profética: no sentido de anunciarmos e vivermos o Reino (já) presente, que há de ser consumado nesta terra. E isso não pode ser realizado dentro das quatro paredes de um templo. Ao invés de nos excluirmos em guetos evangélicos, virando a cara para a realidade cruel em que se encontra nossa sociedade, devemos nos infiltrar em diversos seguimentos com a motivação existencial de sermos agentes de transformação da cultura vigente. A igreja primitiva não se restringia a um local, data e hora marcada para ser igreja. E foi assim que eles alcançaram a graça do povo, e Deus ia acrescentando os que, por Ele, eram salvos.

Proponho que façamos uma releitura da Igreja tendo Jesus como chave hermenêutica para sua compreensão. Somente quando estudarmos a Igreja por meio de Cristo é que poderemos conciliar a teoria com uma relevante aplicação prática da mensagem do Reino à nossa sociedade destroçada e sem esperança. Afinal, de que vale a luz senão para estar entre as trevas? De que vale o sal senão para salgar? De que vale ser igreja se não nos comportamos como tal? Dentre muitas outras coisas, ser igreja é viver, anunciar e ser instrumento do Reino de Deus onde quer que estejamos!

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