18.10.06

A Cruz de Cristo

O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de “Deus sobre a cruz”. No mundo real da dor, como adorar a um Deus que fosse imune a ela?

Já entrei em vários templos budistas em diferentes países da Ásia. Permanecia neles em uma atitude respeitosa diante de uma estátua de Buda, que tinha as pernas cruzadas, os braços dourados, os olhos fechados, o fantasma de um sorriso nos lábios, sereno e silencioso, com um olhar distante na face, desligado das agonias do mundo. Depois de um tempo eu tinha de dar as costas. E, em minha imaginação, voltava-me para aquela figura solitária, retorcida, torturada sobre a cruz, com os pregos lhe atravessando as mãos e os pés, com as suas costas dilaceradas, distendidas, a testa sangrando nos pontos perfurados por espinhos, a boca seca, sedento ao extremo, mergulhada na escuridão do esquecimento de Deus.

O crucificado é o Deus por mim! Ele colocou de lado sua imunidade para sentir a dor. Ele entrou em nosso mundo de carne e sangue, lágrimas e morte. Nossos sofrimentos tornam-se mais suportáveis à luz do Cristo crucificado. Há ainda um ponto de interrogação no sofrimento humano, mas sobre ele estampamos ousadamente outra marca – a cruz, símbolo do sofrimento divino.

A cruz foi a vitória conquistada e a ressurreição foi a vitória endossada, proclamada e demonstrada.

STOTT, John. Por que Sou Cristão.Viçosa, MG: Ultimato, 2004. p.68.

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