19.10.06

Paulo Brabo, uma voz coerente diante do embate bloguístico "Calvinismo X Teísmo Aberto"

A verdade cristã (“eu sou o caminho, a verdade e a vida”) é, desconcertantemente, uma pessoa com a qual podemos nos relacionar, não uma série de enunciados lógicos que possamos apreender através da razão. Como qualquer pessoa em qualquer relacionamento, a verdade cristã pode ser inquestionavelmente abraçada, jamais explicada ou entendida.

É nisso que reside a falha fundamental de sistemas estanques como o calvinismo e o teísmo aberto: não em alguma lógica interna deficiente, como quer tentar nos convencer o debate entre ambas as partes, mas na deficiência inerente da própria lógica para explicar as bases e o mecanismo de qualquer relacionamento, quanto mais a mais atordoante das paixões.

O efeito dessa nossa obsessão em precisar o conteúdo intelectual da verdadeira fé está em que enquanto fazemos isso conseguimos manter Jesus irrelevante para o restante e vasta maioria do mundo. A impressão que passamos é que a coisa mais útil e importante que o cristão pode fazer é definir intelectualmente e sem arestas a forma como Deus funciona e em seguida defender a todo custo o seu ponto de vista. O conteúdo revolucionário da mensagem de Jesus não chega a ser sequer levado em consideração, já que usamos a teologia como cortina de fumaça para não termos que encará-lo de frente. Enquanto tentamos determinar quem Deus vai endossar no final, não somos obrigados a enfrentar o impensável desafio que seria endossarmos os desafios dele.

Este é apenas um fragmento extraído do texto O Destino Eterno de Deus no qual Paulo Brabo faz interessantes considerações sobre Calvinísmo e Teísmo Aberto. Já que corro o risco de defensores das duas correntes lerem algo em meu humilde blog, embora eu não tenha tratado desta questão nele, quero mencionar que, no que se refere a este assunto (Calvinismo e Teísmo Aberto), faço minhas as palavras do Paulo Brabo que estão no texto que acabo de indicar.

Outros artigos de Paulo Brabo podem ser encontrados em Bacia das Almas.

6 comentários:

Nagel disse...

Humberto, mas você não é kuyperiano? Não entendi.

PS: Sou membro da lista Kuyper e vi o link por lá, inclusive. Você sabe que Kuyper era calvinista, não é?

Humberto Ramos disse...

Meu caro Nagel,

Sim, eu sei que Kuyper era calvinista, eu mesmo flerto com a visão reformada, no entanto, não sou kuyperiano, calvinista, ou, até mesmo, arminiano.Você pode até dizer que sou confuso e que não tenho argumentos para me posicionar de lado algum (não disse que você disse isto).

A única pretensão que tenho é ser bíblico. E como disse, reitero, gosto muito de muita coisa no pensamento reformado, mas não quero me prender a sistemas teológicos e me capitular a algum tipo determinismo teológico.

Espero que o meu posicionamento não seja motivo para que não tenhamos diálogo.

Abraços,

Humberto Ramos

Nagel disse...

Humberto,

Não, na verdade não há qualquer motivo para não dialogarmos. Ainda que você fosse arminiano ou teísta aberto.

Só acho desnecessária as reservas que você tem aos "sistemas teológicos". Apesar de você não ser kuyperiano, imagino que admire as idéias de Kuyper, que era um sujeito dogmático. Não há mal em ser dogmático. Aliás, penso, inclusive, que não há um cristão que não seja dogmático.

Enfim. Foi mais uma provocação.

Abraços.

Humberto Ramos disse...

Olá Nagel,

Que bom. Estou contente com suas palavras. E aproveito para confessar que realmente tenho reservas com relação a sistemas teológicos, embora reconheça também meu intenso desejo de conhecer mais deles e de analisar todos os pontos de vista. Isto me ajudou a não ser intolerante (não estou dizendo que alguém aqui o seja). Digo isto porque durante muito tempo tive grandes pré-conceitos com relação ao calvinistmo, batismo infantil, cessacionismo , entretanto, hoje freqüento uma Igreja Presbiteriana e amo aquela comunidade de crentes. (obs: não sou cessacionista)

Sim, admiro o Kuyper. Adimiro não apenas ele, mas muitos outros cristãos dogmáticos que foram, indubitavelmente, instrumentos nas mãos de Deus para seu tempo.

Fico feliz em podermos dialogar.

Abraços.

Anônimo disse...

ola humberto,

Gostei muito do assunto que voce abrangeu no blog, e tambem do seu posicionamento a respeito dessas duas questoes teologicas.
Penso que as vezes nos preocupamos muito com essas questoes e esquecemos da verdadeira essencia de cristo para nossas vidas!!!!

Humberto Ramos disse...

Olá anônimo,

Pena não ter se identificado. Obrigado por ter visitado este meu espaço e também pelas suas palavras. Embora eu não seja contra o debate teológico e, até mesmo, pense que ele seja importante e necessário, existem coisas mais importantes a serem observadas como, por exemplo, praticar a nossa fé diariamente de maneira que o Reino dos Céus se manifestem em nós e através de nós. Vidas estão esperando esta manifestação!

Jesus seja contigo, sempre e sempre!

Abraços.

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