13.11.06

Batismo de Sangue, Ditadura e os evangélicos (Dica de pesquisa)

O renomado teólogo e historiador cubano Justo Gonzáles, em sua entrevista à Revista Ultimato (edição outubro/setembro de 2006) ao responder uma pergunta referente a fatos históricos contemporâneos relacionados à igreja, disse que “quanto mais perto estamos dos acontecimentos, mais difícil é medir sua importância”.

Entendi o que ele quis dizer ao refletir sobre os acontecimentos da Ditadura Militar e sua repercussão histórica. Sem dúvida, os fatos ocorridos neste período obscuro geraram cicatrizes que não serão esquecidas. No entanto, muitas coisas referentes a esta época tão próxima ainda estão ocultos e os fatos que vieram às claras são tratados com extrema meticulosidade.

Embora muitos de nosso país sejam contemporâneos à Ditadura Militar e pouco tempo tenha se passado, uma aura misteriosa ainda paira sobre diversos temas ligados a este momento histórico.

Após o lançamento de vários filmes relatando este momento, chegou a vez de O Batismo de Sangue, célebre obra literária do dominicano Frei Betto, ir para as telas do cinema. O livro trata da trajetória de cinco religiosos da ordem dos dominicanos que se envolveram na resistência à ditadura militar no Brasil (1964-1985). Mais detalhes
aqui.

Penso ser este um tempo importante. Tempo em que devemos não somente conhecer os fatos, mas também refletir sobre a atuação das diversas instituições de nossa sociedade. A forma com que cada uma delas atuou em relação à Ditadura. Isso nos ajudará a nos prevenir para que mazelas como as que aqui ocorreram não ocorram novamente.

Um fato pouco comentado, e até mesmo desconhecido, é a postura adotada pelos evangélicos neste período. Segundo relatos de alguns líderes do meio evangélico, nesta época os ultra-conservadores de muitas denominações se uniram ao Regime Militar
.
Muitos membros que aderiram à resistência contra o Regime foram entregues ao DOPS. Outros foram exilados, como é o caso de Rubem Alves, que revela sua mágoa em relação à igreja no seu famoso livro Protestantismo e Repressão agora publicado como Religião e Repressão.

Infelizmente, são poucos os tratados que versam sobre a postura protestante evangélica em relação ao Regime Militar. Mas já estão a surgir algumas migalhas mencionando determinados fatos. Uma das poucas obras escritas neste sentido é a do pastor presbiteriano João Dias Araújo, intitulada de Inquisição sem fogueiras (publicada inicialmente pelo Instituto Superior de Estudos da Religião), no entanto, ele se restringiu a tratar do assunto relegando-o apenas ao que ocorreu em meio presbiteriano. No mais, Gedeon Alencar faz uma pequenina referência a este período em seu livro Protestantismo Tupiniquim, Ariovaldo Ramos em suas palestras também trata do assunto pinceladamente, e outros escritores e teólogos também tratam do tema, mas todos de maneira muito sucinta.

Fica então a sugestão deste assunto para leitura, cinema e arte em geral. Espero que em breve mais cenas ocultas deste episódio da vida pública brasileira possam vir à tona para serem assistidas. Afinal, olhando para o passado é que nos precavemos de cometer erros já cometidos.

2 comentários:

Os Decadentes disse...

Humberto,

valeu pelo apoio lá no blog do Guilherme.

abraço!!

saintm disse...

Um belo filme, pude conferi-lo no Canal Brasil na semana passada.

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