8.1.07

Intromissão x Envolvimento

Outro dia alguém me disse que o meu cabelo comprido está feio. Eu não pedi nenhuma opinião, mas a pessoa fez questão de mostrar sua insatisfação em relação ao meu corte de cabelo. Aliás, muita gente tem opinado a respeito da aparência do meu cabelo desde que comecei a deixá-lo crescer. Na igreja, na faculdade e no trabalho alguns dos meus amigos e colegas não se furtam em revelar sua impressão. Enquanto uns elogiam, e dizem estar bonito, outros fazem questão de mencionar que tenho mau gosto. Aos que gostam do meu visual, muito obrigado. Aos que não gostam só posso dizer que quando quiser alguma opinião eu mesmo a pedirei!

Como já disse, o mais interessante de tudo isto é que em nenhum momento eu cheguei para qualquer dessas pessoas para perguntar se gostavam ou não de minha escolha. Este tipo de coisa revela o quão intrometidos nós somos em relação ao outro. Intrometemos em tudo que pudermos. Se algo não sai ao nosso estilo, ao nosso padrão de comportamento ou linha de pensamento, lá estamos nós para dizer que não está legal desta ou daquela maneira.

Isso tudo é reflexo da superficialidade dos nossos relacionamentos. Eles são rasos e egoísticos. Não houve uma só pessoa que tivesse me perguntado se eu me sinto bem com meus longos cabelos. E, somente a título de informação, na verdade, não cultivo estas madeixas a fim de agradar este ou aquele amigo. Na realidade, tenho enorme satisfação em acordar todas as manhãs e me deparar no espelho com a imagem daquilo que me é presente de Deus. Glória a Deus por tudo que há em mim e, é claro, estou me referindo também a cada fio de cabelo! ...rs...

Aí está a grande diferença entre intrometer-se na vida de alguém e envolver-se com alguém. Na igreja, não raras vezes ocorre assim: logo que sabemos algo sobre uma determinada escolha, comportamento -- ou seja lá o quê for -- tendo a ver com a vida de algum irmão, se não aprovamos, nos aprontamos para meter o dedo onde não fomos chamados. Isso eu sei que não é envolvimento, a bem da verdade a diferença existente entre a intromissão e o envolvimento é que aquele que se intromete o faz porque se sente incomodado com o outro -- por algum motivo que não sabemos ao certo --, já aquele ser humano que se envolve com o outro, ele também o faz porque se sente incomodado, mas, neste caso, não com o outro, e sim pela situação na qual o outro irmão ou amigo está inserido. Este procura rapidamente entender o porquê dele se encontrar daquela maneira que, a seu ver, é sinal de uma alma doente. Aquele que se envolve com o seu próximo preocupa-se com sua alma mais do que com a aparência externa que nem sempre diz sobre o que está se passando no interior de um homem ou mulher.

Outra característica do intrometido: suas palavras são sempre impositivas: “Vá por ali! Não faça isto! Faça assim!” O sublime escritor Larry Crabb diria (talvez) que o intrometido quer ensinar o outro a fazer a vida funcionar, enquanto que o envolvido está mais interessado em tratar a alma do seu “amigo-paciente”. Aquele que se envolve é convidativo e diz coisas do tipo: “Vem comigo! Dê-me suas mãos! Eu estou contigo!” Ele se dispõe a andar junto, oferece as mãos e, pelo menos, tenta entender o que se passa com o outro no seu mais profundo interior.

A questão do meu cabelo é café pequeno. Decidi usá-la aqui apenas para iniciar esta conversa com você que decidiu ler este blog. De qualquer forma, serviu de exemplo para ilustrar algo que a muito tempo vem me incomodando: a minha,a sua , a nossa superficialidade nos relacionamentos.

Portanto, se você me permite envolver, não seja um mero intrometido que passou pela vida de muitas pessoas sem solidificar seu relacionamento em uma amizade profundamente promissora (no sentido de edificação da alma pela amizade). Seja amigo, seja envolvente, e envolva-se com o próximo, conheça-o e seja conhecido, permitindo, desta forma, que haja saúde e profundidade nos relacionamentos que Deus lhe tem proporcionado.

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