4.4.07

O Deus sofredor

Deparamos-nos outra vez com mais um feriado do calendário cristão: é chegada a Páscoa. A meu ver, este feriado é o mais rico em significado dentre todos os outros existentes na cultura judaico-cristã. A cada ano a mensagem se renova em nossos corações, e não somente se renova, mas também passa a possuir significados cada vez mais ricos.

Nestes dias de tantas notícias ruins, dias em que nos surpreendemos com a crueldade humana e com as conseqüências da má utilização dos recursos naturais e desrespeito ao meio-ambiente, a mensagem da páscoa é extremamente propícia, oportuna. Num tempo em que nos perguntamos o porquê de tantas mazelas, em que questionamos até mesmo a Deus (Deus, por que tanto sofrimento?), esta celebração nos confronta com sua mensagem.

Ao imaginarmos a cena da Cruz do Calvário podemos apenas enxergar um pobre homem martirizado, derrotado, e que nada pode fazer por si mesmo, quanto mais por nós. Mas por outro lado, podemos enxergar o Deus que sofre. Sim, isso mesmo, o Deus que sofre. Na maioria das vezes, nos é falado de um Deus intangível, inamovível, quase inerte e inabalável (e na verdade em certo sentido Ele o é, pois não há quem possa contra Ele); aquele velho de barbas brancas sempre com a mesma expressão severa esperando para nos reprovar. No entanto, na Cruz é diferente. Ao olharmos para ela vemos o Deus que chora, sofre, sente dores e é humilhado.

A mensagem da Páscoa é a resposta para nossas indagações. Deus não se importa que soframos? Ele não vê que o mundo que criou está perdido? Por que não faz nada? A resposta é sim, ele se importa, vê o nosso sofrimento e, inclusive, já fez algo acerca disto. Em Cristo, moído e crucificado no Calvário, podemos ver Deus chorar conosco, sofrer conosco, ser humilhado conosco, morrer conosco. As nossas mazelas, as de ontem, as de hoje e as de amanhã estavam lá: nas costas, nos ombros, no corpo e no coração Dele.

Em um momento o homem disse: “Basta, não te quero mais a palpitar, Deus”! E esta escolha é a causa de todas as nossas chagas pessoais e sociais.

Mas, como já foi dito acima, o Deus Todo-Poderoso que, por amor, decidiu tornar-se vulnerável, não desistiu de nós. Por isso entregou seu próprio Filho, por isso se entregou a si mesmo em nosso favor!

Porém, por mais linda que seja esta mensagem, ela não é composta somente de dor, sofrimento e morte. Ela é também, e principalmente, a boa nova da ressurreição, do recomeço, da segunda chance (a nossa chance!). Após a morte, ressurreição. Vemos Cristo ressuscitar e com ele à possibilidade de nós também ressurgimos; em Cristo, vemos Deus vencer e nós com Ele também; em Cristo, vemos Deus reinar eternamente e, se quisermos, nós também com Ele.

Para mim, esta é a mensagem da Páscoa. Ela é a certeza de que há um Deus que sofre conosco, sente o que sentimos e se importa com o que passamos. Não diz que Deus vai nos isentar de todas as dificuldades deste mundo, mas que Ele estará comigo, do meu lado; ou melhor, do nosso lado nos entregando força para podermos continuar. E assim como Ele venceu, nós também poderemos vencer as provações desta vida. É importante também não esquecer que além das vitórias terrenas há a promessa da eternidade ao seu lado, onde “Deus limpará de nossos olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4).

Meus queridos amigos,
Crendo nesta mensagem de esperança, desejo uma Feliz Páscoa a Todos vocês!

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