20.4.07

A postura evangélica frente à ditadura militar: o que precisamos saber sobre este assunto?

Já faz algum tempo que um amigo e irmão na fé presenteou-me com alguns livros. Ele os havia ganhado de um ex-pastor, contudo, não se interessando pelo tipo de literatura (livros teológicos) decidiu abrir mão deles. Logo que os recebi, dediquei-me, ainda que superficialmente, a vasculhar um por um. Logicamente, alguns títulos chamaram mais a minha atenção do que outros. Entretanto, todos me pareciam muito úteis e de prazerosa leitura.

Recordo-me bem que dentre os livros que pouco chamaram minha atenção estava um de capa muito esdrúxula (um desenho bizarro de um homem na fogueira) e de edição gráfica simples, pois fora datilografado. Com uma folheada breve, percebi que se tratava de relatos acerca de acontecimentos ocorridos no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil, no período de ditadura que assolou nossa nação. Eu já havia ouvido pequenos comentários, em pregações, sobre a forma com que determinadas denominações evangélicas se portaram durante este período: talvez o mais tenebroso da nossa história. Porém ainda não havia me dedicado a estudar sobre.

Foi, então, assistindo o filme brasileiro Olga que me interessei em voltar a folhear as páginas de tal livro. Não sei ao certo o motivo deste interesse, mas, ao assistir sobre a luta daquela mulher, me veio à mente a lembrança deste livro e de seus relatos. Pode ser pela proximidade de data entre os acontecimentos tratados no filme e os relatados no livro (arrisco-me a dizer que uma das causas, também, pode ser o fato de que hoje sou membro de uma Igreja Presbiteriana em minha cidade).

O livro é de autoria do pastor presbiteriano Rev. João Dias de Araújo, e se chama Inquisição sem fogueiras¹. Como já mencionado, ele trata, especificamente, dos fatos ocorridos dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Reverendo João Dias relata corajosamente o que chamou inquisitorialismo. Durante um longo período a cúpula da liderança da IPB apoiou o regime ditatorial dos militares, perseguindo severamente membros, seminaristas, presbíteros e pastores que se envolvessem com questões referentes a “justiça social e denúncia dos males estruturais da realidade brasileira.” Outras razões dignas de reprovação eram o ecumenismo e qualquer tipo de pensamento que se alinhasse com a ideologia marxista. A título de exemplificação, vale mencionar que foi expressamente vedada a participação de padres nos púlpitos presbiterianos (ainda que em silêncio); e a participação dos membros da IPB como testemunhas em casamentos realizados pela igreja católica, dentre outras coisas mais. João Dias ainda menciona o fato de que juristas presbiterianos colaboram na confecção de alguns dos atos institucionais, a favor da ditadura.

Segundo os relatos, não poucos ministros foram despojados (expulsos do ministério), e outros acusados pela Igreja de serem subversivos; como, por exemplo, Rubem Alves, que durante alguns anos foi pastor presbiteriano na cidade de Lavras/MG, e também é considerado um dos maiores teólogos brasileiros. Depois de ser acusado pela IPB como subversivo, decidiu retirar-se do ministério escrevendo uma carta na qual faz menção à insatisfação em relação ao modus operandi da denominação. O início e fim de sua carta são marcados pelas palavras: “Sempre entendi que o evangelho é um chamado a liberdade. ... Não encontro a liberdade na IPB. É hora, portanto, de buscar a comunidade do Espírito, fora dela”. 

É enganosa, entretanto, a idéia de que tais fatos restringiram-se à IPB. Na verdade, o apoio dos conservadores protestantes ao Regime Militar foi um fenômeno que abrangeu grande parte das denominações protestantes brasileiras. Gedeon Alencar em seu livro Protestantismo Tupiniquim (pág. 95), ao citar escrito do sociólogo Paul Freston, faz menção a que um famoso líder Batista, Fanini, prestou apoio à Ditadura Militar por conveniência da concessão de um programa de TV². Intriga-me, no entanto, o fato de que tão raros líderes façam menção a este tempo obscuro do protestantismo brasileiro. Pode-se contar nos dedos os que, de uma forma ou de outra, têm mencionado em suas palestras ou em livros tais fatos. Isso talvez se deva a falta de coragem, ou , quem sabe, falta de interesse de colocar o dedo nas nossas feridas ou pouca compreensão da importância dos fatos. Apesar disso, é compreensível que não haja muitos trabalhos com ênfase especial neste assunto, afinal ele é contemporâneo demais; e quanto mais próximos estamos de um acontecimento histórico mais difícil a sua compreensão.

Não obstante, entendo ser de extrema importância olhar para este passado, ainda que nos doa saber que em nosso meio ocorreram males como estes, dignos de repúdio. A importância de olhar para trás é devido a algo simples: não repetir ou permitir que se repitam atrocidades como as ocorridas. O passado é como um mapa que pode tanto nos mostrar os caminhos que devemos continuar a percorrer como, também, aqueles dos quais devemos nos desviar.

Infelizmente a memória do brasileiro é bem curta, e a dos evangélicos parece ser mais curta ainda, talvez nem exista. Por isso mesmo trago esta reflexão, a fim de que nos voltemos para nosso passado, e isso responsavelmente. Pois é fácil olhar para trás e dizer que nada tivemos com isso. Caso alguém o diga, vale perguntar: qual seria a nossa atitude se fôssemos participantes desse período histórico? Posso responder apenas por mim. E, com sinceridade, não sei dizer como teria agido, apenas como quero agir nestes dias de minha vida: quero ter coragem para sustentar aquilo que creio, haja o que houver, e ser fiel ao evangelho e à minha consciência, sempre!
____________________________________________________________

1 - A edição do livro que tenho em mãos foi lançada pelo Instituto Superior de Estudos da Religião, em 1985. Creio que somente deva ser encontrado em sebos.

2 - Alencar, Gedeon Freire. Protestantismo tupiniquim: hipóteses da (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.

21 comentários:

maila disse...

Humberto, muito interessante o texto. É importante que nós cristãos cuidemos em conhecer a história de nossa igreja e desenvolver a capacidade de lançar sobre ela um olhar crítico reconhecendo o quanto já erramos e o quanto temos que aprender a nos posicionar diante de fatores como o período ditatorial em nosso país.

Parabéns por trazer essa reflexão.

Humberto Ramos disse...

Olá, Maila!

Alegro-me que tenha visto o texto por esta perspectiva, uma vez que a atitude comum da maioria é dar costas para tais fatos como se não fizessem a menor diferença para nossos dias, e como se os seus ecos não se mostrassem presentes em nossos dias.

Abraço fraterno.

Ana disse...

A paz, Humberto!
Meus parabéns pelo seu trabalho de pesquisa sobre a temática da ditadura e a IPB como também a de outras denominações.
A algum tempo tenho me questionado sobre este período da história do Brasil, e as relações dos evangélicos e sua participação direta ou indiretamente com o governo ditatorial.
Infelizmente parece que este tema não é apresentado e discutido nas denominações evangélicas de um modo geral, acredito que ao longo do tempo talvez este assunto seja questionado e criticado como o aborto, a pedofilia e o homossexualismo.
A ditadura sempre será um instrumento de repressão e tortura do corpo, da alma e do espírito do homem, pois, é certo que este instrumento sempre foi usado desde a queda do homem por Satanás.
Oro a Deus para que você aprofunde-se em sua pesquisa e que, Deus o faça a cada dia um arauto da verdade, que o seu trabalho sirva para que a Igreja do Senhor esteja despertando do sono na qual se encontra, e cumpra com "liberdade" o seu chamado de pregar o Evangelho a toda criatura. Ana Paula.

Humberto Ramos disse...

Olá, Ana!

Sinto-me agraciado pelas suas palavras, você é muito gentil!

Bem, é sempre satisfatório ler um comentário assim. Isso é o que gera na gente aquele desejo enorme de continuar a escrever, na expectativa de comunicar algumas visões aos outros. Afinal, aquele que escreve o faz devido a um sentimento estranho que o leva a acreditar que acabou vendo algo de extrema importância e que esse algo deve ser compartilhado; outros também devem ver o mesmo que ele viu a fim de que possam se beneficiar da visão.

Deus te abençoe ricamente!

Forte abraço.

Clémence disse...

Shalon! Fiquei surpreso e até horrorizado ao ler seu texto.Pois através dele pude saber um pouco da posição da Igreja Evangélica diante da Ditadura Militar.Horrorizado por conhecer o consentimento de algumas denominações com os horrores da ditadura.Pensava eu que a posição da Igreja seria diferente, com o coração sangrando encaro era triste realidade!Que Deus te abençoe ricamente,contineu sendo instrumento de Deus! Shalon.

Humberto Ramos de Oliveira Júnior disse...

É, meu caro Clémence,

A Igreja ou a "igreja" - no aspecto organizacional (organismo vivo) ou em seu aspecto institucional - é formada por seres humanos. É compreensível que coisas assim aconteçam, porém nunca aceitável!

Por isso existe aquilo que chamamos de espírito profético, exortativo, corretivo...

Deus nos abençoe para que nunca sejamos omissos em proclamar sua vontade!

Abraços

Wanderley disse...

É engraçado como um comentário feito baseado em um ou dois livros, de autores com opinião viciada pelo descontentamento é tida por alguns como pesquisa!
Aff!
Realmente a internet aceita tudo!

Humberto Ramos disse...

Wanderley,

É mesmo engraçado. Não é nada científico ou acadêmico... e na verdade é algo bem amador!

Sorte a minha que nunca tive a intenção de entregar a coisa toda mastigada aqui. A intenção é que cada um vá e pesquise, e a partir daí tire suas conclusões -- concordando ou não com minhas palavras.

Outra coisa engraçada e muito boa é que a internet aceita qualquer coisa. E isso me alegra (com exceção dos conteúdos criminosos, como pornografia infantil, etc.).

Aceitando tudo, a internet faz-se um instrumento democrático. E isso é muito bom. Imagine uma censura na net, algo do tipo: "Falar da Globo num poooode! Falar da Igreja Tal num Poooode! Falar do Governo num pode". Seria um porre. Uma ditadura, não acha?

Cada um lê o que quer, retém o que quer, é assim que deve acontecer.

Abraço!

Daniela Adlay disse...

Olá Humberto!
Gostei muito do seu texto!
Sou membro de uma IPB e estou pesquisando a postura da igreja evangelica em especial a IPB nessa época da ditadura. Mas o motivo desse post é pra comunicar algo que achei estranho. Em outro blog encontrei esse mesmo texto seu , sem tirar nem pôr. Como não vi citação do autor confirmei as datas e a sua é mais antiga, então resolvi avisá-lo, haja vista q alguns amigos blogueiros já foram vítimas de plágio.
o link do blog é: http://gustavofrederico.blogspot.com/2009/04/postura-evangelica-frente-ditadura.html

Caso seja conhecido seu, desconsidere meu alerta tá?!

Em Cristo
Daniela Adlay

danyadlay@yahoo.com.br

Humberto Ramos disse...

Daniela,

Seu comentário me deixou feliz. E isso porque você gostou do texto e também por saber que decidiu se enveredar pelos meandros deste tema através da pesquisa.

No Carnaval deste ano pude encontrar-me um senhor ex-pastor presbiteriano, alguém que viveu este momento, que foi deixado de lado pela instituição e que, depois disso, teve um sem-número de experiências que jamais teria sem ter sido rechaçado pela sua denominação. Coisas da vida e coisas de Deus, neh!

Pude me deleitar ao ouvir tudo o que ele tinha pra me dizer...

E o encontrei num lugar em que nunca esperaria, bem no interior do Mato Grosso, num vilarejo que quase tão miúdo que nem dá pra acreditar que é um município.

Quando a gente tem interesse por uma coisa, parece-me que tudo nos leva a ela.

Ah, o blog no qual você leu meu artigo cita a fonte do Teologia Livre, no qual meu amigo Roger postou o texto que aqui você pode ler. Obrigado pela atenção!

Paz, bem e saúde.

Abraço.

Dany disse...

Como diriam uns amigos abeuenses: "é de Deus, irmão" rsrsrsr

Cara, ouvir relatos de alguém que viveu aqueles momentos deve ter sido uma experiência e tanto!!!

Deus te abençoe sempre!!!

Ruth Helena disse...

Estou muito feliz de ver esse artigo, porque as vezes me sinto solitária enquanto evangélica ao discutir essas coisas. Amei o final do artigo, tb não sei como reagiria na época, isso ia depender muito da formação não apenas religiosa mas política e ideológica que eu tivesse, pq temos que admitir que não é apenas a formação religiosa que nos influencia e que esta também é condicionada por ideologias socioeconômicas e por carcterísticas culturais, por isso que é difícil encontrar culpados, muitos pensavam está acertando. Mas temos que ter cuidado para não cometer os mesmos erros se não já estamos cometendo. Precisamos admitir que muitos evangélicos também fazem parte da grande massa manipulável e alienada, também devemos pensar em como podemos ampliar a revelação dessas verdades, elas ainda estão muito encoberdas. Precisamos pedir perdão a Deus e a nossa nação, precisamos pedir verdadeiramente o direcionamento de Deus. O meu coração fica apertado em ver um senso comum imperando no meio evangélico, em ver opiniões tão superficiais imperando no seio de nossas igrejas. Acreditamos que conseguimos discernir todas as coisas, mas parece que isso não aconteceu e ainda não tá acontecendo, mas a Palavra garante que conseguimos, então o que está acontecendo?
Quero conversar mais sobre isso, e sobre outras coisas que tenho pesquisado. A hitória do protestantismo no Brasil é muito conflituosa,por exemplo, os pensamentos que defendiam uma sociedade mais justa e igualitária foram reprimidos de tal forma (inclusive dentro da igreja) que ainda condicionam nossas subjetividades hoje em dia. Eu pensava que éramos livres, quero encontrar algumas respostas e tenho pedido isso a Deus, pq há algum tempo estou nessa jornada. E as respostas não estão apenas no plano espiritual, eu sei. Deus tem me dado a oportunidade de ver as coisas em outras perspectivas tb.
Louvo e agradeço a Deus por isso!!!!Deus é Maravilhoso!!!

Obriga!!! Um granade abraço!!! (desculpa, escrivi muito pq vc não sabe como isso alegrou o meu coração)

Humberto Ramos disse...

Ruth,

Não há problemas com o tamanho do comentário.

Podemos continuar a conversar sobre o tema, envie-me um e-mail. Posso te mandar algum material para reflexão!

Abraços fraternos.

Ruth disse...

Valeu!!!
Já mandei um email para o endereço que vc disponibilizou no blog.

Deus abençoe!!!

Cleber disse...

O que tu escreveu e bem verdade, nos dias de hoje vivemos o evangelho dos milagres, o evangelho da prosperidade, o evangelho das mais variadas e esquisitas unções e por ai vai... mas não vivemos o verdadeiro evengelho que é o de anunciar as boas novas, o a mor e o reino de DEUS... vejo agora que nosso passado não foi tão diferente do que´e nosso presente... homens dando espaço nos seus pulptos para politicos, ladrões, salteadores e se vendendo por um prato de lentilhas... lamentável...

Nanna Krishina disse...

Olá, boa noite!!!

Adorei o texto... estou começando a estudar a ditatura militar
na faculdade e estou impressionada com tantas barbaries.
E o tempo todo fico me perguntando onde estavam os evangelicos?
Sempre achei lindo nossos pastores dizerem tenho 30 anos de fé...
e hoje me pergunto onde estavam eles?
Não com intuito de acusação, mas como pergunta simples de quem
não viveu apenas ouviu falar...
Calar e fechar os olhos é participar e co-participar,
então até que ponto nossas igrejas, pastores, membros, nós cristãos
(que dizemos amar a Deus tanto e sobre todas as coisas)
fomos participantes desse fato horrendo de nossa historia?
Seu texto foi uma grande sugestão para a pesquisa que pretendo debruçar,
pretendo não pensar em nome de denominação, mas como cristãos protestantes
o que fizemos contra a barbarie, quem eramos nós???

O único medo de pesquisar tal tema em meio evangelico, é nas conclusões
descobrir que nós nos vendemos a troco de parcerias arbitrarias,
que demos nosso silêncio em favor de atos horrendos e sem fundamentos(é impossivel descrever).
E sobre a falta de pronunciamento de lideres evangelicos a respeito, somente lamento...
porque é assim que fazemos... não nos pronunciamos a respeito de questões contraditórias
e cheias de conflitos, fingimos não ver, ouvir, sentir ou fazer parte do mundo atual.

É com grande pesar, mas com fio de esperança
que comento o seu texto

Pesar por pensar que somos um povo forte e poderoso (segundo a Biblia),
mas com mordassa nos lábios e manipulados por interesses "nem sempre" de Deus.

Mas com muita esperança, por que creio que Deus pode levantar um povo forte nessa terra
que O ame acima de tudo e de todos, e sejam aliançados com a verdade de biblica de libertação, igualdade e amor.
Amor não fingido, que não se vende e não se rende...
Amor acima de palavras!!!

Nanna Krishina
(13 anos de fé)

Humberto Ramos disse...

Nanna, tudo bem?

Esse artigo me alegra muito. Eu até esqueço que ele existe, e de vez em quando vejo algum aviso referente a ele na minha caixa de entrada de e-mails, e lá está mais um comentário.

Era isso mesmo que eu desejava quando o escrevi. Trazer ao conhecimento, à consciência, pequenos vestígios daquilo que de fato foi o envolvimento dos evangélicos em relação à Ditadura.

Fico contente que você esteja interessada em pesquisar sobre esse tema. Não deixe de lado esse desejo! E mais: ainda que você já tenha ideia do que vai encontrar, continue, conheça, tenha bagagem para debater o tema.

O mais importante de tudo é: saber o que aconteceu, e difundir isso. Pois se ocorreu uma vez, pode ocorrer duas. A história nos revela erros e mais erros que foram repetidos de tempos em tempos. Não nos enganemos, enquanto o homem não for plenamente redimido, é preciso precaver-nos das maldades que ele pode fazer.

Desejo a ti sabedoria, coragem e graça para conduzir seus estudos!

Abraços!

leal disse...

Olá Humberto,
também li seu artigo e me interessei tanto sobre o tema, que escrevi minha monografia de conclusão do Bacharelado em Teologia na Faculdade Bennett sobre ele.
Você estaria interessado em ler?
O título é
PAPEL PROFÉTICO DA IGREJA CRISTÃ
ESPECIALMENTE DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL
Me avise que mando em anexo como arquivo pdf.
Na Paz do Senhor!
Regina

Humberto Ramos disse...

Leal, tudo bem?

Cara, que massa! Fico feliz que tenha desenvolvido um trabalho aprofundando o tema. Por favor, envie-me neste e-mail betoramosjr@yahoo.com.br

Terei imenso prazer em lê-lo.

Abração!

George Wanderley disse...

O artigo é interessante!
Porém algumas observações devem ser feitas.
Primeiro, não podemos, ou não devemos, julgar um momento da história com os valores de outro momento. Os valores mudam! A ditadura que hoje nós tachamos de algo criminoso, na época, para a grande maioria dos brasileiros, era algo bom. Os militares eram os "heróis".
É certo que a maior parte dos cristãos daquela época tinham tal perspectiva, inclusive, sobre o fundamento de que "toda autoridade é dada por Deus".
Segundo, o livro "Inquisição sem fogueiras" é de conteúdo questionável. Primeiro porque sua bibliografia é quase nenhuma. Segundo porque toda história tem 02 lados. De acordo com a IPB os pastores citados no livro foram disciplinados, o termo correto é este, por se valerem de uma teologia liberal e não por questões sociais. Inclusive, o próprio autor do livro foi discipliando pelo Concílio local (Igreja local e presbitério) e não pelo Concilio Superior, este, por sua vez, só fez ratificar a decisão dos demais.
Mas, é certo que a posição da Igreja deveria ser diferente, de não contentamento. Olhando por este aspecto seu texto é bom.

Humberto Ramos disse...

George Wanderley,

De fato, olhando por esse lado o texto é bom. Isso porque se propôs apenas a uma reflexão, a gerar uma curiosidade acerca do tema. Assim sendo, acerca dos seus argumentos que colocam em xeque o livreto de autoria do João Dias de Araújo, posso dizer que levanto as mesmíssimas razões para colocar em xeque a versão oficial da Igreja.
E por não possuir caráter cientifico o meu texto, repito, meu interesse primordial é que, ao chegarem a este blog, os caros leitores corram atrás de relatos, livros, documentários e trabalhos acadêmicos que tratam do tema com maior profundidade munidos da “suposta” imparcialidade científica.

De qualquer modo, essa discussão é muito válida. Obrigado pela visita e pelos comentários feitos!
Abraços.

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