17.5.07

Contextualização da nossa mensagem

Uma das coisas que mais deveríamos prezar no nosso trabalho missionário é a contextualização da mensagem da missão, ou seja, a transmissão do Evangelho do Reino de forma compreensível, possibilitando a todas as pessoas ter acesso às boas novas de Cristo.

Pode ser que você já tenha ouvido falar muito sobre isto, mas, por via de dúvidas, não custa nada relembrar. Afinal, se não nos fizermos compreensíveis de que adiantará pregar?

Em se tratando do contexto ao qual pertencemos, percebo que possuímos uma diversidade de “vícios gospel”, que, em algumas ocasiões, acabam por nos atrapalhar no anuncio da mensagem de Jesus. Aquilo que podemos chamar de “crentês” ou “evangeliquês”, dentre vários outros vícios, pode fazer de nós pedra de tropeço no anuncio da mensagem evangélica.

Estamos vivendo, ainda que não percebamos claramente, um tempo de grandes transformações; um momento de grande importância histórica, no qual valores são redefinidos, os conceitos reformulados e a sociedade se torna cada vez mais pluralista. Aparentemente, pode parecer um paradoxo, mas esta sociedade pluralista, quanto mais pluralista se torna, mais se divide em tribos. Estas tribos, que também podem ser chamadas de “culturas de guetos” (porque, geralmente, se isolam), são resultado do agrupamento de pessoas com certas afinidades específicas que, mesmo que inconscientemente, procuram se auto-afirmar através de um grupo de iguais. (p. ex: rappers, metaleiros, os da periferia, os playboys, clubbers, punks etc.).

Estas tribos criam suas próprias gírias, estilo de se vestir, andar e se comportar. Formam sua própria identidade grupal na medida em que vão se relacionando. Sendo assim, isso não tem sido muito diferente no meio evangélico, que, com o passar do tempo, também vem criando sua própria indenidade grupal. Isso não é ruim em um primeiro momento. Contudo, em havendo a dificuldade de transpor este grupo para se relacionar com outros distintos, essa identidade pode ser danosa para a realização da missão da Igreja, que é manifestar o Reino na sociedade em que está presente.

É justamente por isso que devemos dar mais atenção ao nosso comportamento em sociedade, não permitindo que nossas ações, ao invés de atrair as pessoas para o evangelho, as afastem dele. Devemos seguir o exemplo de nosso Senhor Jesus, que, para se relacionar com a humanidade, tornou-se humano. O mais humano de todos! Não só isso, mas também se introduziu em uma cultura específica, num tempo específico, e lançou mão de elementos culturais conhecidíssimos do seu tempo para enriquecer e tornar clara sua mensagem.

Outro exemplo magnífico é a forma com que Deus resolveu se manifestar aos grandes homens da bíblia. Ele não fez de outra forma senão na língua desses. Valendo-se da contextualização de suas palavras. Ora, Deus é espírito e, por isso, não possui ouvidos, olhos ou mãos como nós os compreendemos, contudo, nas escrituras, Ele diz que os seus ouvidos não estão tapados para que não ouçam, que seus olhos vêem todas as coisas e que suas mãos não estão encolhidas, para que não possa salvar. Isso (entendo) ele fez para que compreendêssemos o que queria dizer.

Sendo assim, pensemos, se Deus resolveu contextualizar a sua mensagem para se aproximar do homem caído e separado de Sua glória, por que nós que já fomos alcançados não faríamos o mesmo?

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