20.6.07

O caqui, o vento e eu

A vida é coisa majestosa e foi feita pra ser vivida. Presente divino a todos os seres presentes no palco da existência. Se vida é presente, certamente deve ser vivida no presente. Não obstante, teimosos, insistimos em não presenciar o espetáculo do viver que conclama todos os dias nossa atenção.

Como viciados, dependentes de drogas, nos entregamos às nossas “pré-ocupações”: as nossas dívidas sem fim, as provas escolares, sonhos, ambições diversas, e outras coisas mais que nos raptam do agora... Creio ser assim com a grande maioria de nós, seres humanos.

Paulo, o apóstolo, em um de seus escritos, refere-se a um espinho na carne que o atormentava. Inúmeras vezes pediu a Deus que o libertasse dele. Oração respondida com um não. Assim sendo, passou a entender que aquele aparente mal tinha algum propósito...

Eu fico a pensar que mal seria esse. Que era o seu espinho na carne? Alguns dizem que Paulo tinha problemas com a visão, outros, alguma doença física mais grave... Alguns mais ousados dizem que ele era homossexual e este era o seu sofrimento-mor.

Não sei o que ele tinha de fato. Se fosse importante para nós, ele teria nos dito. Ou quem sabe já fosse conhecido de todos aqueles com quem teve algum contato nos tempos de seu apostolado, sendo tão evidente que não precisasse mencionar! Só sei de uma coisa... Se, porventura, todos nós temos um espinho na carne, o meu certamente é a ansiedade.

Este é o incômodo que me empurra sempre para o futuro e quase me impede de aproveitar/provar o presente divino que é o presente momento. Luto todos os dias para não me “pré-ocupar” com coisas demais, para conseguir ler os livros que considero chatos mas que necessito para tirar boas notas na faculdade (boas?), para escutar a conversa entediante de gente entediante e não me precipitar e cortá-los, etc.

Todos os dias uma grande batalha. Todos os dias luto! Mas não há luto nisso, só uma constante guerra pela alegria de viver...

Raros são os momentos de trégua: geralmente quando me entrego a algo que realmente satisfaz minha alma. Confesso que não são muitos os sabores que ao meu paladar agradam. A vida é cozinha de casa grande com multiplicidade de sabores: alguns doces, outros amargos. Gosto muito do caqui, e, como diria o Rubem Alves, “cá-aqui”; cá e aqui, quero estar a saborear o presente como moleque travesso que pula a cerca, pega o caqui da horta ao lado e o saboreia lambuzando-se reverentemente. E reverência de moleque é sempre irreverente... mas pura.

Estou animado e com fé. Creio que minha luta não é vã! Não quero viver a correr atrás do vento, antes quero sentir o seu cheiro e abano em minha pele, desfrutá-lo e aprender com ele.

Ser como ele, um ideal...

Vento, oh Vento bendito, quero que leves minha ansiedade e a deixe diante do Senhor, nosso Deus!

"O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito".

Nenhum comentário:

Related Posts with Thumbnails