20.6.07

Um texto retirado dos "Badulaques de Rubem Alves"

Como nunca fui um bom aluno, senti-me atraído por este texto do Rubem Alves, escrito antes da criação do seu livro Fomos maus alunos, em comunhão com Gilberto Gilberto Dimenstein.

Porque li e gostei, postei!

ALBERT SCHWEITZER: Eu e o Gilberto Dimenstein estamos planejando produzir um livro a duas cabeças. Explico por que digo “produzir” e não “escrever”: vamos nos trancar numa sala, telefones normais e celulares desligados, gravador ligado, e vamos conversar livremente sobre as nossas experiências de escola. O livro será a transcrição desse dia de conversas. Já decidimos sobre o título. O livro vai se chamar: Fomos maus alunos. Não sei quão mau aluno o Dimenstein foi. Só posso falar sobre mim. Vagabundei muito. Nâo gostava de estudar. Não tinha razões para gostar de estudar. Estava sempre pendurado com notas baixas, em perigo de 2ª época. Para quem não sabe 2ª época era um exame que se fazia em fevereiro para aqueles que haviam levado bomba na 1ª época. Nunca fiquei para 2ª época porque me rachava de estudar nas quatro semanas que antecediam os exames finais. Tudo, menos perder as férias. Os burocratas têm sempre idéias brilhantes nos seus escritórios, idéias que eles transformam em leis. Pois um deles pensou uma alternativa para os vestibulares: os alunos entrariam para a universidade tomando-se por base seu histórico escolar, suas notas no ginásio e no colegial. Se essa idéia tivesse se transformado em lei eu nunca entraria na universidade. Fui mau aluno. O que me era ensinado não era o que eu queria aprender. O que aprendi, aprendi andando pelos meus próprios caminhos. Mas o que eu aprendia nos meus caminhos não caía nas provas. Pensando sobre como aprendi dei-me conta de que um dos fatores que mais me motivaram foi a admiração por certos homens que me pareciam extraordinários. Eu queria ser como eles...
Continua aqui

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