13.7.07

Comentários desconexos originados em um evento escolar

Nesta última quarta-feira, assisti uma apresentação comemorativa de fim de semestre de uma escola local. Lá pude constatar algumas coisas (julgo eu) muito interessantes, e passo a vos contar agora:

1- entendi mais uma das razões pelas quais crianças e adolescentes geralmente não gostam de ir à escola. A funcionária responsável por cuidar da entrada e saída dos alunos tinha uma “cara” mal-encarada; sabe, daquelas de quem saiu correndo de casa sem passar desodorante e só lembrou quando chegou ao trabalho; ou, ainda, daquelas que chupou muito limão com sal e não se lembrou de mudar a feição...

Lula, faz-me um favor, solta mais grana pra esse pessoal aí!!! Primeiro, eles merecem; geralmente, são pessoas que trabalham bastante e ganham uma merreca. Segundo, nossos adolescentes precisam aprender outras coisas além de aprenderem a pensar; por exemplo, sorrir! Afinal, temos tanto motivo para choro nesse nosso Brasil, que não cairiam nada mal uma matéria que ensinasse os alunos a sorrir para a vida, ainda que ela não esteja sorrindo para eles!

2- pude ver que a sensualidade, dom que se manifesta com maestria no ser feminino, está sendo usada de forma errada, na hora errada e no lugar errado. Em algumas apresentações musicais do evento, algumas adolescentes destilaram comedidamente (ainda bem que foi comedidamente) sua sensualidade.

Imagine só: evento escolar, pais e professores presentes, muitos adolescentes que não podem ver nem a canela de uma menina... Bem... é isso! Penso que este atributo, a sensualidade, tem finalidade muito mais sublime e valiosa, devendo ser guardada para a realização do amor entre um casal.

3- percebi que alguns brasileiros não conhecem música brasileira. É isso mesmo. Uma dos momentos era sobre o “Brasil, terra da música!”. Legal, muito legal se as músicas a serem coreografadas e dançadas pelas meninas fossem brasileiras. Mas não, as músicas eram estadunidenses. Uma delas era um rap daqueles que, em certas partes, têm participação de lindas “negras-loiras”. Onde foi parar o forró, o samba e a salsa... Opa... a salsa também não é brasileira!

4- aprendi também que a lambada é a música símbolo do Brasil; vocês também sabiam disso? Ora, se eu estiver errado, comente esta postagem esfregando a verdade em minha cara. Mas eu sempre pensei que o samba é que era música símbolo do Brasil. Como as coisas mudam rapidamente, e olha que tenho apenas vinte e poucos anos...

5- outra coisa que vi e não curti. Os professores responsáveis por apresentar as cenas do evento, as danças, teatros, enfim, tudo ali, pareciam-me um pouco desmotivados, cabisbaixos. Não estavam em consonância com os cartazes colados nas paredes, que continham frases que juraria terem sido extraídas dos livros de Rubem Alves, falando romanticamente acerca de educação. Infelizmente, isso também é parte integrante da realidade educacional brasileira. Existem professores mal pagos, outros não vocacionados, outros desiludidos com o sistema e quase sem força para seguir em frente e atender sua vocação!

6- a última coisa que pude constatar foi que os alunos e professores sempre se reencontrarão, mesmo que isso não lhes seja tão agradável! Dentre vários outros ex-professores meus, reencontrei lá a professora de Física.

Recordo com clareza de uma vez que ela decidiu formar duplas de alunos para a realização da prova que daria. Depois de formadas as duplas, ela saiu a separar todas aquelas que pensava ter um aluno se aproveitando do conhecimento espetacular do seu colega, que, claro, contrastava com o seu pouco conhecimento e mau comportamento escolar. Separadas as duplas que, em sua opinião, estavam mal formadas, ela distribuiu as provas.

Felizmente, para mim, e tristemente, para ela, não havia me separado de meu colega, um fera das aulas de física. Quando ela me viu ali, com um outro aluno que seria, sem dúvida, nota dez, ela não pensou para falar e soltou: “aproveite hoje... eu só não te tirei daí porque não o vi”.

Nunca gostei de física, sempre gostei de falar nos horários de aulas chatas, e nunca fui bom em prestar atenção naquilo que não gosto, se eu fosse um desses maus elementos soltos por ai, eu teria aproveitado este reencontro para ensinar algo a ela...

Mesmo assim, acho que perdi a oportunidade de ensinar algo a ela; claro, teria ensinado que ela deveria ter notado minha inclinação para as ciências humanas, e que eu viria a estudar Direito, e não Física!

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