15.7.07

Professores traumatizantes

Outro dia escrevi um artigo a respeito de um professor que, com seu jeito de ser, marcou minha vida educacional. A partir daí passei a refletir sobre minhas outras experiências escolares. Fiz, sozinho, uma espécie de catarse, a fim de trazer à minha mente fatos passados que jamais levei sério mas que podem ter se constituído em fatores importantes no que tange às impressões que eu viria a ter da vida escolar.

Recordei-me da professora Benedita, a Louquinha, como passou a ser conhecida pelos alunos depois de seus atos um tanto anormais. Ela era professora da 1º série do então ensino fundamental. Seu temperamento era bastante agressivo em se considerando que ela cuidava de alunos que acabavam de sair da pré-escola. Um dia, na fila de alunos que fizemos para um evento da escola, alguém me empurrou por trás e eu, desequilibrado, empurrei outro coleguinha que estava a minha frente. A professora nem quis saber, veio em minha direção e meteu-me a mão na orelha dando aquele puxão.

Eu fiz de tudo para esconder a orelha vermelha de meus pais. Um misto de vergonha e medo tomou conta de mim naquele dia. Medo, por não saber o que poderia acontecer se contasse aos meus pais sobre o acontecido; e vergonha, por ter permitido que isso acontecesse...

Minha mãe, atenta a quase tudo que envolvesse seus filhos, logo percebeu a orelha ruborizada e questionou: “Menino, que é isso?”. Por mais que eu tentasse me esquivar, tive que contar. Mal sabia a professora Benedita que esse e outros fatos chegariam até o conhecimento da diretoria escolar e até da Delegacia de Ensino de minha cidade. Ela ficou um tempo afastada e só voltei a vê-la muito tempo depois.

Outra experiência nada agradável ocorreu na aula de matemática, com a professora Roseni, que também tinha um gênio “carne de pescoço”. Roseni tinha o costume de convocar os alunos ao quadro, como se faz nos bingos, sorteando-os por meio da lista de chamada. Um dia ela chamou meu número, quando levantei, ela mencionou: “Este nem compensa ir ao quadro”. O exercício realizado no quadro valeria como uma espécie de ponto de conceito. Como eu não era um primor de aluno, ela considerou que não valeria a pena me dar esta oportunidade. Isso, se não me falha a memória, ocorreu na 5º ou 6º série.

Pois bem, a Roseni era o terror dos alunos! Nosso troco viria na época da avaliação dos professores pelos alunos. Era a primeira vez que teríamos a oportunidade de avaliar oficialmente o rendimento dos professores, através de um questionário. Creio que não houve um aluno sequer que não tivesse reprovado-a em vários quesitos.

Houve muitos outros ocorridos envolvendo meus professores. Fico a meditar nestes fatos e começo a entender por que não curtia muito a escola. Hoje, com o renascimento do meu interesse pelo estudo de matérias como português, história e até matemática, percebo o tempo precioso que perdi. De certa forma, sofro as conseqüências de minhas próprias atitudes, afinal eu nunca fui muito esforçado. Por outro lado, sei que tudo poderia ter sido mais prazeroso do que foi, se os regentes do ensino tivessem sido mais amorosos em relação ao seu trabalho.

Sim, isso é possível! E quando há amor, há aprendizado, há interesse, há prazer de ir à escola! Não esqueço da Tia Angélica, mesmo que não me venha com clareza à mente a sua face; era professora do jardim ou da pré-escola, não sei bem. Mas algo eu sei, ela era doce. Conseguiu me manter em sala de aula, fato quase miraculoso, pois minha mãe tinha que se manter de prontidão durante os primeiros minutos de aula a fim de não me ver fugir. Se encontrasse uma brecha, lá estava eu correndo para a liberdade.

Mas com a Angélica foi diferente. O seu jeito meigo fez com que eu tivesse uma daquelas “apaixonites” agudas que costumam atingir os aluninhos em relação à sua professorinha querida. Infelizmente, ela foi transferida, e eu... bem, fiquei infantilmente desolado.

Pois bem, o que quero dizer é: se há dedicação amorosa no ato de ensinar, por mais que o aluno seja de difícil trato, as possibilidades de se mantê-lo em sala de aula e de aprender serão muito maiores.

Professores amorosos podem conseguir que seus alunos amem sua matéria e o estudo. No mínimo, conseguirão impedir que não detestem. Já os professores traumatizantes, esses não conseguirão muita coisa além de se fazerem rejeitados pelos seus alunos!

2 comentários:

FChagas disse...

olá, Beto, bom dia! vi, li e reli este texto. tive vontade de dar umas boas gargalhadas pelo "solapo" que levou da professora. Imaginei a cena! dai meu caro que me solidarizo com vc. pois, também, quando pequeno, fui arrisco com meus professores.

Natália Miacci disse...

ÓÓÓÓOÓÓÓÓÓÓÓÓOÓÓ!!!!!!!!!!!!

Tô passada!!! Como pode?? Imagina, nós, professores , serem chamados de traumatizantes?? Afinal de contas, a gente ganha tão bem que dá até vontade de rir!!!rsrsrs

Ironias a parte, espero entrar pro time dos professores fofinhos...(AMÉM!) =D

um beijo e um queijo!

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