11.9.07

Continuando a ter coragem para ser

Achei conveniente postar o comentário feito pelo Rogério ao texto abaixo (Coragem para ser) e também minha resposta. Nela esclareço um pouco mais sobre minha forma de ver este tema: o do "ser quem somos".

Comentário:

Oi Humberto,
interessante que acabei de postar um artigo que tem muito a ver com isso que se passa em sua alma, sobre a essência, a autenticidade, o cair de máscaras.
Parece-me que esse é o único caminho.
Descordo do Jesse Dias (só para polemizar): enquanto estamos aqui somos eternamente miseráveis dependentes da graça divina. Então assumamos logo nosso mal caráter para obtermos misericórdia.

Resposta:

Olá Roger,

Fico grato pela sua visita ao meu humilde blog. Também me alegro em saber que há confluência entre o que você pensa e o que eu penso. Sobre polêmicas, também gosto muito delas.

Quanto à questão do “ser”, essa é uma questão extremamente séria!

Em todos os grupos de convívio corremos o risco de não sermos quem somos devido às pressões externas. Se tratarmos da questão voltando-a especificamente para a temática da religião, mais ainda! Isso porque o sinônimo de religião deveria ser repressão (talvez Rubem Alves assim o sugerisse).

O outro ponto está relacionado com as expectativas alheias. Quando não nos alienamos de nós mesmos por medo, falta de coragem, ou simples falta de personalidade (talvez estejamos em processo retardado de formação), o fazemos para satisfazer as expectativas. Acontecem assim na família, no namoro, casamento, etc.

O grande lance de ter consciência de quem somos e confirmar nossa identidade diante das pessoas é que este processo é responsável pelo nosso desenvolvimento enquanto humanos, seja no âmbito espiritual ou não.

Infelizmente, nós não sabemos lidar com diferenças, por isso aniquilamos o “eu” dos outros, o nosso eu (quando nós é que somos os diferentes) e tudo o que significa ser diferente – ainda que esta diferença seja momentânea e transformável.

Não proponho que nos conformemos com nossas limitações e deficiências, porém está reprimido qualquer um que tenha se aniquilado ao ponto de não poder assumir a si mesmo como o é, e esta repressão pode provocar neurose. Até para haver transformação é necessário à confirmação da sua identidade, ou seja, uma prévia aceitação daquilo que se deseja rejeitar (e que seja por bons motivos essa rejeição), para depois tratar de execrar aquilo, pois não há como se rejeitar algo que não se reconhece ter.

E mais: se pensamos que estar no Caminho do Evangelho é aniquilar nosso “eu”, temos que interpretar isto com mais calma e dedicação. Alguém escreveu no msn e eu concordei: “Para Jesus o negar a si mesmo não implicou em morte de nada que é vida, mas apenas na morte de tudo o que mata.”

Em Cristo não somos obrigados a deixar de “ser”, Nele somos chamados para ser quem realmente fomos criados para ser. Passamos a peregrinar numa estrada na qual deixamos muito daquilo que somos, mas também reafirmamos e recebemos muito daquilo que devemos continuar a ser e também passar a ser.

Agora, quer ser você mesmo em Cristo? Aí sim há de se tomar cuidado, e bem sei que é a isso que o Chagas se referiu no comentário dele. Radicalizar e passar a levar a sério as palavras de Cristo pode trazer muitos inconvenientes, muitos dos quais eu já citei no texto.

Caro Roger, não encontrei seu blog, por favor, quando visitar outra vez meu espaço, deixe-me o endereço do seu.

Abraços fraternos.

Um comentário:

Roger disse...

Oi Humberto,

que honra ser citado no seu Blog.
Gostei muito desta segunda parte e já roubei e coloquei lá no "nosso" Blog.

Abraços e aguardo as novidades de Cuiabá.

Roger
PS: Vc recebeu a senha que te enviei pelo hotmail?

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