1.10.07

Mordomia do conhecimento

Por Natan de Castro

Quando criança e até a minha pré-adolecência, eu sempre fui muito preguiçoso para ler. Gostava mais de assistir televisão e brincar com meus amigos. Quando descobri o vídeo-game então fiquei tão encantado que cheguei a reprovar na escola naquele ano.

Não consigo dizer com precisão o que despertou em mim o interesse pela leitura. Acredito que tenha sido uma soma de fatores, dentre os quais, o meu orgulho e a necessidade de auto-afirmação foram preponderantes. Recordo-me que, quando li a Bíblia “de capa a capa” pela primeira vez, tinha dentro de mim uma motivação escusa: queria mostrar para as outras pessoas – e para mim mesmo – que eu era um cristão acima da média, afinal enquanto muitos cristãos grisalhos em minha igreja nunca tinham lido a Bíblia toda, eu, com apenas 16 anos de idade, já o tinha feito. Embora pareça irônico, eu pequei por ler a Bíblia.

Atualmente tenho lutado contra outra preguiça: a de escrever. Ler é como ir a um restaurante do tipo self-service e se deliciar com os pratos ali oferecidos, servindo-se dos que mais lhe agradam. Escrever, por outro lado, exige um esforço semelhante ao de um habilidoso cozinheiro. Não é nada fácil “picar” as idéias e “assar” os pensamentos. Mais difícil ainda é preparar um “prato literário” saboroso e, ao mesmo tempo, nutritivo. Confesso que temo tanto a caneta quanto o fogão. Preciso aprender a escrever assim como cozinhar.

Ler e escrever são exercícios importantes. Ao ler, me intero de assuntos e informações dos quais desconheço. Ao escrever, cataliso e assimilo melhor o que li e, se alguém ler o que escrevo, estarei repartindo o que aprendi.

Da mesma forma que pequei – e ainda peco com freqüência – por ler a Bíblia com atitude farisaica (Lc 18:9-14), é possível escrever buscando autopromoção. Não estou, nem estarei nesta vida, imune ao pecado do orgulho.

Em Sua misericórdia e graça, Deus tem me ajudado a converter minhas motivações. Tenho percebido que conhecimento dissociado de serviço me torna arrogante. Se tenho acesso e prazer em ler a Bíblia e bons livros, isso tem que ser um meio para servir outras pessoas através do que eu escrevo e, principalmente, do que eu vivo. Preciso praticar a mordomia do tempo, do dinheiro e também do conhecimento de maneira que, em tudo, Deus seja glorificado na minha vida, “pois dele, por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Rm 11:36)

Natan de Castro é membro da Aliança Bíblica Universitária do Brasil em Cuiabá-MT, músico, e amigo deste blogueiro.

Um comentário:

jesse dias disse...

Bom, acho q o elogio num eh pra vc dessa vez neh, heheh...
Muito bom o texto do Natan! Ele rem um blog tb?

Abraco corujao...

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