26.11.07

Bençãos despercebidas

Há alguns dias atrás me dediquei ao estudo de uma das disciplinas do 5º ano do curso de Direito. Chegando à sala em que seria aplicada a prova, como sempre fiz logo que tinha em mãos qualquer avaliação, entrei em estado de introspecção e quase iniciei uma oração pedindo a Deus que me abençoasse naquele momento importante, isso a fim de que eu tirasse uma boa nota!

Ora, fora assim que eu havia aprendido e era assim que eu fazia. Sempre tinha ouvido dizer que, se estudássemos bastante e nos esforçássemos, Deus nos lembraria de tudo aquilo a que havíamos nos dedicado no momento de estudo. Contudo, neste dia foi diferente. Muito diferente. Comecei a refletir sobre meu dia, e eu havia me dedicado bastante para aquele teste; e, claro, isso não teria ocorrido se o Eterno já não tivesse me entregado inteligência, saúde, capacidade de lidar com minha falta de concentração (algo que me aflige constantemente), e determinação em conhecer a matéria relativa àquela prova – bem, foi um dia raro, eu realmente tinha estudado para a prova.

Depois deste momento de meditação em pleno horário de provas, desisti de pedir: – Quer saber? Obrigado por já ter me abençoado, Senhor! E obrigado por mais esta prova!

Demora, mas pouco a pouco a gente aprende que Deus não marca nossos gols, não redige nossos textos, não responde as questões das provas, e nem paga nossas dívidas do nada. Ele poderia até fazer tudo isso, mas tenho uma certa impressão de que ele prefere que usemos todos os dons e talentos inerentes a nós mesmos e dados por ele para que consigamos nossos objetivos.

Não estou sugerindo que paremos de orar; pelo contrário, penso que talvez devamos agradecer mais pelas bênçãos já derramadas sobre nossas vidas. Bênçãos essas que muitas vezes nos passam despercebidas.

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