9.11.07

A IURD é uma empresa que explora a fé de incautos

Já faz um bom tempo que tenho visto a Igreja Universal como uma coisa estranha que se alastrou na nossa nação, mas , contudo, nunca tive coragem de contrariar algo que ela mesma arroga para si: ser uma igreja protestante- evangélica.

Na atual conjuntura, levando em conta o que os líderes dessa denominação têm ensinado e praticado às claras, faço questão de deixar aqui minha opinião a respeito da IURD.

A IURD é uma empresa com cara de denominação religiosa que se disfarça de protestante-evangélica, que pratica macumba em nome de Jesus, que utiliza a bíblia de forma inescrupulosa e mesquinha; é uma empresa que possui uma cúpula de mercenários conscientes e uma grande maioria de subordinados iludidos e alienados por ensinamentos anti-evangelho, estes são pobres coitados que precisam alcançar uma meta financeira em determinados prazos a fim de que continuem sendo obreiros da denominação.

É uma instituição religiosa que absorveu para si tudo aquilo que é de mais desprezível e anti-ético na nossa cultura.

Posto agora para vocês o texto do bispo anglicano Dom Robinson Cavalcanti a respeito desta anomalia que se diz evangélica.

Ah, além de postar, convoco aos meus caros parceiros de blog para que não se omitam diante de tanta picaretagem e também escrevam e postem artigos denunciando esta empresa dá fé que se mantém de pé por meio da exploraração da crença de pessoas incautas.

Aí está o artigo do bispo Robinson Cavalcanti.

A Igreja Universal não é protestante nem evangélica

Diante de mim vinte e seis horas de viagem, entre vôos e aeroportos, entre Recife-Guarulhos-Miami-St. Louis. Costumo ler e/ou escrever para preencher o tempo. No aeroporto compro um exemplar do livro de maior tiragem da história editorial brasileira (700 mil exemplares): "O Bispo – A História Revelada de Edir Macedo", de autoria dos jornalistas Douglas Tavolaro e Cristiana Lemos (ambos funcionários da Record), Editora Larousse.

O texto é agradável de ler, com capítulos curtos e estilo narrativo. Uma biografia "chapa branca" de um empresário bem sucedido, nos ramos imobiliário, de comunicação e eclesiástico, que mora nos Estados Unidos e tem residência nos diversos continentes, para onde viaja em jato particular.

Em 35 anos de um galpão de uma antiga funerária no Rio de Janeiro para 172 países ( 4.748 templos e 9.660 pastores somente no Brasil) e a propriedade da segunda rede de televisão em audiência.

Um oriundo da Igreja de Nova Vida, do saudoso bispo Roberto MaCalister, juntamente com o seu cunhado Romildo Ribeiro Soares (o R.R. Soares da hoje Igreja Internacional da Graça de Deus) para a criação de algo peculiar em nosso cenário religioso: a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

O mais difícil no livro foi achar referências a pessoas e a obra de Jesus Cristo. Fala-se de Deus, da Igreja, do Bispo, dos Pastores. A Teologia é centrada em dois eixos: a troca entre oferta e bênção e os descarregos das entidades espirituais negativas, e só. Dentre as opiniões heterodoxas, a defesa do aborto.

Fui membro da Banca Examinadora da Dissertação de Mestrado em Sociologia da Religião, defendida pelo pastor Estevão Fernandes, da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba, e fui membro da Banca do Exame de Qualificação da Dissertação na mesma área pelo reverendo anglicano Washington Franco, na Universidade Federal de Alagoas, ambas tendo como tema a Igreja Universal. Li textos e o jornal "Folha Universal". Assisti aos padronizados programas de televisão, desde o antigo "25ª. Hora".

A minha conclusão serena é que a Igreja Universal do Reino de Deus não é uma Igreja protestante ou evangélica, por não ter nenhuma relação teológica, confessional ou ética com qualquer das expressões da Reforma, mas se constitui em uma seita para-protestante (muito menos protestante do que a Igreja Adventista do Sétimo Dia), porém não uma seita para-cristã como as Testemunhas de Jeová, os Mórmons ou a Ciência Cristã.

Não é uma igreja pentecostal, e não deve ser chamada de neo-pentecostal, porque além dos pentecostais serem protestantes, não há qualquer semelhança entre os dois grupos, antes posições até antagônicas. Daí o uso da expressão pós-pentecostalismo ( Paulo Siepierski), iso-pentecostalismo (sociólogos argentinos) e pseudo-pentecostalismo (Washington Franco).

O problema é que a Igreja Universal do Reino de Deus se apresenta como "evangélica" confundindo o já esfacelado e caótico quadro das Igrejas reformadas entre nós, e infiltrando suas crenças e práticas exóticas entre os nossos membros mais desavisados.

Ler o livro foi importante para mim, ratificando o que já percebia. A IURD é isso mesmo. Ainda vai dar muito o que falar. Ponhamos as nossas reformadas barbas no molho e ensinemos a verdade da Palavra ao nosso povo.

Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada.
www.dar.org.br

4 comentários:

Roger disse...

Grande Beto,

custou mas vc nos presenteou com dois bons textos!

Deixando essas evidências de lado, que mostram a IURD como uma empresa charlatã, ela ainda é pra mim um mistério.

Aqui em Munique já teve ou ainda tem uma.

Eu nunca entrei numa IURD, mas gostaria, só por curiosisdade (claro que por via das dúvidas deixaria minha carteira em casa, ainda que ela ande sempre vazia).

Mas o mistério paira pra mim em como bolar um mecanismo pra pegar esses caras. Eu sei que Deus tem seus próprios métodos, mas eu sei que ele nos usa nisso... o mistério aina paira. Talvez vc que é da área do direito saiba de algo.

No mais um abraço.

Anônimo disse...

Sou estudante do curso de Direito, e passando problemas familiares sérios procurei esta denominação universal, onde a tudo eles colocam a culpa no demônio como se o ser humano deixasse de pensar, colocam na mente das pessoas que o traidor, matador e etc. são usados, não sabem o que estão fazendo como se fosse uma criança inocente, toda culpa é jogada no demônio... Freqüentei por três meses, e nunca vi eles abrirem a bíblia. Logo no inicio era bem tratada, pois estava sempre bem vestida, em relação ao publico presente, quando eles perceberam que eu não pegava os envelopes (no mínimo três campanhas em cada reunião) começaram a não me tratar tão bem,teve uma vez onde eles pediram que apenas os que iriam doar ficassem de pé p/serem abençoados, não retornei mais neste local, observei que a maioria das pessoas era muito pobres, quase analfabetas, e todos os dias essas pessoas doavam, a mídia fala de dizimo, mais não é só isso o que eles pedem. Fui visitar outra congregação é bem parecido à maneira de persuasão, estou torcendo para que haja Lei especifica, pois acho um crime usar a fragilidade, a dor para beneficio próprio.
Hoje eu já superei o problema, e com certeza não foi à universal quem resolveu

Anônimo disse...

Sou estudante do curso de Direito, e passando problemas familiares sérios procurei esta denominação universal, onde a tudo eles colocam a culpa no demônio como se o ser humano deixasse de pensar, colocam na mente das pessoas que o traidor, matador e etc. são usados, não sabem o que estão fazendo como se fosse uma criança inocente, toda culpa é jogada no demônio... Freqüentei por três meses, e nunca vi eles abrirem a bíblia. Logo no inicio era bem tratada, pois estava sempre bem vestida, em relação ao publico presente, quando eles perceberam que eu não pegava os envelopes (no mínimo três campanhas em cada reunião) começaram a não me tratar tão bem,teve uma vez onde eles pediram que apenas os que iriam doar ficassem de pé p/serem abençoados, não retornei mais neste local, observei que a maioria das pessoas era muito pobres, quase analfabetas, e todos os dias essas pessoas doavam, a mídia fala de dizimo, mais não é só isso o que eles pedem. Fui visitar outra congregação e bem parecido à maneira de persuasão, estou torcendo para que haja Lei especifica, pois acho um crime usar a fragilidade, a dor para beneficio próprio.
Hoje eu já superei o problema, e com certeza não foi à universal quem resolveu

Humberto Ramos disse...

Anômina,

Obrigado por compartilhar sua experiência.

Ajudou a enriquecer a postagem.

Abraço!

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