21.12.07

Feliz Natal!!!

Os filmes na TV e os comerciais da Coca-Cola sugerem que há uma magia no ar. Uma atmosfera de harmonia envolve a todas as pessoas neste final de ano, supostamente. E isso se repete em toda véspera de Natal. É como se a data em si mesma possuísse algum poder mágico, um poder capaz de transformar as pessoas, reconciliar os conflitos, e fazer crescer o amor e a paz nos corações.

Só que tudo isso fica muito sem sentido quando somos pessoas adultas e de bom senso, quando temos a total noção de que datas de per si não contém nenhum poder sobrenatural capaz de gerar qualquer transformação na vida dos seres humanos. O que realmente pode tocar nossas vidas é o significado que damos a determinadas épocas, festividades e comemorações.

A suposta magia do Natal, de forma sutil, substitui o motivo primeiro pelo qual se deveria comemorar esta data: o nascimento de Jesus. Bem, é claro que todos temos o bom entendimento de que, provavelmente, Jesus não tenha nascido em dezembro, e nem há uma instrução bíblica para que comemoremos este fato em apenas (e especialmente) determinada época do ano.

Conquanto isso tudo seja verdade, já que existe uma data na qual a sua essência deveria ser a comemoração do nascimento de Jesus, então esforcemos-nos nós, os cristãos, a fim de que resgatemos o verdadeiro sentido do Natal.

Se a idéia é o resgate do significado e das tradições do Natal, penso ser oportuno dizer que o Natal é muito mais que festas, harmonia entre os homens, presentes, e até mesmo muito mais que o nascimento de um pobre menino acolhido em uma manjedoura; no Natal temos a oportunidade de refletir e anunciar aos outros bem mais que isso tudo. Temos a oportunidade de dizer que o menino acolhido na manjedoura era o próprio Deus. Pois acerca dele já estava escrito: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco.”[1]

Paulo, em carta dirigida à igreja de Coríntios, fala de forma clara que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.” [2]

A encarnação do próprio Deus para sofrer e resgatar o mundo de seus pecados, essa deve ser a nossa principal mensagem no Natal. A mensagem de que Deus se mostrou interessado em nossas mazelas ao ponto de se fazer homem e viver entre nós, provar das mesmas dificuldades que provamos no correr de nossas vidas e até mesmo morrer morte de cruz.

João diz que Deus não havia sido visto por ninguém, mas que em Jesus ele se fez revelar[3]. Isto é, como já fora dito por alguém, em Jesus vemos Deus como ele é, e o homem como este deve ser. Ora, não é difícil de entender, Deus se revelou a nós em amor e plenitude de graça, apresentou-se a nós e convidou-nos a ser como Ele.

Sim, a mensagem do Natal comporta diversos significados, e um, dentre os muitos destes significados, é este: há um convite para sermos parecidos com Deus, e sendo mais parecidos com Deus, nos tornaremos mais humanos.
A encarnação de Deus na história humana deu-nos uma lição de humildade, simplicidade, abnegação, sacrifício e amor total. A mensagem que pode ser anunciada no Natal deve estar cravada em nossos corações – lugar em que todos os dias deve ser Natal. E esta mensagem é também um convite a nos humanizarmos sendo como Deus. Paradoxal? Sim, claro, mas é assim que é. Quanto mais parecidos com Jesus, mais humanos nos tornamos, e mais divinos seremos também, visto que o convite da encarnação é para que sejamos semelhantes a Ele.

Nesta sociedade pós-cristã, na qual os valores tradicionais estão sendo dilapidados, somos possuidores da mensagem da reconciliação, e não devemos ocultá-la, fazendo dela somente nossa, e também não devemos permitir que ela seja abafada em meio a tantos e tantos artifícios criados pela indústria natalina a fim de que nos entretemos com as festas de fim de ano.

Crendo nisso, vivamos o Natal, anunciemos as boas notícias da encarnação de Deus em seu Filho, preguemos a salvação que há em Jesus e o perdão dispensado a nós pelo sacrifício Dele na cruz do calvário. E não esqueçamos: a mensagem do Natal é o convite para sermos semelhantes a Deus, e, por conseguinte, um convite a nos tornarmos mais humanos!

Feliz Natal!
Feliz Emanuel!
Feliz Deus conosco!
Feliz comemoração da encarnação de Deus!

___________________________

1- Mateus 1. 23
2-II Corintios 5. 19
3- João 1. 18

Outros rabiscos:

- O Natal e a Revelação aos Marginais da Religião

- Natal: uma linda poesia!

3 comentários:

Roger disse...

Caro irmão Beto*,

Primeiro quero desejar a você e sua família um feliz Natal!
Parabéns também pela sua formatura.
Como posso ler no seu texto continuamos afinado.
O que você escreve aqui comunga e muito com o que postei na Ultimato Online:
O natal e sua dimensão política.
Ou seja, a perspectiva da encarnação, do Emanuel, nos assombra pois nos leva a sermos homens em sua plenitude espiritual, individual e social. Com todas as suas inevitáveis conseqüências.

Um forte abraço,

Rogério
P.S. *não confundir irmão Beto com Frei Beto!!

Érica disse...

Oi Humberto,
sua postagem foi a que mais identifiquei com o que ando indagando sobre o Natal.
O que mais ouvi hoje é que Natal é época de perdoar,amar,esquecer problemas...até parece.
Que realmente vivamos o sentido do Natal como nossa religação a Deus através de Jesus.Este que se propôs a vir a este mundo e demonstrar o quanto Deus nos ama.

Abraços e feliz Natal!!!

Humberto Ramos disse...

Olá, queridos, sou grato pela visita aqui!

Deus seja com todos!

Feliz Natal do Deus-sempre-conosco!

Related Posts with Thumbnails