12.12.07

Meras repetições (?)

Com raríssimas exceções, quase que toda a totalidade de nossas reflexões, ensaios e toda a diversidade de produção literária é marcada pela ausência de novidade. Escassas são as palavras que nos atingem a ponto de trazer-nos perplexidade. Talvez ela – a perplexidade – seja a nossa companheira constante durante os primeiros anos de nossas reflexões e ponderações. Mas logo desaparece, é solapada pelo senso de que a civilização já contém um rol extenso de grandes homens e mulheres que se puseram a analisar toda uma gama de problemas desta vida, e que já foram tratados com certa exaustão, com raras exceções contrárias a isso.

Penso eu em escrever sobre a dor, e me pergunto: porventura, quem já não o fez? E quanto à tristeza, o que temos à disposição? Que diríamos, então, sobre o tema do sentido da vida? Ou da busca do homem pela transcendência?...

Não fosse a medicina com suas constantes descobertas e os ramos da tecnologia em constante evolução, só contaríamos com tentativas repetitivas de dar respostas às contínuas questões da vida humana.

Ainda assim, teimamos em manter este ciclo de tentativas repetitivas. Não desistimos de pensar e tornar conhecidos os nossos pensamentos, nossas investigações.

Cito a mim mesmo como exemplo: que faço eu agora, senão uma entrega deleitosa e cansativa à discussão do sentido pelo qual mantemo-nos a trabalhar em cima de temas já trabalhados.

Ora, penso que isso se dá pela consciência que temos da individualidade do ser. O fato de sermos indivíduos implica que temos visões, gostos, percepções e uma vasta quantidade de sentidos diferentes em relação às mesmas coisas.

De forma que meu poema sobre as delícias de uma confeitaria possui sabor distinto ao dos poemas tratantes da mesma coisa escritos por outros escritores.

A visão que tenho da vida ocorrendo no sítio de minha bisavó é consideravelmente diferente da percepção que minha irmã do meio possui acerca da mesma coisa.

A partir desta linha de raciocínio, podemos admitir que haja certo grau de novidade em tudo o que transmitimos quando em comunicação com os outros. É esta a certeza, consciente ou não, que impulsiona a cada um de nós a se debruçar ante determinados temas e tecer críticas, observações ou simplesmente descrever o que podemos ver.

3 comentários:

Fraternus disse...

Oi Humberto,

Sem dúvida essa individualidade da sentido a tudo. Afinal a Igreja é um indivíduo ou uma comunidade? E como os indivíduos se comunicam mais intensamente se não através das palavras?

Sem comunicação, ainda que tanta vezes repetitivas, a coisa se desmoronaria.

Um profeta seria um inconformado com a pecaminosidade do povo de Deus? Ou alguém que diz "tá tudo beleza"?

Se não há profecia o povo padece. Se o profeta se cala parece que ele consente... Claro que o silêncio tem sua hora e lugar. Aliás a alguns seria melhor nunca terem aberto a boca. Mas a outros o calar é pecado, pois sabendo fazer o bem não o fazem.

Considerando-o superior a mim mesmo, afirmo que você tem um dom para escrever tanto por escolher bons conteúdos e saber expressá-los na forma adequada.

Yancey um excelente jornalista e escritor evangélico é também um inconformado que cativa e nos desafia, apontando esperança para a cristandade.

Alguém já leu o livro de Yancey chamado "Church: why Bother?"

Aí vai uma amostra do que ele escreveu sabiamente (extraído de A vergonha do evangelho e do marketing):

“como esquecemos tão facilmente, que a igreja cristã foi a primeira instituição na história que ajuntou judeus e não judeus, homens e mulheres, escravos e livres sob o mesmo teto”.

Ele também alerta para o engano que é procurarmos uma igreja onde tudo é de acordo com nosso figurino, nossas idéias, nosso nível educacional, nossos “background” bíblico, e nosso gosto no que diz respeito à liturgia e louvor.

Só mesmo através de muita troca de idéias para se processar todas essas diferenças e mantermos a chama viva e continuarmos unidos em amor e graça.

Parabéns pelo texto e obrigado por nos presentear com essa novidade!

Saudações do seu amigo,

Roger

Humberto Ramos disse...

Meu caro, eu é que sou grato pelo seu comentário e presença constante no meu humilde blog.

Obrigado também pelas palavras, embora eu discorde de sua opinião quando diz "Considerando-o superior a mim mesmo..." - não tenho tal pensamento, sendo que somos indivíduos e cada indivíduo possui peculiaridades intrínsecas, o que faz de todos nós diferentes e, ao mesmo tempo, semelhantemente valiosos.

Mas eu sei como são essas coisas: eu mesmo penso que a Jacque, minha namorada, escreve bem melhor do que eu, embora ela mesma resista a este meu comentário.

Bem, o mais importante é que cada um tem o seu jeitinho de fazer as coisas, o que nos torna únicos.

Abraços fraternos.

Fraternus disse...

Não estou falando... olha como você se saiu bem em sua resposta!

Vi também sua Confissão nas Cartas da Ultimato e achei super inteligente!

É isso aí! Parabéns! Estou também orgulhoso por tê-lo com a gente lá na cidadania cristã!

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