11.3.08

Cristianismo "não-integral"

Quanto ao cristianismo das sociedades industriais, principalmente o dos intelecutais, há muito tempo que se perdeu os valores cósmicos que possuía ainda na Idade Média. Isso não implica necessariamente que o cristianismo urbano seja “degradado” ou “inferior”, mas apenas que a sensibilidade religiosa das populações urbanas encontra-se gravemente empobrecida. A liturgia cósmica, o mistério da participação na Natureza no drama cristológico tornaram-se inacessíveis aos cristãos que vivem numa cidade moderna. Sua experiência religiosa já não é “aberta” para o Cosmos; é uma experiência estritamente privada. A salvação é um problema que diz respeito ao homem e seu Deus; no melhor dos casos, o homem reconhece-se responsável não somente diante de Deus, mas também diante da História. Mas nestas relações homem-Deus-História o Cosmos não tem nenhum lugar. O que permite supor que, mesmo para um cristão autêntico, o Mundo criado já não é sentido como obra de Deus.

Mircea Eliade em O Sagrado e o Profano, p. 145 (Martins Fontes).

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