8.3.08

Diante da Graça ficamos todos nus

Já disse o Ariovaldo Ramos que a Graça é uma disposição no coração de Deus em nosso favor; não é uma pessoa, não é um poder autônomo desvencilhado das outras características de Deus...

Já se imaginou nu diante de muitas pessoas? Consegue sentir a tamanha timidez e falta de segurança que isto poderia causar a qualquer pessoa de bom senso, a qualquer ser humano mediano? Bem, é mais ou menos isso que a Graça gera na gente quando passamos a compreendê-la um pouco melhor.

Não ter condição alguma de pagar o favor de Deus, não dispor de nenhuma artimanha nem ter carta alguma na manga a fim de poder tratar de igual pra igual, estar desprovido de qualquer corrimão quando da subida que conduz ao trono celeste, é assim que podemos nos sentir ao receber da Graça de Deus.

A nudez total revela nossa incapacidade de alcançar o dom eterno por conta própria. E por estarmos nus, não podemos nem blefar, não há aparências nem máscaras, não há onde esconder nossas mazelas, só há a nudez pessoal, impotente; e nos encontramos frágeis como bebês diante do poder de Deus.

Não há o que fazer, nosso poder de compra não tem valor algum diante do Eterno, e isso traz um tipo de insegurança maravilhosa; dá medo no início... a vontade de pagar pelas bênçãos é quase incontrolável, mas daqui a pouco passamos a entender que para adentrarmos no Reino necessitamos de abrir mão do “poder” de compra, inútil para este tipo de bem! No Reino só recebe quem pede, todo favor é inegociável!

Só pode desfrutar verdadeiramente da Graça quem já se desnudou de suas seguranças, só pode desfrutar verdadeiramente a Graça quem abandonou as velhas vestes do mérito pessoal e se apossou das vestes do amor. Somente quem já não necessita se defender, se justificar, pagar, comprar, barganhar...

Quer provar da Graça?... Então, o que está esperando? É só se desnudar!...

Um comentário:

Roger disse...

Grande Beto,

interessantíssima associação entre graça e nudez. Especialmente pra mim nesses dias.

Vivi essa metáfora na prática domingo passado.

Depois de 10 anos na Europa, já quase acostumado com o povo aqui nadar nu nas praias e tomar banho de sol sem roupa no parques e trocar de roupa na maior naturalidade em frente aos outros, me vi pego pela cultura do corpo livre em uma sauna pública de Munique.

Claro que como bom mineirim só eu estava de bermuda no meio do povo a lá Adão e Eva.

A 500 anos atrás o europeu é quem encontrava a gente no natural... Agora o jogo inverteu.

Mas depois ficou empatado quando a funcionária da sauna chegou para me repreender: "Não é permitido trajes de banho!"

Me lembrei de uma matéria da Bráulia Ribeiro no meio dos índios, foi o meu consolo.

Abrçs,

Roger

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