19.3.08

Pecado é não ser humano

Em seu poema Liberdade, Carlos Drummond de Andrade diagnosticou sabiamente:

O pássaro é livre
na prisão do ar.
O espírito é livre
na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.

O pássaro é livre para ser pássaro; não pode um pardal mergulhar em alto mar e se dar bem – não é livre para ser um peixe. O espírito, por sua vez, é livre para ser espírito, e está condicionado a um corpo. Em outras palavras, cada coisa nesta vida é livre apenas para ser aquilo que na verdade é – cada ser tem a permissão divina para ser o que é em sua essência.

De forma que podemos concluir que, enquanto humanos, somos livres para ser plenamente humanos, totalmente livres para desfrutar de nossa humanidade. Não obstante, há que se ter cautela nisso: todo aquele comportamento que fere nossa humanidade – “des-humanizando-nos” – escraviza-nos em uma condição não-humana. Qualquer que seja, não será esta escravidão adequada à escravidão a qual estamos destinados.

Destinados estamos a ser humanos, essa é nossa escravidão, e nossa liberdade também. O que passar disso será a livre escolha de se deixar escravizar por outra condição qualquer menos elevada.

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