4.4.08

Espiritualidade Integral: uma visão holística

Ao tratarmos o tema da espiritualidade, logo vem à mente a idéia de cuidar da alma, das coisas do espírito, vasculhar e dar atenção especial à recônditos inexplorados do nosso ser. Essa é uma visão correta, mas não completa do tema sobre espiritualidade. Infelizmente, possuímos uma visão dicotômica da nossa vida. Separamos as coisas espirituais das coisas que consideramos materiais, seculares e mundanas; dedicamos-nos a algumas atividades concebendo-as como espirituais e outras como terrenas; determinados ofícios são elevados; já outros, baixos, inferiores, desprovidos de características sublimes e espirituais.

Essa forma de ver a vida pode e deve ser modificada. Nossa espiritualidade não deve se restringir aos templos, reuniões específicas e disciplinas espirituais, como meditações, jejuns e orações. Conquanto sejamos complexos ao ponto de possuirmos e vivenciarmos nossas experiências diárias em distintas dimensões – biológica, psicológica, sociológica e espiritual –, qualquer um que se dedique a uma reflexão mais apurada acerca do ser humano verá que problemas relacionados com qualquer desses aspectos de nossa vida irão refletir em alguns senão em todos os outros aspectos.

É por isso que urge desenvolvermos uma visão holística do que vem a ser cuidar de nossa espiritualidade. Possuir tal visão significa enxergar o ser humano e suas experiências respeitando sua integralidade, ou seja, o homem como um todo e as suas experiências de acordo com as circunstâncias. Esse caminho despreza as corriqueiras dicotomias elaboradas pela sociedade ocidental. Considera importantes para a saúde integral do indivíduo todos os pontos que se apresentem como relevantes, entendendo que a saúde espiritual nada mais é do que a saúde total do ser.

Para tanto, o bem-estar físico não é apenas conseqüência do bem-estar emocional – ou vice-versa. Um é parte integrante do outro. Não apenas isso, uma espiritualidade desse tipo revela-se como o caminho pelo qual o homem pode experimentar a experiência do sagrado nas mínimas coisas, desde o comer um prato saboroso de macarronada ao descanso merecido após alguns minutos de treino em uma academia de musculação ou ginástica; uma caminhada, uma atividade profissional, um encontro com o grupo de oração, um culto e um período de louvor podem ser explorados sutilmente de forma que se tornem, ambos, fontes de alimento para o nosso ser em todos as suas nuances.

É isso! Se quisermos, todos nós podemos nos aventurar pelo caminho da espiritualidade integral. Todas as vezes em que tratarmos do tema aqui, embora seja provável eu utilizar fontes de conhecimento alheias à fé cristã, terei como fundamento para a reflexão a espiritualidade da tradição judaico-cristã, com ênfase especial nas propostas contidas no Evangelho.

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