17.5.08

Marina, nossa irmã de fé

Diante da crise ética que nos obscura as vistas nos privando de enxergar bons exemplos, inda mais na política, Marina Silva surge como luz no fim do túnel. Como portadora do condão mágico da esperança de que ainda é possível ser gente honesta neste país. Claro, não é este um caminho fácil, tem lá suas conseqüências: nossa querida Senadora não suportou tamanha pressão e falta de vontade para com seu trabalho.

Contudo, longe de ter perdido a guerra, parece-me que a nossa Senadora acaba por ganhar mais força, e quem sabe mais aliados. Sua figura hoje é símbolo da defesa do meio ambiente, da Amazônia em especial, tornou-se emblema de transparência, honestidade e carácter ilibado. Não pare, Marina!

Por me faltarem as palavras, transcrevo aqui as belas palavras de Ricardo Gondim no seu texto Marina, minha irmã de fé.

Já fazia algum tempo que não sentia simultaneamente orgulho e tristeza pela postura de algum evangélico. Refiro-me à demissão da ex-ministra Marina Silva.

Eu a conheci pessoalmente em um evento sobre fé e justiça onde partilhamos nossas idéias. Mas fora os abraços formais de despedida, nunca mais tive qualquer contato com a senadora.

Guardo, porém, uma admiração profunda por esta mulher. Para mim, Marina Silva faz parte do seleto panteão das pessoas extraordinárias. Sua conduta e testemunho de vida no Ministério não foram apenas impecáveis, mas inspiradores. Marina foi um Davi que nunca se acovardou diante de inúmeros Golias. Ela enfrentou a volúpia dos encastelados no poder, a gula desenfreada dos latifundiários da Amazônia, o rolo compressor dos cartéis internacionais e a irresponsabilidade de tecnocratas míopes, que só analisam gráficos. No Ceará, dizemos que gente assim é “madeira de lei”.

No “Painel do Leitor” da Folha de São Paulo de 16 de maio de 2008, Stalmir Vieira escreveu sobre a demissão de Marina: “No mundo encantado do poder, ocupado por ex-subversivos e ex-torturados, hoje bochechudos, rosados e de cabelos bem arranjados, o único papel que caberia a uma mulatinha magrinha, que jamais aceitou abandonar suas origens, seria o de servente. Ela não topou”.

Não penso só em Marina Silva quando lamento a sua demissão, mas nos rios, nos santuários ecológicos que se degradarão, nos mognos contrabandeados. Estou triste pela chuva ácida, pelos plásticos boiando, pelos aeroportos interditados com fumaça. O governo preferiu perder uma cabocla para prestigiar um “drag-queen cultural”. O acadêmico que vai tocar o PAS (Plano Amazônia Sustentável) veio do Norte, não sabe a diferença entre um papagaio e uma arara, e fala com sotaque de gringo – parece um missionário que faltou às aulas de português. Marina Silva nunca desaprendeu os regionalismos. No dia em que sentei do seu lado, não me senti perto de uma ministra, mas de uma nortista cheia de brios.

O empobrecimento ético dos evangélicos é notório e Marina Silva destoa. Portanto, quando não der para sentir orgulho dos crentes brasileiros, nos inspiremos em nossa irmã.

3 comentários:

Roger disse...

Com certeza a Marina Silva via brilhar mais ainda.

Ele é mesmo um consolo para nós que carregamos o rótulo de evangélicos.

Volney Faustini disse...

Com certeza é um novo capítulo em sua biografia, e mesmo a parte do processo decisório (dava mais visibilidade que autonomia), é certo que ainda teremos muito a ler em sua vida.

Valeu Marina - orgulho de ser seu irmão!!

Humberto Ramos disse...

Sábias ponderações, Roger e Faustine, Santos da última hora!

Abraços!

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