9.5.08

Seguir Jesus

Cresci em ambiente religioso, batizado na Igreja Católica, mais tarde fui rebatizado em uma igreja evangélica pentecostal. No ambiente da religião, desde muito cedo aprendi que o que me diferenciaria por ser um seguidor de Jesus seria aquilo que eu não fazia. Mais claramente, eu assumiria características cristãs desde que eu me abdicasse de uma série de coisas – não fumar, não beber, não ver pornografia, não fazer sexo, não isso e não aquilo.

Conquanto alguns dos “nãos” tenham um sentido de ser, esse é o tipo de espiritualidade que eu chamo de negativista. E é exatamente esta forma de ver a fé cristã que tem gerado um enorme grupo de pessoas que se definem pelo que não são, talvez nem mesmo sabendo quem são na verdade. Sabem, sim, que não são mais bêbados, fumantes, fornicadores e outras coisas... Mas quem eles são hoje?

No decorrer da caminhada, passei a ter outros mentores. Sem desprezar o que os primeiros me transmitiram de bom, rejeitei aquilo que não considero mais. Comecei a suspeitar que seguir Jesus não é caracterizado por coisas que não faço ou por aquilo que eu deixei de ser, mas sim por aquilo que agora eu faço e por aquilo que hoje sou. Óbvio que se hoje sou alguém distinto do que fui ontem, isso é devido a uma mudança de padrões e condutas. Não obstante, isso está mais relacionado com o que eu decidi me tornar do que com o que eu deixei de ser.

Uma espiritualidade positivista, é isso que precisamos! Muitas pessoas têm imensa dificuldade de compreender os cristãos justamente por causa da imensa lista de regras que se lhe apresentam logo de cara. É como se disséssemos: “Se você quer entrar na festa, os trajes são estes”.

Não são os trajes que mudam, mas sim o interior. Não são as regras que nos levam a viver bem com Deus e com o próximo. É na verdade o amor de Deus em nós que nos torna outras pessoas, e daí vivenciamos as circunstâncias de forma distinta, nem mesmo encaramos nossas condutas como reflexos de regras, mas como as melhores coisas a serem feitas.

A diferença é simples: se antes eu era um viciado, hoje posso ser um homem equilibrado, livre para dizer “sim” ou “não” àquilo que me viciava; se antes eu era um escravo do sexo, hoje sou livre para escolher como vou aproveitar minha sexualidade; se antes eu não perdoava, hoje perdôo; se antes eu corrompia, hoje eu procuro a justiça. E mais do que isso: hoje eu tenho a condição de ir de encontro ao meu próximo a fim de lhe fazer o bem, de lutar em prol do oprimido, de me esforçar pela paz e pela transformação da vida humana.

Deixar de praticar isso ou aquilo para dizer que sou seguidor de Jesus não é sinal de que realmente o sou. Há muitas pessoas que abandonaram uma série de coisas, mudaram suas aparências exteriores, deixaram os vícios, se tornaram bem apresentáveis à sociedade e ao meio religioso, mas não fazem a menor diferença para a sociedade em que estão inseridas – como tempero insosso, não são sentidas. Não é essa espiritualidade que Jesus espera de nós...

Jesus sempre foi positivo em seus ensinamentos. Enquanto a sabedoria talmúdica, expressa nas palavras do sábio rabino Hillel, diz: “aquilo que você odeia, não faça ao teu semelhante, esta é toda a Torah...”, Jesus diz: “Faça ao teu próximo aquilo que você deseja que ele lhe faça”.

Caminhar com Jesus é estar além, é ser bom e viver uma vida equilibrada, sem excessos, é ser saudável não pelo medo de punição divina, não para satisfazer regrinhas religiosas, mas pelo entendimento de que com Cristo seguimos a Lei do Amor. Seguir Jesus é ter a certeza de que tudo o que não somos é resultado daquilo que nos tornamos: amigos de Deus!

7 comentários:

Lissânder disse...

Texto muito bom, amigo!
Esse é tipo de espiritualidade que faz diferença.
Abraço!

Humberto Ramos disse...

Obrigado pela visita, meu caro! Você é sempre bem-vindo aqui.

É, espero pôr em prática este tipo de espiritualidade.

Abraços fraternos.

David Nogueira disse...

Caro Humberto, esses são os passos que tenho trilhado, amigo. Depois de descobrir certas coisas pela graça de Deus, temos mais e mais certeza da loucura na qual este mundo está acorrentado. Precisamos de mais vozes, mas principalmente de mais vidas que façam a diferença.
Abraços

Anônimo disse...

Humberto, seu primeiro link de Bacia das Almas está trocado. Vai para deposito do calvin. Espero ter ajudado.

Roger disse...

Beto,

valeu a pena eu esperar para ler com calma e me deliciar nesse seu tratado à graça.

Infelizmente vai demorar mais alguns anos para nos livrarmos como cristandade desse ranço de legalismo advindo do puritanismo e revigorado pela direita americana.

Enfim continue erguendo sua voz,

Um abração camarada,

Roger

Anônimo disse...

amor, sempre me delicio com seus textos, pois percebo e saúde da sua espiritualidade.

Que Deus nos ajude a ser o que fomos chamados para ser!

Jacque.

Humberto Ramos disse...

Ter sua aprovação nas coisas mais importantes da minha vida só me dá satisfação.

Sou privilegiado por poder caminhar contigo!

Beijos, amoreca!

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