17.7.08

Quem poderá nos defender?

Consternação, raiva e medo é o que temos sentido ao receber as notícias pelos jornais. Há quase um ano e meio, toda a nação se chocou com ação de bandidos no Rio de Janeiro que culminou na morte cruel do menino João Hélio. Assistindo os noticiários nas últimas semanas, ficamos perplexos pela morte de mais um inocente – outra criança. Desta vez o menino João Roberto é que foi vítima da violência estúpida que tem afligido nosso povo.

Contudo, há uma grande diferença entre os dois casos. A primeira fora provocada por bandidos, a segunda fora resultado de uma desastrosa ação policial. As autoridades do Estado do Rio se manifestaram afirmando a ocasionalidade do fato. Asseveram que o comportamento dos policias em questão foi um fato isolado.

Poucos dias se passaram desde o ocorrido, e novamente somos surpreendidos por uma outra ação policial que terminou na morte de um refém. As imagens gravadas por uma emissora de televisão flagraram os policiais manejando os corpos baleados (mesmo o do refém) como carnes de frigorífico. Cena lamentável!

Não somos ignorantes o bastante para acreditar que estes casos são isolados. Não faz muito tempo soldados do Exército que ocupavam uma favela entregaram três jovens a um grupo de bandidos – eles foram exterminados. O que é raro, na verdade, sãos os vídeos dos flagrantes, raro mesmo é chegar ao público as notícias de cada caso ocorrido nos cantos escondidos deste Brasil. E estas agora chegaram...

Desligamos a televisão e ficamos com a sensação de que poderia ser um de nós, um dos nossos parentes ou amigos. Ninguém está a salvo, não há garantia de segurança. Aqueles que deveriam nos garantir segurança e paz são os que nos aviltam.

Até mesmo os criminosos possuem direitos. Até mesmo aos mais perversos devem ser resguardadas a integridade física e moral. O que estes policiais fazem com a vida humana não se faz nem com animais...

No ano em que a comunidade internacional comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Brasil parece estar bem longe do que é ser uma sociedade que respeita o ser humano como um ser intrinsecamente digno de respeito.

Estamos atônitos!

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