10.10.08

Os faladores do púlpito

É sempre assim que acontece: os líderes da igreja percebem que determinado irmãozinho é bom com as palavras, não se envergonha quando fala em público e tem certa ousadia para defender suas idéias com vivacidade; daí rapidamente o elegem como candidato ao ministério pastoral.

Traduzindo tudo isso em poucas palavras, basta ser falante para ser tachado de “futuro pastor”. Conhecimento bíblico... talvez esse item já não seja tão relevante.

Esse tem sido um dos principais motivos pelos quais a Igreja tem falhado na sua tarefa discipulado. Pastores que não são pastores não capacitam membros para pastorear; pior ainda, esses membros nem são pastoreados pelos supostos pastores – o que os torna não somente incapazes de pastorear os irmãos mais novos na fé, mas também faz deles pessoas fragilizadas, carentes de afeto e comunhão, cristãos raquíticos em sua espiritualidade, seres humanos que não caminham rumo à maturidade do ser.

A verdade é que grande parte dos pastores que conhecemos não são pastores; são apenas faladores. Não que não possuam talentos e nem dons espirituais; mas que, dentre todos os talentos e dons que possuem, justamente o dom pastoral é o que lhes falta. São tudo, menos pastores – no sentido mais essencial da palavra.

Alguns podem até realmente ser vocacionados ao ministério pastoral, mas devido a essa tradição de formação de faladores do púlpito, estes não aprenderam a desenvolver seu dom; seus mestres não lhes ofereceram direcionamento espiritual adequado à sua vocação.

A ironia é curiosa. O termo pastor advem da figura prosaica do antigo ofício de pastor de ovelhas. Ora, onde está a ironia? É simples, para se exercer tal ofício a palavra é bem menos importante que o olhar atencioso, o cuidado diligente, coragem amorosa e a sabedoria nascida da própria experiência pastoral, para se encontrar os melhores pastos e preservar a saúde e bem estar das pequenas ovelhas.

Os pastores de hoje já não tem como paradigma esta figura. Sua prática ministerial está longe de se assemelhar à de um campesino pastor de ovelhas. Talvez a figura de um animador de TV ou a de um tele-vendedor lhes sejam mais inspiradoras. Com certeza, em termos de analogia, são as mais apropriadas para uma boa comparação a respeito da prática pastoral nas igrejas.

“Eu sou o bom pastor; e o bom pastor dá a vida pelas ovelhas”.
Jesus de Nazaré

Leia também: Os pastores e padres do Orkut e MSN

3 comentários:

Roger disse...

nem me fala Belo... isso me dá uma preguiça...

Bia disse...

hehehee... nem perco meu tempo com programas religiosos na TV

Humberto Ramos disse...

Olá, Bia!

Que bom que não perde tempo com essas "coisas". Sua alma agradece!

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