24.1.09

Uma doce canção

Tenho assistido na televisão alguns homens dizendo que se comparecermos a determinados locais, em determinado horário, para participar de certas reuniões, seremos abençoados.

E há também algumas coisas a serem feitas: levar para casa alguns objetos (tipo amuletos), tocar em mantos vermelhos, doar dinheiro. Tudo indica que só assim é que alguém poderá ter algum contato com Deus.

E multidões atendem ao apelo. Estão sedentas. Querem bênçãos (curas, prosperidade, libertação de vícios), relacionamento com Deus, um sentido para a vida, esperança, enfim, mudança de vida. E eu ficaria imensamente feliz se estes homens estivessem falando a coisa certa. Só que não estão!

A coisa não funciona bem assim. Jesus nos dá uma boa idéia de como realmente deve ser. Ao conversar com uma mulher samaritana enquanto ela tirava água de um poço, ela lhe questionara acerca do lugar legítimo onde se deveria prestar culto a Deus. Ora, havia profunda desavença entre judeus e samaritanos. O que provocou a existência de dois tipos de culto ao Deus de Abraão ; e também dois lugares considerados sagrados, onde – e somente onde – seria válida qualquer adoração. Os judeus cultuavam no templo de Jerusalém; já os samaritanos, no Monte Gerezim, em Samaria. Ambos achavam estar certos quanto ao local de culto, excluindo assim a outra opção.

Sobre tal questão, Jesus diz basicamente que havia chegado o tempo em que nem no monte dos samaritanos nem em Jerusalém se adoraria ao Pai, e que a verdadeira adoração seria a que saísse do coração, em sinceridade. Uma adoração que resultasse do relacionamento do adorador com o ser adorado (JO 4. 20-24).

Em Jesus, e a partir de sua obra consumada, o templo (lugar sagrado), ritos de sacrifício, os simbolismos adquiridos pelo povo hebreu já não fazia mais sentido prático, senão sombras daquilo que iria de vir.

Deus não habita templos feitos pelos homens, habita seu coração pela ação do Espírito Santo; ritos de sacrifícios não mais são necessários, visto que o sacrifício de Cristo na cruz é absolutamente eficaz; e não há mais que venerar símbolos da religião, criados por homens, nem mesmo esperar pela intermediação de um sacerdote ou sumo-sacerdote – sendo que Jesus agora assume tal ministério ante os homens.

É por isso que a fala dos homens da televisão não faz menor sentido. E é por isso que todos podemos ser abençoados por Deus onde quer que estejamos. Sem a necessidade de dar nada em troca, a não ser nosso coração. Mais ainda, é oportuno dizer também que tais anúncios não procedem não apenas pela sua mensagem ultrapassada, mas também pelo fato de que Jesus não chama clientes, pacientes, ou mantém qualquer tipo de relacionamento de prestação de serviços – como tem sido falado na TV.

Jesus apenas diz: “você está cansado, oprimido, sobrecarregado? Vem e me segue. Vamos caminhar!” (MT 11. 28).

É por isso que muita gente, em muitos lugares em que se fala de Jesus, tem se sentido inconformada com seu estilo de vida, com as mensagens pregadas, com a vida dos que as pregam. É como se os instrumentos disponíveis a cada um estivessem sendo mal tocados. A melodia não cativa, não nos convida a dançar nem se entregar ao ritmo. A melodia é confusa e barulhenta. Algo está errado!

As boas notícias de Jesus soam ao nosso coração como boa música que nos leva a cantar e dançar, possui ritmo doce e suave, mesmo quando tocada com veemência. Quando a ouvimos, sabemos que esta é a canção que embalará nossa vida durante toda a vida, até os tempos eternos!

2 comentários:

Luis Carlos disse...

Oi Humberto
Gostei demais de sua reflexão. Realmente, parece haver uma total desconexão entre o que se prega e a verdadeira mensagem do Evangelho.

Que Cristo nos ajude a sermos mais parecidos com ele!
Abraços!

Humberto Ramos disse...

Caro Luis,

Isso mesmo. Que a gente se pareça mais com Ele, de forma que nossas palavras sejam as palavras d'Ele.

Fico feliz por ter passado aqui.

Abração!

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