19.2.09

Oração e autoflagelo

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve."
Mateus 11. 28

Sem a compreensão e aceitação da Graça de Deus, o ato de orar certamente descambaria em algum tipo de prática autoflagelatória. E é bem verdade que algumas pessoas o transformam nisso – possivelmente pela compreensão ofuscada do amor de Deus.

Quem procura a Deus em sinceridade e honestidade sabe bem o que é estar diante de um Ser tão Santo, sendo tão pecador e miserável. Não há quem se achegue a Ele e não passe a se entender mau e limitado. Sim, somos maus... nossas ações reincidem naquilo que é perverso.

Ora, basta trazer a memória alguns atos, alguns pecados, cometidos por nós que nem mesmo nós nos perdoamos. E quando nos perdoamos, é justamente pela falta de sentido de já ter sido perdoado pelo Senhor e a si mesmo não se perdoar.

Há vezes que desejamos apunhalar nosso corpo, infligir-lhe sofrimento e dor; outras não queremos nada além de nos chafurdar na lama da depressão e remorso, desejando castigar a nós mesmos para ver se no final encontramos algum alívio e a sensação de que quitamos uma dívida.

Tudo isso é inócuo. E é triste encontrar cristãos que, encarando sua natureza pecadora, e muitas vezes em ato sincero de alta devoção, se mutilam na esperança de que – pela dor auto-imposta – alcancem perdão e misericórdia.

É compreensível que tais coisas existam, mas não aceitável. É realmente difícil encarar a nós mesmos diante do espelho da alma. É decepcionante perceber o quão simuladores, fingidos, hipócritas e mesquinhos nós somos. Inda mais sendo nós tão severos ao julgar os outros.

Mas para isso há a Graça, a manifestação do Amor de Deus em seu filho Jesus. Ela é o remédio santo que nos livra da neurose da culpa, da aflição de querer pagar, da ânsia por autojustificação. Para tanto, é inadmissível se entregar a si mesmo como Juiz. Não temos o direito de sentenciar a nós mesmos... isso é a morte! É caminhar em inferno existencial.

O melhor mesmo é aceitar o convite de Cristo e segui-lo. Caminhar com Ele. Deixar ele nos curar e apontar a direção. E daí se levantar a cada tombo, descansar após as lutas, recobrar as energias e tentar de novo... e de novo... e de novo... e de novo! Inconformados com nossa realidade mortal, mas entregues à esperança vívida de transformação integral. Só assim teremos vida e vida em abundância.

Ninguém nos condene, nem mesmo nós! Pois n’Ele já não há mais nenhuma condenação!

Sugestão de leitura: Diante da Graça ficamos todos nus

3 comentários:

hapuc disse...

oi, seu Ivonne.


jejejej

Hace tiempo que no pasaba a saludarte, acá hay novedades de GBU...

bendiciones

João Marcos disse...

Rapaz, suas publicações tem edificado muito a minha vida, me identifico com seus questionamentos acerca da vida cristã. Um abraço, João.

Humberto Ramos disse...

Meu caro João Marcos,

Fico profundamente feliz que seja edificado com as leituras deste meu espaço. Deus é bendito e misericordioso para conosco, de forma a permitir que isso aconteça;sendo eu indigno de edificar quem quer que seja.

Forte abraço!

Graça e paz.

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