8.3.09

Poesia, uma necessidade da alma

Eu nem sempre gostei de poesia. Na verdade, houve um tempo em que a considerava coisa de quem não tinha o que fazer. Os devaneios dos poetas pareciam-me um punhado de baboseiras organizado segundo alguma estética literária escolhida pelo autor. Ledo engano!

Foi quando senti a necessidade de escrever que senti também a necessidade de ler poesia, meu reencontro com esta arte foi casual. Foi coisa corriqueira. Algo parecido com as histórias daquelas pessoas que se conhecem há anos, mas nunca se dão conta um do outro; um dia, de repente, como se fosse a primeira vez que se encontrassem, descobrem-se apaixonados.

Ora, e isso me foi uma graça de Deus. Parece até que foi a poesia que me encontrou, e não eu a ela. E como isso me fez bem... Libertou-me da prisão da não-expressão!

Agora que captulei-me aos seus encantos, percebo o grande erro da escola. Quando nela estive, poesia me era passada como obrigação. Algo do qual não se pode estar alheio devido ao vestibular, à necessidade de conhecimento da evolução do pensamento poético e das escolas mais importantes. Nada disso me encantou, muito menos sei discernir com clareza tais escolas e suas características principais.

Meu critério para a poesia é degustativo. Escolho poesia assim como escolho delícias da culinária. Assim, se a poesia mexe com os meus sentidos, eu a devoro. Aliás, se porventura um texto toca-me o corpo, faz-me arrepiar, traz-me as lágrimas mais profundas, a alegria ou a tristeza, nele eu sei que encontrei poesia.

É claro que não cheguei nessa cozinha sozinho. Assim como aprendemos a comer bem com pessoas sábias e habilitadas na arte da culinária, com a poesia fui aprendendo aos poucos com meus conterrâneos Rubem Alves, Adélia Prado e Drummond, também com o Quintana, quem fez questão de dizer que considerava uma prisão perpétua se amoldar aos traços de uma escola poética – preferia “cozinhar” livremente... Aí entendi que poesia é como oração, e conquanto a gente admire profundamente as orações alheias, por necessidade a gente se vê fazendo as nossas próprias, do nosso próprio jeito.

De forma que poesia não é obrigação, não. Assim como ninguém é obrigado a orar. Poesia é necessidade, necessidade da alma, é oração que sai do fundo de nosso ser... e se apresenta nas formas mais diversas.

Desejo de todo coração que as pessoas se entreguem mais à leitura de boa poesia. Pois, pense nisso, o homem (termo genérico) sem poesia faz-se superficial, chucro e, sem mesmo perceber, afoga-se na logicidade matemática imposta pelo cotidiano diário no qual os números imperam.

Não sem motivo Deus entregou-nos muita poesia nas Sagradas Escrituras ;e não só isso, Ele mesmo, tendo um filho que é Verbo, poetizou magistralmente ao arquitetar e construir esse nosso lindo universo, de forma que há poesia por toda parte. Revelou-se a nós como poeta... O poeta-mor.

Deus nos conceda uma vida profundamente poética. É o que desejo a mim e a ti, querido leitor!

3 comentários:

Roger disse...

Tá aí uma vereda na qual preciso me embrenhar com mais coragem.

Descanso da Alma disse...

Confesso que tinha medo de me enveredar pela poesia, mas hoje vejo que meu estado de contemplação a Deus é fruto dessa convivência com a poesia. Creio que poesia deve ser vivida, quando nos ocupamos em nos especializar na técnica, a poesia deixa de ser vida, para ser mera brincadeira com palavras.
O que me ajudou a arriscar nesse caminho foram, Rubem Alves, Chico Buarque, Toquinho, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Fernando Pessoa e uma releitura dos Salmos.

Humberto Ramos disse...

É, meu caro Thiago.

Concordo contigo. Poesia, embora seja também uma brincadeira com as palavras, é muito mais que isso! É vida, é saber viver a vida! É saber provar cada dia como se fosse o último dia!

Abraços!

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