23.3.09

Superficialidade

A superficialidade, deparo-me com ela cotidianamente. E lhes digo, ela reside na incapacidade de enxergar com a alma. Ora, é bem isso. Acredite, não há outra fonte de onde se origine tal mal. Nossa sociedade tecnológica entende bem de máquinas, de aparelhos cibernéticos, de computadores e virtualidade. Mas não sabe quase nada da alma humana... mal reconhece sua existência.

É por isso que vejo (você também vê?) um sem-número de pessoas clamando por afeto e cura interior, sem nunca encontrar. É por isso que filhos gritam silenciosamente diante de seus pais e não são ouvidos. Um mundo de doentes que ninguém enxerga. Uma majestosa sinfonia de gritos silenciosos permeia nosso viver.

Podem ser ouvidos pela observação dos gestos, das ações. Doenças que podem ser diagnosticadas pela sua própria somatização, manifestadas nas mais diversas formas de transtornos psíquicos e causadoras das depressões constantes, e também de males físicos inexplicáveis.

Perdeu-se o senso das coisas essenciais, sofre-se sem entender o porquê. Um mundo que rejeita a sabedoria e desdenha do conselho dos sábios.

Por isso dançam, enquanto seu coração se enluta... por isso cantam, desafinados para as canções da vida... por isso se beijam, se pegam, ficam, transam, sem nada provar de verdade. Visto que tal gosto não tem gosto. Visto que tudo deve ser repetido imensas vezes das formas mais intensas, com o maior número de pessoas possível a fim de que se satisfaça um desejo insaciável, que revela a ausência da capacidade de sentir prazer.

Esse é o nosso mundo... Um lugar tão doente que os sãos não são vistos de outra forma senão como leprosos...

Quem tem sabedoria e discernimento, que saiba ler e entender nosso tempo!

2 comentários:

Erika Bassi disse...

Humberto,
Não recordo bem como cheguei até o seu blog, estava navegando para tentar encontrar leituras substanciais e achei você.
Faço visitas diárias para buscar em suas palavras alguma tranquilidade, pois sim, suas palavras desde o inicio me transmitiam um estado de espírito calmo, respeitoso, espirituoso.
Quero agora expressar que concordo em número, gênero e grau. As pessoas não se importam mais com o interior, com a beleza que não se mede por status, por vestuário, por posição social. Àquela beleza da alma que preenche e consola todos os corações, àquela coisinha que sentimos quando somos verdadeiramente tocados e que não nos importa o nome...
Arrisco...todas elas procuram apenas o AMOR. Rotulam de tudo, mas, no fundo querem amar e serem amadas. Apenas e tão somente.
E, não se permitem VIVER o essencial e o simples.
Amar está dentro de cada um de nós. Pena que muitos descobrem apenas com a dor.
Um abraço!
Érika Bassi
(http://erikabassi.blogspot.com)

Humberto Ramos disse...

Oi, Érika!

É gratificante ler seu comentário. Desde que comecei a escrever neste espaço até hoje, sempre acreditei que valeria a pena compartilhar idéias, conteúdos e experiências da vida (visões).

A idéia de que alguém pode se beneficiar com algo que fizemos é maravilhosa, e também nos causa tremendo alívio. Afinal, que estamos fazendo dia a dia para contribuir com os outros, para que a vida de outras pessoas se torne melhor?

Eu sempre me beneficiei com a leitura de artigos, poemas e livros, e por isso mesmo sempre quis tentar contribuir de alguma forma através dela escrita; ainda que com muitas deficiências.

Seja sempre bem-vinda a este espaço.

Forte abraço! Deus te abençoe!

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