14.4.09

O nome de Deus


Não tomarás o nome de YHWH em vão, porque YHWH não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” Êxodo 20. 7

Corriqueiramente nos valemos de diversas expressões exclamativas de forma inconsciente, ocorrem sem que pensemos naquilo que estamos dizendo. Não raras vezes, essas expressões envolvem a Deus. Algo do tipo: “ó Deus!”, “Deus Santo”, “Meu Deus do céu”, “Valei-me Senhor”.

Muitas vezes me indaguei sobre a legitimidade de tais expressões envolvendo o “nome de Deus”. Na própria igreja me ensinaram que não se deve usar o seu nome em vão, e vez ou outra alguém suscita tal questão indagando se não estamos banalizando a palavra e o nome “Deus”.

Pois bem, é razoável indagar assim, contudo uma pergunta é pertinente: Qual é o nome de Deus? Como ele se chama realmente? Como ele se apresenta ou se apresentou quando se revelou a seus servos?

Ora, parece estranha tal pergunta. Não me admirarei se qualquer um se assustar ao ouvi-la ou lê-la, dizendo coisas do tipo “o nome de Deus é Deus!”. Ok. Só que ao ler a Bíblia, descobrimos que o nome de Deus não é Deus. Nem tampouco ele se apresentou a quem quer que seja dizendo: “Olá, meu nome é Deus, prazer em conhecê-lo”.

Cresci em lar protestante e nunca me ensinaram nada sobre isso, e foi com os judeus que aprendi aquilo que está tão claramente exposto nos textos bíblicos.

Quando Deus se apresentou a Moisés no monte Horebe, após incumbir a ele a tarefa de liderar o plano de salvação que tinha para seu povo, Ele é inquirido por Moisés sobre seu nome. E Deus lhe responde: “EU SOU O QUE SOU... Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou ” (Ex. 3. 13-14).

Curioso, o nome de Deus se assemelha mais a um verbo que a um pronome. Uma ação, uma declaração que nos leva, em primeiro momento, a dizer apenas que Ele é, e que ninguém mais é, senão Ele; nós apenas estamos sendo (só que essa é uma outra história que não vamos discutir aqui). Um nome que, sem dúvida alguma, revela muito acerca da natureza e caráter do Deus que adoramos e também do nosso relacionamento com Ele.

Para quem não sabe, grande parte dos textos do antigo testamento (inclusive o texto acima) foi escrito em hebraico antigo (chamado massorético); no qual não se usava vogais, portanto a expressão EU SOU era escrita assim na sua forma original: YHWH.

E agora, como fica a nossa interpretação do verso que nos adverte quanto a usar o nome de Deus em vão?...

Creio eu ser algo muito mais profundo do que não soltar indiscriminadamente aquelas expressões mencionadas no começo da nossa conversa. Aliás, vale comentar o caso dos judeus, e sua interpretação exagerada acerca da reverência necessária a tal nome.

Conta-se que em determinado período da história dos judeus, de tanta reverência acerca do nome de Deus, decidiram que não apenas não se deveria usar o nome do Senhor, mas também que este nome não deveria ser pronunciado. Alguns estudiosos do povo hebreu dizem que somente o sacerdote, no Yom Kippur (Dia da Expiação), é que pronunciava o nome de Deus no Santo dos Santos.

Daí hoje não se tem certeza da pronuncia real da palavra YHWH, traduzida por algumas bíblias como YAHWEH (Jeová e Javé, nas formas latinas). É por isso que na maioria das versões da bíblia encontramos a palavra SENHOR em letra maiúscula, ou mesmo a palavra ADONAI, também em maiúscula, isso porque os tradutores, seguindo a prática judaica, decidiram não escrever o nome de Deus, substituindo-o por SENHOR ou ADONAI (que significa Meu amo, ou Meu Senhor).

Os judeus às vezes exageram, os religiosos em geral exageram, e se perdem assim as essências das coisas, e daí surgem os problemas. Principalmente quando a essência em questão são os ensinos sobre Deus.

E tentando encontrar a essência do mandamento que diz não devermos usar o nome de Deus em vão, penso que ele se refere a dizer coisas sobre Deus que ele mesmo não endossou, ou ficar conjecturando – e dando importância exacerbada a essas conjecturas – sobre os mistérios envolvendo a pessoa de Deus, algo como a anatomia teológica praticada por alguns eruditos, ou mesmo a apelação abominável dos telepregadores com suas apelações verborrágicas que nada têm a ver com Deus, falando de um “deus” que se parece mais com uma divindade pagã do que com o Deus da Bíblia.

Outra coisa, a palavra vão no texto bíblico também pode ser lida como vazio. Usar o nome de Deus no vazio, quando não há menor sentido, como se não fizesse sentido, como se não falássemos de alguém que nos suscita reverência e respeito simplesmente por quem Ele é, enfim, como se ao falar de Deus desconsiderássemos que falamos daquele que criou a existência.

Se quisermos viajar mais um pouco neste assunto, com certeza não nos faltará terreno. Contudo, encerro por aqui a conversa finalizando com a interpretação que o pastor Ed René Kivitz deu ao terceiro mandamento:

Não tomarás o nome do teu Deus em vão.
Não dissociarás o nome da pessoa de Deus.
Não colocarás palavras na boca de Deus.
Não te esconderás atrás do nome de Deus.
Não usarás o nome de Deus para te justificares.
Não te relacionarás com uma idéia a respeito de Deus, senão com o próprio Deus.
Não semearás dúvidas respeito do caráter e da identidade de Deus.

3 comentários:

Jacque disse...

belo artigo! obrigada por trazer sempre às claras ensinos que por vezes estão debaixo do nosso nariz mas não conseguimos encergar.

Descanso da Alma disse...

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Magno disse...

Shalom,

O Nome Sagrado esta errado! A letra VAV foi trocada por um NUM final, sao parecidas mas sao totalmente diferentes. O VAV deveria ter o mesmo tamanho do HEY. De resto, parabens.

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