4.5.09

Não me orgulho de ser Cristão

Já tive orgulho de ser evangélico, já tive orgulho de ser pentecostal e de pertencer a determinada denominação protestante. Hoje me orgulho de pouquíssimas coisas, como ser palmeirense e mineiro.

Toda semana me encontro com gente que tem profundo orgulho de suas escolhas religiosas; quase sempre ouço pregadores exageradamente inchados por serem ministros desta ou daquela instituição.

Orgulhosos evangélicos, católicos, pentecostais, protestantes-históricos, reformados e por aí vai. Alguns muito mais que orgulhosos – arrogantes e presunçosos!

Desculpem-me os orgulhosos de plantão, mas acho esse tipo de orgulho tão relevante quanto ter orgulho de ser corinthiano ou santista.

Pasmem! Eu nem mesmo consigo ter orgulho de ser cristão. Parece blasfemo dizer isso, eu sei...

Esse tipo de sentimento – o orgulho religioso – é totalmente incompatível com o Evangelho de Jesus. Ele, que não era nem evangélico nem católico, e tampouco cristão, não deixou nenhum vestígio de ensinamento indicando que deveríamos nos jactar por sermos cristãos protestantes ou católicos ortodoxos. Muito pelo contrário...

Ser cristão é motivo de alegria, é motivo de gozo e agradecimento; pois nem mesmo somos dignos de sê-lo. Paulo, o apóstolo, disse que Ele nos amou estando nós ainda mortos em nossos pecados – isto é, se somos seus discípulos, é por pura graça e misericórdia de Deus. Afinal, foi Ele que nos escolheu!

Ter orgulho de ser cristão seria como vangloriar-nos por termos nascido, ou pelo fato de sermos humanos, ou sustentar qualquer glória por sermos brancos ou negros. Não escolhemos nenhuma dessas coisas.

Orgulhamo-nos de coisas pelas quais lutamos, por conquistas das quais fomos personagens ativos, por objetivos que despenderam esforços. Enfim, digno de orgulho é todo êxito advindo de méritos pessoais.

Não tenho mérito algum em caminhar com Jesus. A bem da verdade, não conseguimos ser cristãos genuínos se o Espírito Santo não nos capacitar; não recebemos este Espírito se Jesus não nos conceder; não seria Ele concedido se primeiramente não fôssemos convidados para fazer parte do Reino de Deus, e foi Jesus quem nos convidou enquanto estávamos à beira do Caminho.

Ora, quem porventura se diria orgulhoso por ganhar um valioso presente a respeito do qual tem certeza não ser merecedor?

Penso valer a pena refletir sobre isso. Inda mais quando, em pleno século XXI, pessoas ainda se digladiam por causa de religião.

E é por essa trilha que quero seguir, e fazer minha jornada tentando despir-me dos fúteis orgulhos que ainda me restam.

2 comentários:

Roger disse...

Hoje estava pensando justamente nisto. Como é odiosa essa coisa de orgulho espiritual, pieguismos, ufanismos e triunfalismo evangélico! Não. Não aguento mais!!!

Humberto Ramos disse...

Amigo,

É insuportável. Não aguento ler na net artigos dos "orgulhosos" se vangloriando porque sua "ala religiosa" tem crescido.

Fico me perguntando: E o Reino, Tem crescido?

Bem... é isso...

Prossigamos, anunciando o Reino, vivendo o Reino, despidos de qualquer orgulho, pois não somos nada, e o que somos não somos por nós mesmos -- mas o somos só por causa d'Ele!

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