10.8.09

Advertência

Para quem acredita em sinais, estes tempos tem sido indiscutivelmente significativos. O que temos visto e ouvido na mídia como sendo o anúncio do Evangelho, sem dúvida, não nos permite não nos posicionar.

A passividade não seria nada honrosa. Honroso é ter coragem para se posicionar, apresentar veementemente a nossa fé.

Contudo, alguns receios sobrevêm ao meu coração. Referem-se às posturas que podemos adotar diante das questões mais delicadas.

Primeiro, conquanto sejamos críticos de um sistema religioso que vem se mostrando pernicioso e mesquinho, alienador do ser humano e escravizador de das mentes, há que se cuidar para não dar vazão ao esfriamento do coração, à sequidão de alma e à desesperança.

Criticamos os mercenários da fé, denunciamos suas ações, mas amamos as pessoas que lá estão, fazendo parte deste processo de enganação, amamos até mesmo os agentes da mentira, sem contudo aceitar um só de seus ensinos.

É assim que deve ser... A ira é contra suas ações, seu espírito, sua mensagem maquiavélica, nunca contra a pessoa em si, nunca desejando a estes a danação. Embora, no entanto, sem deixar de anunciar o juízo (que também é redenção) vindouro prometido aos enganadores.

Segundo, receio profundamente que alguns, muito bem intencionados, acabem confusos na caminhada. Sabemos que “água mole, pedra dura; tanto bate até que fura”. E tenho visto isso na caminhada da vida cristã. Líderes sinceros, igrejas desejosas por viver os valores do Reino, entregando-se ao doutrinamento dos “detentores de novas visões” para a Igreja.

Lamentavelmente, algumas idéias nada cristãs adentram as melhores comunidades de fé principalmente quando os pastores, cansados já em sua batalha de anos a fio, colocam em cheque seu ministérios e práticas quando confrontados pelas propagandas dos “marketeiros” da religião mercantilista.

Assim, abrem espaço para a fé individualista do “Cristo” que salva o indivíduo apenas, do Reino que não é Reino, mas apenas mundinho nosso de cada dia; acampamentos chamados de “Encontros com Jesus” anunciam uma libertação e crescimentos instantâneos que nada se assemelham com o crescimento da fé revelado no Evangelho – o crescimento que se relaciona intimamente com carregar a nossa cruz dia a após dias, negando nosso ego ininterruptamente, sofrendo todas as adversidades como bom soldado.

A gana da frutificação abundante anuncia que quem não frutifica será podado, numa interpretação individualista de um texto que, em seu contexto, tratava do povo de Deus enquanto coletividade. A neurose da pregação, da necessidade de apresentar a Deus almas como oferta, tudo isso pensando nas pedras que serão ganhas para enfeitar nossa coroa celeste. Anulando a Soberania de Deus, assumindo o homem total responsabilidade pela salvação, tomando o lugar do Espírito Santo.

Este modelo, aquele modelo, o nosso modelo, todo dia um novo. Todos sempre com o “complexo da última bolacha do pacote”.

O pior de tudo, quanto mais metas, quanto mais prioridades a seguir, quanto mais programações, quanto mais congressos, mais neurose, mais desprazer em viver, mais perturbações.

Um diabo que é quase tão forte quanto Deus, batalhas espirituais incessantes e neurotizantes, quebras de maldições, mandingas e amuletos, dinheiro para repreender um certo devorador, dinheiro para satisfazer a Deus, falta de amor, falta de comunhão, falta de riso e poesia na vida dos que têm abandonado a simplicidade bendita do Evangelho, aquele verdadeiro Evangelho que nos permite encontrar a real humanidade, a paz e alegria, mesmo na tristeza, na dor e na adversidade.

Um comentário:

Juliana Dacoregio disse...

Oi Humberto. Estava dando uma geral no meu blog e vi que vc tinha comentado num post em junho (sobre o livro Alma Sobrevivente) e eu ainda não o tinha aceitado. Acho que acabei passando direto e não vi, não sei o que houve. Mas agora já está lá publicado. Abraço e obrigada pela visita e pelo comentário!

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