10.9.09

Conversando sobre disciplina eclesiástica

Um pastor amigo, jovem e sincero diante da Palavra de Deus, me indagou a respeito do texto Disciplina Elesiástica: Tô Dentro! Suas indagações foram muito pertinentes, as quais eu respondi prontamente, a fim de deixar mais claro o que penso sobre este assunto. Achei importante compartilhar também com os caros leitores do blog para que pudéssemos aprofundar mais neste tema.

As indagações:

- Ele fez algumas considerações sobre a minha primeira postagem relativa ao assunto, “A melhor disciplina é a de Jesus..." ; falou-me das circunstâncias envolvendo o fato, a saber, a tentativa dos fariseus de colocar Jesus na parede e um caso no qual eles mesmos deveriam ter julgado a mulher pecadora segundo a Lei de Moisés. De fato, só postei o texto do Evangelho e nada comentei!

- Mencionou Mateus 18, texto em que Jesus trata o assunto de forma severa podendo mesmo haver a publicidade dos fatos e a exclusão da pessoa da comunidade de fé. Também citou I Coríntios 5.

- Indicou-me também os seguintes textos:

"Quanto aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os demais temam." 1 Timóteo 5.20

"Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina." 2 Timóteo4.2

"Tal testemunho é exato. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé." Tito1.13

"Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze." Tito 2.15

- Mencionou também um caso de disciplina no qual a pessoa foi tratada pela igreja pela prática de corrupção política.

Agora o e-mail que lhe escrevi:

Prezado pastor,

Estive analisando o que me escreveu.

Vou comentar o que penso acerca do tema e com base nos versículos citados por ti.

Em Mateus 18. 15-18 Jesus fala sobre como lidar com a ofensa de um irmão. Não considerando que esta ofensa seja difamação, xingamento ou qualquer coisa que entendemos hoje por ofensa, mas qualquer mal feito por alguém a nós, concordo, evidentemente (rsrs), com Jesus. E mais: percebo ali uma instrução clara a respeito daqueles que se deixaram tomar pelo cinismo, hipocrisia e dureza de coração, perdendo o respeito e a sujeição à comunidade de fé. Sendo então, nesse caso, aplicada até mesmo a exclusão da pessoa de entre os membros comungantes.

No texto de I Coríntios 5, noto também um texto no qual a prática reiterada de pecados é a realidade da igreja "corintiana" (rsrsrs), ao ponto de o filho possuir a mulher de seu próprio pai, e nesse caso Paulo recomenda que este seja entregue a Satanás (não penso que se trate aqui de condenação Eterna, mas de uma permissão a fim de que esta pessoa sofra das conseqüências da ex-comunhão e afastamento do ajuntamento cristão, como o texto mesmo sugere “para que o corpo seja destruído e seu espírito seja salvo no dia do Senhor”).

Nos textos de Timóteo e Tito também vejo o mesmo princípio. Rejeição ao coração soberbo e arrogante, entregue ao pecado de forma consciente e relutante quanto à mudança de atitude. E isso tendo por base o modus operandi de Jesus, a quem podemos ter como chave hermenêutica para a interpretação dos textos das Escrituras.

Sobre o texto da mulher adúltera, concordo contigo que a circunstância se nos apresenta diversos vieses. Os fariseus desejavam colocar Jesus contra a parede. Não obstante, acredito que esta seria a posição dele embora os acusadores não estivessem presentes (até porque se eu pensar diferente, abriria brecha para o entendimento de que Jesus apenas “jogou” com os fariseus, tornando-se assim o perdão de pecados daquela mulher apenas um fator conseqüente de uma disputa dialética, e não de uma disposição amorosa de Jesus para com ela).

Penso que, assim como se deve disciplinar os que em pecado se encontram, deve-se acolher aqueles que, em coração contrito e arrependido, desejam continuar a caminhar em comunhão com os irmãos.

E neste caso, não vejo como sendo necessária a exposição pública do irmão. Sendo grave a situação da qual vem o irmão arrependido, levando-se em conta as conseqüências de seu erro, o tal deverá ser afastado de suas atividades a fim de ser preservado e para que possa também ser cuidado pela igreja.

8 comentários:

Jéfferson S.S. disse...

No livro de Tito fico com esse versiculo.

"Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados."
Tito: 1;15

Pra evitar que "pastores" fiquem julgando de cima do pulpito!!!

Humberto Ramos disse...

Meu amigo,

Para um bom entendedor, meias palavras bastam...

E como te conheço...

Vejo que sua indignação é em relação aos pseudo-pastores que, em forma de retaliação (e não de cuidado), proferem sentenças direto dos púlpitos das igrejas...

Um ato coronelista, por trás do qual não há outra coisa senão a manutenção do poder-religioso em detrimento da unidade saudável e da correção amorosa nos casos necessários.

Forte abraço.

Humberto Ramos disse...

É bom lembrar também, Jéfferson, que o cuidado, a exortação, nestes casos, deve ser feita pela comunidade de fé, não é fruto de uma decisão monocrática do líder local.

Vale então sugerir a existência de um conselho na igreja, um grupo de pessoas maduras e cheias do Espírito de Deus que possam conduzir a igreja a cuidar dos problemas em maturidade e amor!

As decisões da igreja primitiva eram conciliares veja no livro de Atos.

Até+++

Jéfferson S.S. disse...

Concordo! Deve ser assim mas nem sempre é...

...o jeito é "aceitar" meu amigo Humberto.

Fuy's>>>
Abraço

Hermes C. Fernandes disse...

Parabéns pelo blog.
Já estou seguindo.
Aproveito para convidá-lo a conhecer meu blog, e caso queira segui-lo, será muito bem-vindo.
Temos muito em comum.
Abraço fraterno.

www.hermesfernandes.blogspot.com

Epaminonas Bonfim disse...

Agora pensemos: e se o indivíduo que terá os seus pecados expostos e consequentemente recebe uma censura pública da igreja for um pastor? Sinceramente, até hoje só conheço um caso assim. Talvez o problema não seja a "disciplina" e sim a equidade de tratamento. Ou será que "cada caso é um caso"?

Humberto Ramos disse...

Epaminonas,

Até sei de casos de pastores disciplinados dessa forma. Não penso ser difícil de acontecer - exceto nas igrejas em nas quais o pastor é mais coroné do que pastor...rsrs

No entanto, questiono mesmo a forma e o real significado do tratamento a ser dado a quem tropeça na caminhada.

Abraços fraternos.

Humberto Ramos disse...

Epaminonas,

Até sei de casos de pastores disciplinados dessa forma. Não penso ser difícil de acontecer - exceto nas igrejas em nas quais o pastor é mais coroné do que pastor...rsrs

No entanto, questiono mesmo a forma e o real significado do tratamento a ser dado a quem tropeça na caminhada.

Abraços fraternos.

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