31.12.09

Saquear o Inferno e povoar o Céu!


Nossa sede de vingança pode ser verificada na intensidade com que desejamos o mal ao outro. No âmbito da religião, seja qual for, manifestamos nossa “justiça” lançando pessoas no inferno. Sentenciamos sem titubear. Avaliamos a exterioridade da vida de alguém, e logo concluímos: está condenado à danação.

Jesus chegou até mesmo a chamar algumas pessoas de filhos do diabo, no entanto não há registro que tenha sentenciado que este ou aquele estava no inferno. Falou, sim, do inferno enquanto lugar distante de Deus, falou sobre a condenação dos ímpios, mas nunca sequer chegou a citar algum nome que lá estivesse.

Sabemos que Lázaro foi conduzido ao seio de Abraão, mas o homem rico da mesma parábola que fora conduzido ao Hades (inferno) é um anônimo. Nem mesmo em um conto o Mestre se atreveu a lançar algum nome nas trevas.

Sentenças como esta tem sua raiz muito mais profunda do que simplesmente declarar o destino eterno de alguém. A raiz da coisa, o ponto nevrálgico da questão na verdade é a salvação.

Ao dizer que alguém está condenado, dizemos, com base na nossa (in)capacidade de julgar o espetáculo da vida, da alma, e do relacionamento de um indivíduo com Deus, que esta pessoa não fora salva.

Esse, sim, é o julgar que Jesus nos alertou para que não praticássemos. Julgar não é notar que fulano é pecador, que caiu em um pecado terrível ou que vive atolado em pecado (nós também não pecamos?). Deus não espera que tapemos o sol com a peneira, nem tampouco que tragamos à luz aquilo que, sem a luz da justiça de Deus, está de fato ocultado pela sombra da eternidade.

Só Deus conhece a alma humana, só Deus sabe de fato quem está ou não salvo. A Deus pertence a salvação! E sabemos de tudo isso. Sabemos com a mente, mas nem sempre moldamos nossa vida pela misericórdia e amor.

Gosto muito de uma banda de rock sueca, Jerusalem, e uma de suas músicas fala algo sobre saquear o inferno e povoar o céu. Gostei! Acho uma boa proposta para nós cristãos. Se digo que espero que fulano esteja no céu, estou sendo benevolente, esperançoso e até otimista; não creio que seja pecado. Mas se digo que está no inferno, estou sentenciando – portanto, julgando.

Daí fica a minha proposta: povoar o céu!

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