19.2.10

Sobre quem vai e quem fica

Diante da constante movimentação dos cristãos evangélicos em direção a movimentos informais, alguns chamados de igrejas emergentes, ou apenas grupos que se reúnem em casas, nasce a preocupação, às vezes sincera e boa, por parte dos que decidiram permanecer debaixo das asas das igrejas institucionalizadas.

Antes de qualquer coisa, é importante dizer que na maioria dos casos a falta de diálogo é que não permite que “quem vai” e “quem fica” entendam suas razões mutuamente.

E o argumento mais “forte” daqueles que optam por permanecer na igreja institucionalizada é que, a despeito das diferenças existentes, quem sai à procura de novas formas futuramente haverá de se decepcionar também com seu novo grupo.

Quem assim diz não está errado, mas também não acertou em cheio o cerne da questão. Pois, a bem da verdade, irão se decepcionar aqueles que, como hábito constante em suas vidas, vivem pulando de galho em galho em busca de novidades e modismos. No entanto, e agora falo como um que optou pela saída, há aqueles que decidiram tomar um novo rumo tocados muito mais pelo conteúdo do que pela própria forma.

Não que a forma não seja importante. Ela é e muito! Afinal, não se deve pôr vinho (conteúdo) novo e odres (formas) velhos. Jesus quem advertiu! Nem remendo novo em pano velho. Definitivamente, não funciona!

Continuando, a falta de diálogo, ou mesmo de interesse em entender o “novo” é que não permite a muitos perceber que o “novo” anunciado pode ser o bom e velho de sempre: o Evangelho! Que é sempre Boas Novas pra quem quer que o aceite.

Sugiro então que haja diálogo e total interesse em amor, a fim de todos possamos nos compreender! E mais: respeitar uns aos outros como irmãos apesar de nossas escolhas distintas.
No mais, quem sabe eu ainda escreva as razões pelas quais a muito tempo eu queria saltar rumo ao “novo”!

8 comentários:

Regina Farias disse...

olá, Humberto

(Escrevi esse texto abaixo lá no PC)

Muito boa essa sua postagem que até me fez lembrar de uma semelhante da autoria do meu filho e que coloquei meses atrás no meu blog.

Não vejo nenhum erro nessa dinâmica. Pelo contrário! Esse lance de ter frustração, ou decepção, ou dúvida, ou desconfiança, é um importante exercício para se atingir a lucidez.

Aliás, para quem, DE FATO, tem sede de Deus e consequente vontade de acertar na vida RELACIONAL, essa movimentação pode ser muito saudável e até te digo que nem preciso sair pesquisando por aí pois tenho exemplos de meus dois filhos mais velhos cujo chamado se deu ainda na adolescência em meio a um turbilhão de mudanças drásticas (dentro da realidade de uma família católica) acontecendo justamente nessa fase naturalmente conturbada da adolescência, onde os mesmos amadureceram na porrada. (No meu blog intimista rss tem muito a esse respeito).

Sem querer me estender demais, até porque engloba mais de uma década de RICAS experiências, faço apenas um apanhado geral onde um deles inicia como músico (ele toca baixo) e nem demora em se afastar por ir de encontro ao tradicionalismo; o outro,(baterista) por sua vez, logo se liga em "revelamentos" toscos travestidos de pregações e, incomodado, trata de tirar o time de campo.

Então se dá uma trajetória que finda por impulsioná-los ao desenvolvimento de um senso crítico apurado, de uma percepção mais ampla, de um discernimento e perspicácia aguçados, simplesmente devido a esse aprendizado, pois que tudo na vida não passa de aprendizado e este só vem com experiências PESSOAIS.

O certo é que esse lance de receber kit religioso, botar entre as perninhas e sair andando conforme a pregação fica pra quem tem preguiça de PENSAR.

Por outro lado, essa visão crítica que impede a estagnação me leva automaticamente à reflexão do oposto onde alguns, em equívoco totalmente ABSURDO, não sei se por preguiça, medo ou acomodação conveniente, se fecham em seu mundinho religioso - Espaço físico mesmo!- como se lá estivesse a total garantia de salvação. Confesso que, no mundo dito cristão, onde se usa o nome de Jesus, isso me incomoda pra caramba, primeiro porque vai de encontro com o Evangelho e segundo porque é onde se vê mais gente entregue a seus líderes, às suas denominações, à história da sua própria igreja como se todo esse pacote fosse pressuposto de vida eterna.

Abs...

R.

Emerson Luís disse...

É compreensível que as pessoas queiram distância dos abusos de autoridade que ocorrem nas organizações religiosas, que cometem este e muitos outros erros graves.

O livro "Feridos em nome de Deus" e diversos sites tratam de abusos de autoridade religiosa que ocorrem muito no meio evangélico.

Entretanto, é importante compreender que o problema das organizações religiosas não é o fato de estarem organizadas, mas sim o afastamento dos princípios bíblicos.

Como o Humberto Ramos escreveu, essas pessoas vão se decepcionar. Esses grupos informais também possuem limitações e são vulneráveis a abusos e distorções. Provavelmente são ainda mais limitados e vulneráveis que grupos formais.

Além disso, essas pessoas levam para seus grupos informais sua recusa da responsabilidade, sua falta de perseverança e sua inabilidade de dialogar. São como aqueles que se divorciam pela quinta vez, sempre acusando seus ex-cônjuges e nunca assumindo a responsabilidade de mudar.

Muitos professos cristãos recusam não apenas o autoritarismo religioso, mas toda e qualquer autoridade espiritual e restrição, ainda que seja bíblica. Dizem estar "em busca da liberdade cristã", mas na realidade estão "em fuga da responsabilidade cristã".

Para serem cumpridos (ou plenamente cumpridos), diversos mandamentos bíblicos exigem que os cristãos se organizem para cooperação e apoio mútuo e aceitem autoridade espiritual. Não apenas local, mas também de longo alcance.

Assim, aqueles que querem ser cristãos sem se comprometerem com nenhum grupo estão selecionando os mandamentos que querem "obedecer". O que Jesus e os apóstolos lhes diriam?

Todos concordam que temos que fazer nosso melhor e nosso máximo para Deus. E só podemos de fato fazer nosso máximo e nosso melhor em conjunto.

Apenas precisamos todos estudar a fundo a Bíblia e amadurecer espiritualmente de modo a absorver o modo de pensar das Escrituras e desenvolver autonomia (não rebeldia) para:

1- Diferenciar autoridade de autoritarismo e abuso de autoridade;

2- Diferenciar submissão de subserviência;

3- Ter sempre em mente que a organização religiosa é apenas um veículo para servirmos plenamente a Deus e não o alvo de nossa adoração, um meio e não um fim em si mesmo;

4- Nunca esquecer que os dirigentes são humanos comuns, falíveis e limitados como nós, que são apenas nossos ajudantes e não intermediários entre nós e Deus. Devem ser respeitados, mas nunca reverenciados e idealizados;

5- Em suma, para sermos responsáveis no verdadeiro sentido da palavra.

Ah, mas quem quer ser responsável, não é mesmo?

atos17.blogspot.com

***

Jairo Costa disse...

Prezado irmão!
Que Deus continue te abençoando, pois o seu post reflete a pura realidade. Estavas realmente inspirado quando o escrevestes.
Fique na paz!

Humberto Ramos disse...

Olá, Regina

Gostei de seu compartilhar. E compreendo os processos pelos quais seus filhos passaram. Eu mesmo os vivi, diferindo apenas pelas peculiaridades das circunstâncias e lugar.

Seu revelasse aqui, a cada semana por um artigo, minhas histórias desde a época da igreja na qual participei durante 22 anos, muitos entenderiam algumas das minhas afirmações e posturas.

Obrigado pela pertinente participação!

Abraço!

Humberto Ramos disse...

Emerson,

Pelo que vejo, os comentários à postagem conduzirão muito mais à reflexão sobre o tema do que a própria postagem. Que bom!

Obrigado mesmo por tirar um tempo para deixar aqui sua reflexão, certamente será de grande valia para quem quer que aqui venha ler sobre o assunto.

Suas ponderações foram muito interessantes. Sem dúvidas, algumas pessoas, traumatizadas pelas instituições, ao se verem livres delas ficam como escravos alforriados que não têm rumo algum a seguir.

Meu caro, forte abraço!

Humberto Ramos disse...

Jairo,

Valeu pela visita. Volte sempre e fique à vontade para comentar.

Forte abraço!

Por Ele. disse...

Amar não importa o lugar!

Parece clichê, mas é bem isso. As regras abafam o amor mais do que a liberdade de não estar numa instituição, mas ainda não por completo. É preciso acreditar no chamado, ficando em casa ou pulando de galho em galho.

Apesar do sistema podre, o conserto maior ainda é por dentro...

Pedro Grabois disse...

Cara, que show isso! O "novo" é algo realmente fascinante e sedutor. E é bom que assim seja. Também me vejo sempre em direção ao novo, não tendo que necessariamente deixar a instituição tradicional. Mas de fato, é difícil conseguir renovar, criar, inventar, e promover "libertação" no sentido amplo, a partir de estruturas que eu qualificaria como "ruins" mesmo, porque ultrapassadas e limitadas...

mas diz ae, onde vc tá agora?

abraços abuenses!
Pedro

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