25.5.10

Resposta à pergunta de Paul Freston

Há poucos dias, li um artigo de Paul Freston no site da Ultimato comentando sobre o esforço de alguns líderes para a criação de uma nova aliança entre as igrejas evangélicas brasileiras. E no texto ele questiona se valeria a pena mais uma tentativa...

Com muita propriedade, ele cita as duas primeiras organizações que almejaram representar os evangélicos em nível nacional, mas que não permaneceram.

A idéia de uma instituição desse tipo seria a promoção da unidade entre as igrejas participantes e também a viabilização da divulgação dos posicionamentos do povo evangélico diante dos temas mais relevantes que afetam nossa sociedade.

Em se tratando da realidade atual do movimento identificado como evangélico no Brasil, penso que tal projeto faz-se inviável. O grupo que mobiliza esforços e reflexão sobre esta possível ação é composto por pastores e igrejas comprometidos com o pensamento da Teologia da Missão Integral. De forma que, caso criem tal instituição, não se poderá dizer que representam os evangélicos brasileiros. Quando muito estes serão porta-vozes de uma parcela ínfima existente dentro do movimento evangélico nacional.

Isso porque, ao se mencionar os milhões de evangélicos existentes no Brasil, quase sempre se esquece que esta multidão se agrupa em novas denominações que já não refletem o pensamento evangélico, muito menos do protestantismo e suas raízes históricas.

Estes novos evangélicos, em sua grande maioria, constituem uma tendência que caminha em franca ruptura com a tradição protestante. As denominações que representam talvez nem mesmo devam ser taxadas como evangélicas, mas quem sabe de pós-evangélicas ou paraevangélicas.

Para tanto, se o grupo em questão tem o interesse em levantar uma organização forte, coesa, unida em torno dos princípios do Evangelho ensinados pelo movimento de Missão Integral, não é aconselhável tomá-la como sendo uma aliança entre os “evangélicos”; tal pretensão poderia até mesmo descambar na criação de uma organização paralela. Isso seria típico por parte dos “evangélicos de hoje”, sempre tão competitivos entre si.

Não quero ser tomado por pessimista. Vejo-me realista diante das informações que me vêm aos olhos e ouvidos todas as semanas. Já que há anseio por uma aliança, que ela não pretenda abranger os evangélicos brasileiros em sua integralidade – mas apenas uma ala dentre os evangélicos.

No mais, vale dizer que já há diversas alianças existentes entre muitas igrejas evangélicas brasileiras, alianças essas pautadas pelo interesse, politicagem, caciquismo e, principalmente, o lucro através da manipulação da grande massa de fiéis disponível no mercado da religião. Dificilmente estas igrejas optarão pela filiação a uma ordem que não paute por tais valores. Infelizmente!

10 comentários:

Roger disse...

Sua constatação é uma lamentável perda. Sequestaram o nome evangélico.

Uma associação só mesmo sob outro nome. Yancey chegou a dizer que não adianta mudar o nome, mas sim a postura. Mas como mudar a postura dessa massa toda seja no Brasil ou America??? Não tenho essa fé...

Tô fora. E é muito difícil sair.

Abraços,

Roger

Humberto Ramos disse...

Meu amigo, Roger

Para mudar teríamos que ter um quorum mínimo capaz de promover uma transformação de mentalidade. Não temos esse número de pessoas...

Infelizmente, esse é o diagnóstico.

Abração, brother!

Thamirys e Paulo Henrique disse...

Interessante...
Abraços.
Paulo.

Luis Carlos disse...

Prezado Humberto! Gostei demais de sua reflexão. Realmente, a situação que define a "identidade" dos evangélicos no Brasil e deprimente, e por causa disso, se torna não apenas inviável, mas digo: impossivel de se realizar uma aliança que unifique a todos. Parece pessimismo meu também, mas não é! Por exemplo, eu não me vejo unificado com Valdemiro Santiago que já até o "trízimo" (30% da renda). E por aí, vai. Quero te parabenizar por este texto que, pelo menos, nos fez considerar uma utopia!
Abraços!

Cris Correa disse...

Hello!Teu Blog é muito interessante. Bom sou do Blog Frenesi, já existe há 3 anos e agora estou com novo endereço, meio que começando do zero se te interessar fazer parcerias me dá um toque, ok?

Já estou te seguindo, se puder siga-me ^^

Abraço.

Humberto Ramos disse...

Paulinho, que bacana ter você por aqui. Volte sempre que quiser!

Abraços!

Humberto Ramos disse...

Oi, Cris!

Que bom que curtiu o blog. Visitei o seu e vi que é bem massa. Sobre parcerias, claro que podemos fazer uma. Estamos aí pra isso!

Forte abraço!

Humberto Ramos disse...

Luiz, obrigado pela sua presença aqui.

E apesar dos pesares, vamos em frente, continuando a sonhar com unidade e serviço mútuo entre os irmãos na fé (e, claro, servindo também a cada pessoa necessitada nesse mundão de meu Deus).

Abraços!

deuseamenina disse...

Interessante. Para se unir os evangélicos, há que primeiro se definir quem são eles... Como sempre, bela reflexão Humberto!
Bia - Deus e a Menina

Humberto Ramos disse...

Verdade, Bia!

Quem são os evangélicos hoje?

Chegou o tempo de reformular os conceitos!...

Abraços!

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