1.6.10

Felicidade, um direito constitucional (?)

Nossos políticos inventaram mais uma... Estão debatendo a possibilidade de incluir na Constituição Federal um novo direito: o direito à felicidade (parece brincadeira, mas não é!).

Primeiramente, felicidade é algo extremamente subjetivo. Se perguntarmos a dez pessoas o que esta palavra significa, certamente teremos dez respostas distintas. No entanto, já que nossos excelentíssimos desejam debater o tema, vamos em frente!

Segundamente, vale dizer que tudo o que poderia nos oferecer felicidade já está garantido pela Constituição. Basta lê-la. Basta ler principalmente o artigo 5°, no qual se encontram uma diversidade de Direitos Fundamentais – alguns deles cláusulas pétreas de nossa Carta Magna (não podem ser alterados).

Ora, nossa Lei Maior garante educação, salário mínimo digno, lazer, propriedade, trabalho, segurança, meio ambiente, etc. e tal. Preciso escrever mais? Não quero transformar esse comentário em um texto jurídico. Paro por aqui! Já basta pra nossa reflexão.

Pense comigo: a educação é amplamente discutida, mas ensino de qualidade ainda não é uma realidade acessível a todo cidadão. O salário mínimo mal dá pra sustentar o trabalhador e sua família, muito menos dará condições para que desfrute de lazer, saúde e educação.

O Estado não concretiza a bendita Reforma Agrária, o que gera uma série de transtornos sociais, que vão desde a ocorrência de pessoas desalojadas à criação de movimentos sociais dos quais muitos participantes são oportunistas malandros que não contribuem em nada para o bom desenvolvimento da causa.

E o que dizer da Segurança Pública, do transporte público, infraestrutura básica, e urbanização humanizada?

Enfim, nem vale à pena continuar. O direito à felicidade já está garantido em nossa Constituição. Ele apenas não é acessível. E ainda assim os brasileiros encontram felicidade.

Se de fato essa proposta passar a tomar o tempo dos Senadores daqui para diante, certamente terei coisa mais importante a fazer. Vou assistir à Copa. Ela me trará relaxamento e prazer, quem sabe até felicidade. E nem me venham com essa de que o Futebol é pão e circo, alienante, e outras baboseiras mais. Pense comigo: se uma grande parcela da nação vive alienada durante quatro anos, sem saber discernir entre o certo e o errado na política brasileira, a culpa deve ser lançada na Copa do Mundo? Poupe-me.

Nem só de racionalidade, problemas, discussões intelectuais e políticas vive o homem. Todos nós precisamos de momentos de prazer pelo prazer, de momentos “inúteis”, mas que são profundamente importantes para nosso alívio mental e emocional... quem sabe até para nossa felicidade!...

Assim sendo, felizes ou infelizes, vamos torcer pelo Hexa!

4 comentários:

Luis Carlos disse...

Realmente, essa é demais! Direito à Felicidade?! Está parecendo mais um daqueles subterfúgios dos políticos para não encarar os reais problemas do Brasil de frente!
Eu, como qualquer cidadão, posso garantir que o que me dá felicidade é ter o básico, o necessário com segurança, e isso, no Brasil, não está sendo possivel! Então, se não tenho o básico, que me é de direito de tê-lo, certamente, fica dificil acreditar que terei outra coisa!
No mais, gostei da reflexão. E como você disse, vamos torcer para o Hexa!
Abraços amigo!
AH, Sábado estarei lá, hein. Me liga pra confirmar o local!

Meire disse...

Concordo com o que você disse no texto; não dá para colocar a culpa da alienação brasileira na Copa do Mundo.
Como também seria impossível definir felicidade. Deixo porém, a letra da música Pão e Poesia

Composição: Moraes Moreira - Fausto Nilo

Felicidade
É uma cidade pequenina
É uma casinha, é uma colina
Qualquer lugar que se ilumina
Quando a gente quer amar
Se a vida fosse trabalhar
Nessa oficina
Fazer menino ou menina
Edifício e maracá
Virtude e vício
Liberdade e precipício
Fazer pão, fazer comício
Fazer gol e namorar
Se a vida fosse o meu desejo
Dar um beijo em teu sorriso
Sem cansaço
E o portão do paraíso
É teu abraço
Quando a fábrica apitar
Não há passagem
Entre o pão e a poesia
Entre o quero e o não queria
Entre a terra e o luar
Não é na guerra
Nem a saudade
Nem futuro
É o amor no pé do muro
Sem ninguém policiar
É a faculdade de sonhar
É a poesia que principia
Quando eu paro de pensar
Pensa na luta desigual
Na força bruta, meu amor
Que te maltrata
Entre o almoço e o jantar
O lindo espaço
Entre a fruta e o caroço
Quando explode é um alvoroço
Que distraiu o teu olhar
É a natureza onde eu apareço
Metade da tua mesma vontade
Escondida em outro olhar
E como doce
Não esconde a tamarinda
Essa beleza só finda
Quando a outra começar
Vai ser bem feito
Nosso amor daquele jeito
Nesse dia é feriado
Não precisa trabalhar
Pra não dizer
Que eu não falei da fantasia
Que acaricia o pensamento popular
O amor que fica entre a fala
E a tua boca
Nem mesmo a palavra mais louca
Consegue significar felicidade
Felicidade
É uma cidade pequenina
É uma casinha, é uma colina
Qualquer lugar que ilumina

Humberto Ramos disse...

Meire, obrigado pelo comentário e pela contribuição poética, que, aliás, foi muito bem vinda. Adorei!

Abraços fraternos.

Anderson disse...

Humberto,
O STF já declarou a omissão inconstitucional do Congresso Nacional em editar leis sobre várias matérias extremamente importantes para o povo (greve dos servidores públicos, aposentadoria especial, regulaçao da criação de municípios, etc) e agora fico sabendo que eles estão preocupados com uma emenda para inserir o direito à felicidade na Constituição... Fala sério!
Hoje vi no jornal que há projetos para criar o dia do sexo, dia do macarrão e até o dia do agricultor de frutas cítricas!
Quero ver o Brasil ir pra frente desse jeito!
Anderson
www.gracasomente.blogspot.com

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