26.7.10

A religião me dá preguiça

A religião me dá preguiça. Não tenho mais paciência para discutir os “grandes” e “importantes” temas que permeiam a cabeça da cristandade. É como beber uma cervejinha, mal começo e logo me dá aquele sono. Sou fraco para esses debates, confesso!

Outro dia deparei-me diante de uma discussão “edificantíssima”. Ocorreu uma certa reunião nacional, de uma certa igreja, de certos valores doutrinários e teológicos um tanto quanto “sublimes” historicamente, e lá chegaram a discutir se a “denô” (apelidinho carinhoso para o palavrão denominação) deveria ou não permitir o ingresso de mulheres no diaconato. Isto é, no serviço oficial da igreja. Que, diga-se de passagem, em algumas delas não vai muito além do serviço de porteiro ou recepcionista (em algumas, talvez, de segurança...).

Daí o meu desgosto, não bastasse saber que ainda discutem esse tipo de coisa com um fervor inigualável, o “querido” irmão que nos noticiava o fato (pois ele, embora não tivesse ido à reunião, estava bem informado) tratou de forma totalmente pejorativa aquela ala (ou seria facção? – depende de quem vê) que se manifestou favorável ao dito oficialato feminino.

Ele ainda exclamou dolorosamente que, caso a igreja perdesse as suas tradições, ele sofreria demais... Ah, coitadinho! Fiquei morrendo de dó...

Sai dali pesado, desmotivado, triste... aff... Só Deus mesmo para gerar em nosso coração mais amor e muito, mas muito mais paciência para aguentarmos essas figuras.

Em nenhum momento o cara comentou o tema à luz do Evangelho, esse fato deve ser ressaltado. Só que nem dá para exigir isso dele. Afinal, o Evangelho é uma proposta de relacionaento com uma pessoa (Jesus), e não um compêndio de regras e tradições religiosas.

Ah, não sou nenhum pouco contra qualquer tradição. Desde que ela se destine a ser aquilo que significa em sua etimologia. Tradição, derivada do latim traditione, significa transmissão de algo, entrega de alguma coisa. Não significa regra, lei ou mandamento e, ainda por cima, deve sempre estar sujeita à alteração e adaptação de acordo com a realidade em que se vive.

Reafirmo, o Evangelho não é composto por regras. Ele até contém uma, sobre a qual devem pautar todas as coisas da nossa vida, até nossa religião e nossas tradições: “amar o próximo como a ti mesmo e o Senhor acima de todas as coisas”.

O resto é resto, e supervalorizar o resto é perder tempo com o que não é essencial!

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Leia também Ordenação Feminina

Um comentário:

Meire disse...

Realmente enfadonha essas coisinhas...
Nunca me imaginei como diaconisa, minha atenção está em outras coisas. Não é um título que me motiva, mas sim estar disposta a servir com amor e carinho, e não por obrigação.

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