1.8.10

Discriminalização da maconha (opinião)

- Qual a sua opinião sobre a descriminalização da maconha? E o ato de fumá-la, seria um pecado ontológico ou deveríamos levar em consideração aspectos jurídicos, sociais, culturais, etc?


- Reverendo Antônio Carlos Costa

O problema da maconha é que ela causa perda da memória e de uma outra coisa que não me lembro... (risos).

Brincadeiras à parte, esse é um dos motivos pelos quais sou grato a Deus por jamais haver me viciado em maconha. Ela parece deixar a mente humana mais lerda. Vejo isso na vida de amigos da minha geração. Deveria nos causar horror a ideia de prejudicar a parte mais nobre do nosso corpo, e de que tanto carecemos para servir a Deus. É pecado contra o ser, destruir sua parte mais excelsa.

Contudo, sou a favor da descriminalização do uso. Cheguei a esse ponto de vista, utilizando o princípio ético do mal menor. Quando estamos perante dilemas éticos, que demandam decisão que exigirá de nós a prática do que não é essencialmente bom, a nós nos cabe optar pelo que é menos ruim.

A forma como se combate a maconha é insensata e hipócrita. Ela carece de sentido porque põe na cadeia pessoas que não representam ameaça para a sociedade, aumenta o interesse em razão do fenômeno da atração do espírito humano pelo que é proibido, tem se mostrado ineficaz no mundo inteiro, lança a sociedade no relacionamento de risco com gente ligada ao crime organizado, esquece-se da lição deixada pela lei seca americana (a proibição do uso de álcool só serviu para aumentar o consumo e a ilegalidade) e investe mais dinheiro em repressão do que em prevenção.

Ela é hipócrita porque todos sabemos que milhares usam maconha e jamais serão dissuadidos por qualquer espécie de lei, só serve para botar na cadeia pobre e negro (um garoto de zona sul, com a mesma quantidade de droga portada por um pobre e negro, é visto como usuário, enquanto este é visto como traficante), convive com o consumo de bebidas alcoólicas e serve de fonte de lucro para aqueles que amam que dificuldades sejam criadas para a sociedade a fim de que facilidades sejam vendidas.

Resumindo, sou a favor da prevenção e contra a repressão. Prefiro ver pessoas recebendo a espécie de esclarecimento que têm recebido por meio da propaganda antitabagismo - que tem feito o consumo de cigarro despencar-, a vê-las sendo lançadas em cárceres por aqueles que depois irão para o bar da esquina, aliviar as tensões do dia, bebendo cerveja, tal como milhares de outras pessoas -muitas vezes para desgraça de si mesmas e de outros-, e que nem por isso, recebem do poder público e da sociedade, o mesmo tipo de tratamento que é dispensado ao usuário de maconha.

Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra (RJ) e presisdente do Rio de Paz.

Fonte: Genizah

Um comentário:

Meire disse...

O que mais gosto no Antonio Carlos Costa é essa vontade de colocar em debate honesto questões importantes da sociedade.

Quanto a discriminalização da maconha, confesso que ainda não consegui ser favorável, mas como o Antonio Carlos, também temo mais o uso desenfreado do alcool. Creio que o mal uso dele tem destruido muitas famílias.

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