4.8.10

Nosso próprio mundo melhor

O mal não se alimenta de seus êxitos, das suas próprias consequências. Na verdade, o mal não existe enquanto ente. Existem seres maldosos, cuja existência está inclinada para todo tipo de malignidade. O mal, nesse caso, é o resultado da ausência do bem.

Isso elimina aquelas questões pretensiosamente filosóficas levantadas nas nossas primeiras aulas de filosofia na escola. “Se Deus criou todas as coisas e o mal existe no mundo, logo ele também criou o mal”, tal afirmativa não procede.

Se o mal não existe enquanto personalidade, se o que há são pessoas dadas à maldade, então podemos concluir que o mal existente no mundo alimenta-se da omissão daqueles que compõem as fileiras do bem.

Martin Luther King teria dito: “O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos”. É por conta da nossa inatividade, da inércia que toma conta daqueles que orgulhosamente se classificam como pessoas boas que o mundo vai de mal a pior.

Quando deixamos-nos ser tomados pela ideia de que não vale a pena agir retamente, pois seremos os únicos caminhando na contramão, revelamos nosso caráter. Aquilo que somos de fato é apresentado ao mundo todos os dias pelas nossas ações e escolhas. E se pensamos que a “não-escolha” nos isenta de qualquer responsabilidade, estamos errados. A passividade diante da vida também é uma opção.

Infelizmente, vivemos num tempo de futilidades. Principalmente nos países ocidentais livres de qualquer opressão política, nos quais a população apenas desfruta das conquistas obtidas pelas gerações anteriores. De modo que uma falsa sensação de paz e liberdade total toma conta das sociedades.

Enquanto isso, o crime organizado aloja-se nas cidades como um tumor que avança em um organismo, a corrupção multiplica-se em todos os níveis, o bom e o justo é relativizado, o individualismo, por conseguinte, torna-se cada vez mais validado.

E o que dizer da Igreja? E o que esperar dos cristãos? Onde estão eles nesses momentos insólitos?

Alguns certamente encontram-se na linha de frente desta guerra. Mas uma grande maioria assiste, assiste a vida passar e passa juntamente com ela. Outra parcela se dedica às ocupações religiosas, aos debates teológicos infindáveis que, em última instância, não geram outra coisa senão soberba, altivez, arrogância intelectual e, por fim, insensibilidade diante da vida real.

Não acredito mais em qualquer tipo de mudança operada por uma instituição, não deposito mais minha fé no governo, não perco tempo esperando da “Igreja” que ela se sensibilize diante das demandas do mundo atual enquanto ela nem sequer nos dá ouvido.

As religiões monoteístas do mundo estão tão preocupadas com a manutenção de sua existência e ortodoxia que já não tem mais respostas às questões da vida. Ainda mais quando a vida está se esfacelando...

Mesmo assim, continuo crente. Crendo em Deus, em seu poder e soberania, e também em corações fervorosos que doam suas vidas em prol do outro, do próximo, da humanidade que se encontra ao seu lado.

E não me iludo pensando que esse mundo será transformado por completo. Pelo menos não agora! Mas creio firmemente que em cada canto onde haja um coração sedento por justiça, queimando em amor e compaixão, lá existirá um mundo melhor.

Acredito decididamente em pequenos flashs daquilo que um dia será nosso mundo melhor. Cada pessoa disposta a viver os valores do Evangelho pode, deve e tem poder para manifestar aqui e agora aquilo que somente será por completo no amanhã – que se tornará um eterno presente, um eterno agora. Pode acreditar!

Um comentário:

Vovó Noemia disse...

Belo comentário, concordo com vc e a Bília tbém, ela diz: o mundo jaz no maligno".
Porém caríssimo, o que nos move é que Jesus, o Cristo disse " não peço que os tire do mundo mas que os livre do mal".
Vc faz bem em alimentar sua fé, é assim que nos apropriamos de um novo estilo de vida, lembrando-se que a igreja está impregnada do caos em que a sociedade, por isso o melhor é nos apropriarmos de Jesus que nos garante um novo estilo de vida!
Um abraço!!

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