27.10.10

As eleições e o gado evangélico


Que o Brasil é um país essencialmente religioso a gente nem discute mais. Nosso povo é místico, supersticioso, católico, espírita, evangélico e ainda sobra espaço para tradições orientais. Contudo, nunca antes a religião influenciou tão decisivamente os rumos de uma eleição.

A corrida eleitoral desse ano não apenas foi marcada pela presença de temas religiosos como também pode entrar para a história como o ano em que a política brasileira teve que passar a considerar a opinião das igrejas, em especial das igrejas evangélicas.


Ao que tudo indica, se o número de evangélicos continuar a crescer, e a fome de poder dos seus líderes na mesma proporção, todo ano eleitoral se caracterizará pela tentativa dos políticos em conciliar seus discursos com os anseios e as ideias propaladas pelo grupo que mais cresce no país.

O que poucos políticos sabem é que essa a agitação evangélica em torno da política já existe há algum tempo. Apenas não tinha tomado proporções nacionais. Discussões acerca de leis que, em tese, prejudicariam o crescimento da fé cristã ou contribuíssem para degeneração da sociedade brasileira já se encontravam na agenda de muitas igrejas evangélicas desde que seus líderes decidiram que, para manifestar o Reino de Deus, deveriam se infiltrar na política.

A movimentação desses últimos dias é apenas o desenrolar daquilo que se tornou praxe em toda campanha eleitoral. Grande número de igrejas reúnem seus membros a fim de direcioná-los acerca de quem devem eleger e contra quem devem se posicionar. Sendo que a fundamentação básica geralmente gira em torno de casamento homossexual, liberdade de culto e, quando sobra tempo, aborto.

Muita mentira é forjada e lançada sobre rebanho, que na maioria das vezes, engole tudo sem muita reflexão. Raramente é proposto um debate sobre as temáticas, quase nunca são convidadas pessoas das mais distintas posições para dialogarem, a partir de seus pontos divergentes, a fim de que o povo conhecer as várias perspectivas existentes a respeito dos mesmos temas.

Infelizmente, devido aos mecanismos de controle utilizados para subjulgar os membros dessas igrejas, poucos são aqueles que conseguem pensar por si mesmos. Eles nem sequer ouvem os representantes de interesses opostos aos seus a fim de tentar compreender seus anseios e suas motivações. Apenas aceitam, apenas cumprem a ordem que é vinda do púlpito. E quem se manifesta contrário ao que é transmitido, esse certamente é taxado como herege. Aliás, herege era coisa das igrejas mais antigas, a pessoa hoje é tomada por rebelde (como gostam de dizer).

O que se assiste então é a formação de um grande curral eleitoral. Tornou-se até mesmo difícil falar em democracia dentro da maioria das igrejas evangélicas. Isto porque o povo não escolhe, apenas os líderes. E uma vez escolhido, devem cumprir as determinações daquele que os mantém “abençoados”.

Não é necessário esforço para notar que as alianças políticas fechadas por esses pastores e líderes são de interesse próprio, beneficiando seus projetos pessoais, nada tendo a ver com os argumentos realmente expostos.

A problemática envolvendo casamento homossexual e aborto, por exemplo, é uma discussão que compete ao Congresso Nacional, contudo faz-se uma pressão ante os candidatos à Presidência como se estes tivessem o poder de determinar, como os antigos monarcas, que seja isto ou aquilo. Malandros, sabem dessa verdade, mas se valem dessas polêmicas para manifestar o poder que têm, a influência que exercem sobre a massa irreflexiva.

A personalidade mais presente neste cenário hoje é a do pastor Silas Malafaia. Sua empreitada em busca de reconhecimento religioso e secular está indo de vento em polpa. Já reconhecido e respeitado quase que em todo o meio evangélico, Malafaia agora pleiteia a pecha de agente político. Ora, não sendo político de profissão, por exercer enorme influência em um sem-número de pessoas, ele vai se firmando como uma personalidade político-religiosa a qual, até o dia em que sua fama de bom moço se sustentar, deverá ser consultada pelos candidatos a fim de que possam fechar boas alianças políticas com alas da igreja evangélica.

Traduzindo tudo isso para o português brasileiríssimo: Silas é uma exemplo mais claro daquilo que sempre existiu no país. Um “coroné” que exerce algum tipo de poder sobre um grupo de pessoas que o respeita e teme,obedecendo sempre suas ordens.

Ele não é o único, mas apenas o mais evidente, o mais eloquente e talvez o mais popular (uma vez que é chamado até de o Ratinho dos evangélicos).

E assim vai caminhando a política entre os religiosos evangélicos. Entre líderes e líderes, a maioria se destaca como verdadeiros fazendeiros que tiram seu sustento do gado que têm no pasto. Nesse caso, a igreja é o pasto, e o povo, o gado!

Um comentário:

NICODEMOS disse...

Paz seja contigo

A manipulação desta liderança é de causar nojo e ânsia de vômitos.

O modo como corrompem as sagradas escrituras.....

o como enganam os fiéis....

vou combater até o fim...

E conto com a experiência de quem ja foi membro e conhece melhor do que eu o "modus operandi" destes homens.

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