15.10.10

Entre Serra e Dilma, justifico-me!




Não demorou muito para que a minha motivação em votar acabasse, bastou apenas o término da apuração dos votos no primeiro turno.

O menu que me apresentam não me é nada palatável. Entre Serra e Dilma, não sei bem o que seria melhor (ou pior!). Uma coisa sei: O presidente Lula marcou a história do país com o seu governo, fez muitas coisas, investiu em políticas sociais e, acima de tudo, fez excelente propaganda de si mesmo. Não obstante, tudo o que foi realizado só o foi porque Lula soube surfar na onda que surgiu da era FHC.

Só mesmo sendo inocente para acreditar que tudo de bom que ocorreu nestes quase oito anos é devido apenas ao governo petista, e tudo o que é ruim é devido ao governo do PSDB.

Embora reconhecendo as coisas boas advindas do governo Lula e também as do governo FHC, optei por Marina Silva no primeiro turno. Isso porque creio que apenas ela tinha de fato uma proposta relevante diante das demandas do país e do mundo para este novo século. A proposta de sustentabilidade, a postura ética pessoal de Marina e possibilidade de renovação me trouxeram grande esperança, ao que materializei meus sentimentos nas urnas votando nela.

Agora, estando de mudança para outro Estado, já sei que não vou votar. Vou justificar meu voto. E parece que um sentimento covarde toma conta do meu coração, uma sensação de alívio por não ter que escolher. É bem mais confortável, caso a coisa dê errado lá na frente, dizer que não votei em "fulano" ou "fulana". Mas como estou em constante luta contra esses desvios, prefiro manifestar meu direcionamento político atual.

Preciso assumir em quem votaria caso pudesse. Então, vamos lá!
Por ter não concordar com o uso político da máquina pública pelo presidente Lula, com as campanhas eleitorais extemporâneas, e os apadrinhamentos escusos, não conseguiria votar na Dilma. Para tanto, votaria pela descontinuidade do PT no governo. Saber que pessoas como José Dirceu, Collor, Renan Calheiros e outras figuras nada confiáveis estão envolvidos com essa candidatura não me trás confiança alguma para ceder a ela meu voto.

Quanto ao Serra, tenho a expectativa de que, a semelhança do presidente Lula, também surfe na onda favorável que se põe à sua frente. Espero que, caso eleito, implante o conceito de administração pública assumido pelo governo do PSDB em Minas Gerais, o da meritocracia. De modo que cada um receberá de acordo com o resultado do seu trabalho. Evitando o mau funcionamento da máquina pública, bem como desinchando das instituições governamentais.

Se a Dilma for eleita, não creio que haverá grandes mudanças. Nem acho que seja de todo modo muito ruim para o Brasil. Caberá, nessa possibilidade, à oposição exercer seu papel de forma mais eficiente do que exerceu durante esses anos em que esteve na periferia do governo, mantendo-se firme e esforçando-se para votar as reformas que o Brasil necessita para se tornar um país melhor e politicamente mais eficiente.

Nossa incumbência, enquanto cidadãos, é ficar de olho aberto, avaliar, pesquisar e nos informar acerca das ações de cada político, a respeito de cada decisão importante e dos rumos que o país está tomando. Não podemos perdê-los de vista!

4 comentários:

Felipe disse...

Eu votarei, a contragosto, no tio Serra, aff. Seria bom mesmo que ele seguisse a 'onda' do Lula e do FHC, como tu disse muito bem.
Até porque votar em branco ou nulo me deixaria com dor na consciência.
Abraços flaternos.

Marcos Vichi disse...

Olá Humberto!

Eu compartilho dos seus pensamentos para este segundo turno. No primeiro, votei na Marina mas agora, vou aproveitar que estou morando em Niterói e vou justificar.

Caso não tivesse esta saída, me sentiria numa grande sinuca, pois não tenho a mínima vontade de entregar o meu voto a nenhum dos dois candidatos e não me agradava a opção de anular o voto.

Se eu decidir votar, optaria pela Dilma, pois a considero um mal menor diante do Serra.

Esta história das alianças dos partidos são outro capítulo bem sinistro. Tanto o PT, quanto o PSDB e o PV, têm aliados que eu não elegeria nem para síndico de edifício, rsrsrs.

Um grande abraço,

Marcos Vichi

João disse...

Creio que uma tomada de decisão em função de pessoas e parceiros políticos é temerária, pois o DEM de Arruda, o Roriz, Mão Santa, Agripino Maia, Coronéis por todo o Brasil..., da mesma forma, acredito que se o projeto político de Minas Gerais tivesse vigorado no núcleo do PSDB, certamente o candidato do partido seria o próprio Aécio Neves, dado que ele disputou com Serra a vaga de candidato do partido. Porque não avaliarmos os projetos políticos do PSDB e do PT, um voltado para o econômico, o outro é um projeto social. Conhecemos o projeto neoliberal e conhecemos o avanço social destes últimos anos. Este conhecimento faz com que a responsabilidade da nossa decisão seja ainda maior, este é um principio da Palavra. Com amor!

Humberto Ramos disse...

Prezados,

Vossos comentários são muito pertinentes. Mesmo que optem por um posicionamento distinto, é perceptível a insatisfação geral pelo cenário que nos restou logo após ao térnino do primeiro turno.

Sem perder a esperança e o ânimo, continuemos em frente!

Abraços!

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