23.12.10

Aproveite o Natal!

Seria mesmo difícil fingir que nada está acontecendo. Ignorar as casas enfeitadas, os preparativos da ceia, os telefonemas confirmando a presença de familiares e amigos. Até o comportamento das pessoas parece mudar. Tudo isso tão passageiro, tão efêmero.

Apesar dos pesares, do comércio criado em torno do Natal, da cada vez mais notável ausência de significado espiritual desta época, não é boicotando a celebração que conseguiríamos alterar alguma coisa. Certamente ninguém se fará ouvido por deixar de retribuir o “Feliz Natal” dos seus chegados. Ou mesmo não comparecendo às ceias, mantendo suas casas despidas de qualquer adorno natalino.

Começo a pensar que a melhor forma de protestar contra os rumos que deram a essa festividade do calendário cristão talvez seja comemorando-a sem restrições. Na verdade, ressignificando-a. Na teoria já se faz. Precisamos é de prática!

Diferenciar as horas do dia, os dias da semana, datar e agendar, criar dias festa é algo essencialmente humano e não é pecado. Na verdade, faz parte do esforço criativo de quebrar a monotonia da uniformidade do tempo. Assim como Deus, que criou em sete dias, e nenhum deles fora semelhante ao outro (pois em cada dia criou algo diferente), o homem elaborou um calendário rico em datas, feriados, festividades religiosas, férias, trabalho e descanso.

À semelhança de Deus, que deu forma à terra antes “sem forma e vazia”, e ainda instituiu um dia como dia de descanso, distinguindo-o dos demais, também o homem deu forma e conteúdo aos dias, meses e anos. Não precisamos lutar contra isso, precisamos apenas renovar os significados a cada dia. Avaliar, reformular e reestabelecer aquilo que, sendo bom, foi deixado de lado.

Sabemos: Jesus não nasceu em dezembro! Não foi um velhinho barbudo quem o presenteou no estábulo. Não havia renas ao redor de seu berço, e acho que não havia neve caindo do céu. Mas justamente por ser mais que tudo isso. O anúncio de que Deus encarnou, habitou entre nós e trilhou o caminho que o conduziu à cruz, pode ser feito ainda hoje; em meio aos papais noeis, às árvores de natal, às champanhes e os presentes.

Nada disso importa se o significado real da redenção morar em nosso coração. Nada importa de fato se, quente e receptivo como aquela manjedoura, nosso coração estiver sempre receptivo ao Filho de Deus.

Assim sendo, importa que descansemos, desfrutemos da graça dos encontros e reencontros, comamos e bebamos do bom e do melhor, demonstrando nossa gratidão a Deus com o equilíbrio de nossas ações (ou seja, deleitando-nos com moderação). E tomara a Deus que as festividades de fim de ano sirvam-nos como tempo de renovo, abastecimento físico, mental e emocional para ajudar-nos no recomeço de nossa jornada.

Paz e bem a todos vocês, queridos leitores e amigos!

Feliz Natal e Abençoado Ano Novo!

2 comentários:

Robson Rosa Santana disse...

gostei do texto, muito bom, é por aí mesmo... O que importa é celebrar o nascimento do nosso Amado Salvador. Gloria in excelsis Deo

Humberto Ramos disse...

Pastor, obrigado pela presença!

Forte abraço!

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