15.12.10

Inquisição sem fogueiras novamente na prateleira

Perdoar não significa esquecer. Nem tampouco significa cooperar com a impunidade. Quem perdoa, por amor cristão, a um assassino, trabalhará para que sua prisão seja efetuada. E ele o fará também por amor. Nesse sentido, amor à sociedade, defendendo-a do convívio com um ser desajustado.

Assim, ainda que muitos tenham se esquecido. E na verdade, a grande maioria dos jovens não tenha tanto interesse nos fatos envolvendo o período da Ditadura Militar, há pessoas obstinadas. Pessoas que não descansam e nem se sentem à vontade em saber que essa parte tão importante da nossa história permanece ainda hoje tão obscura.

Falar da Ditadura parece incorreto. Uma gafe! Se for para criticá-la então... certamente é porque há um sentimento “esquerdista” renitente. Exigir que se traga a público documentos desse período, falar sobre as mortes no Araguaia, é constrangedor. Uma falta decoro.

O que me atrai nesse assunto é a postura dos protestantes diante das do militarismo. Conquanto alguns trabalhos acadêmicos abordem o tema, ainda é pequeno o número de pesquisas, trabalhos, artigos e discussões sobre este assunto.

Então, quero aqui fazer menção a um trabalho dedicado a esse momento da história protestante. O livro Inquisição sem fogueiras, editado originalmente pela editora ISER, já há muito tempo sem ser impresso, ressurge como que das cinzas e retorna às livrarias. Nossa gratidão deve ser dirigida à equipe da Fonte Editorial, que corajosamente decidiu resgatar esta obra de inestimável importância para a história do protestantismo brasileiro. Importante não somente para este seguimento, mas para a história do Brasil. Afinal, todos os fatos ligados aos anos de chumbo merecem e devem ser lidos e relidos por cada brasileiro.

João Dias de Araújo, pastor presbiteriano, autor da obra, relata em seu livro o período de caça às bruxas pelo qual a Igreja Presbiteriana do Brasil passou durante os anos de repressão. Não somente a IPB se relacionou intimamente com o regime. Não obstante, talvez por ser a denominação mais influente à época, seu envolvimento e as consequências dele tenham sido mais devastadores.

Se você já conhece a obra, vale a pena garanti-la em sua biblioteca. Se não a leu, não conhece o tema, desperte! Investigue! Informe-se!

Conhecer o passado possibilita-nos saber quem fomos nós, por onde andamos e ajuda-nos a decidir quais caminhos escolher. Só quem conhece os perigos das trilhas antigas pode sugerir novos rumos e rejeitar a tentação de atalhos obscuros.

Um comentário:

Gabriel Brisola disse...

Rapaz, pra onde vc tá? Geograficamente falando =p
Saudade dos papos!

Abração,
Gabriel Brisola.

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