4.2.11

O BBB (não) me causa admiração

Não me admiro que o BBB ainda tenha grande audiência. Por mais batido, repetitivo, apelador que seja, as pessoas gostam mesmo é de falar de pessoas, não de ideias. BBB é isso. Pessoas assistindo para discutir sobre pessoas. E quanta filosofia rola nas rodas de bate-papo do cafezinho das empresas, ao comentarem o resultado dos paredões das terças-feiras.

Apenas duas coisas me causam admiração. O Bial é uma delas, embora ele não seja uma “coisa” – mas creio que ele não se importa em ser coisificado em meu texto. Afinal, ele se submete a cada paspalhada nesse programa. Então, o Bial me causa surpresa. Não consigo entender como ele consegue extrair tanta poesia de eventos tão fúteis vivenciados por pessoas, no mínimo, tão vazias.

Não que sejam essencialmente vazias, mas por se submeterem aos desígnios desse tipo de programa, transmitem a pior imagem possível daquilo que são.
Voltando ao Bial, cronista, jornalista conceituado, com uma verve um tanto poética, transforma cenas de promiscuidade, desvios de caráter e personalidade em atos heroicos. É mesmo digno de aplausos!

Sei que o Bial é mais do que aquilo que ele apresenta ao presidir esse programa. Assim como as pessoas confinadas na casa mais famosa do Brasil devem também ter seu valor. Só não consigo levá-las a sério. Não dá para levar a sério quem dissimula quase todo o tempo. Ora, não me convencem os argumentos de que, mesmo sabendo que são filmados a todo o momento, o cotidiano da casa faz com que cedam, fraquejem, e deixem de dissimular, de representar.Diante das câmeras, até a naturalidade é afetada. Lembra-se quando, na festa de casamento do seu amigo, ou naquele aniversário de 15 anos da sua prima, você simulou espontaneidade ao se perceber na mira das câmeras e flashs? Então, é por aí.

Outra coisa que me arranca admiração é que, em onze anos de programa, nunca um ex-participante escreveu um artigo sequer revelando os bastidores reais da coisa toda. Não falo dos acontecimentos da casa, falo dos contratos assinados pré-programa, das instruções acerca do comportamento de cada participante (talvez de alguns, pelo menos). Não há nem mesmo um livretinho relatando a sensação de estar confinado e vigiado durante meses. Nem uma linha sequer.

Alguém vai dizer que um livro escrito por ex-BBBs seria um milagre. Obviamente, não seria tanta maldade subestimá-los assim, tendo em vista o nível do programa. No entanto, a Bruna Surfistinha já escreveu o dela; a Vera Fischer também, até o Sarney tem vários livros escritos. Todo mundo escreve hoje em dia, até eu... Então, não há desculpas intelectuais, eu acredito que haja, sim, uma proibição. Acho mesmo!

Sei lá. Ao entrar na casa, devem receber uma série de recomendações, com a proibição de revelá-las. Não podendo ser levadas a público durante o programa nem depois de seu término. Não fosse isso, algum BBB desventurado, buscando valer-se de seu histórico, tentaria angariar alguma fama e grana através de revelações bombásticas sobre o pré-confinamento e outras coisinhas mais.

Talvez eu seja muito imaginativo e muito desconfiado. Também pudera, sou mineiro. Estórias são o que não me faltam na cabeça, e desconfiança já é praxe. Mas, até que alguém me convença do contrário, sigo imaginando, sigo desconfiando de algo por trás das cortinas, e me admirando com esse espetáculo bestial.

2 comentários:

Eliezer Silva disse...

tem um documentário, se não me engano da BBC, que mostra um pouco disso... parece que uma ex-BBB britânica se revoltou com a edição que tentava mostrá-la como mulher vulgar que dava em cima de todos... só não lembro o nome do documentário.

Humberto Ramos disse...

Eliezer,

Obrigado pelo comentário. Gostei da contribuição. Vou pesquisar pra ver se encontro o tal documentário.

Seja sempre bem-vindo!

Forte abraço!

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