8.6.11

Critiquei, até que me cansei!

Comecei a escrever no blog por motivações religiosas. Eu ficava indignado com as coisas que eu ouvia ou aconteciam na igreja da qual eu fazia parte, e daí precisava desabafar, aliviar a tensão (já que em igrejas, geralmente, quem discorda é logo censurado). Fiz isso tantas vezes quanto foram necessárias. Conforme minha visão foi se ampliando, na busca por uma visão integral das coisas, fui comentando fatos acerca da igreja evangélica no Brasil, acontecimentos vergonhosos, maracutaias, e por aí fui. Exerci alguma atividade crítica nesse sentido durante um bom tempo de existência desse espaço virtual.

Conforme o tempo passou, sem notar isso foi me cansando. Mas eu ainda mantinha o interesse em manifestar minha opinião. Colocar a boca no trombone era, sem dúvida, a melhor das hipóteses. Afinal, igrejas que eu considerava serem verdadeiros desvios daquilo que Jesus ensinou continuavam a crescer, e alguém tem que fazer o trabalho sujo: então eu estava ali, disposto a colocar a mão no lixo, na ferida...

Minha namorada foi decisiva em me abrir a mente. Ah, o amor faz milagres. O que alguns já haviam me dito, mas nem cheguei a dar atenção, a Jacque com poucas palavras me fez parar para pensar e reconsiderar. Cheguei a fazer parte de um blog de terceiro (quem acompanhou sabe de qual blog falo). De tempos em tempos era incitado a escrever algum artigo criticando fulano e siclano. E eu às vezes fazia, quando minha parca criatividade literária me permitia. O lance é que fomos percebendo (a Jacque e eu) que o negócio daquele blog era a crítica pela crítica, era o bafafá, e o intuito por trás da palavra “apologética” era a polêmica, e tão somente isso.

Bem, polêmica é sempre algo importante para alguns. Há quem faça fama pela arte, pelo trabalho exaustivo e primoroso, pelo empenho em causas nobres, e há também aqueles que fazem fama pela polêmica. A gente sabe como é. Existem muitos programas de televisão assim. Leva-se uma figura chamativa, um tema controverso, e lá está a audiência. Assim também acontecem com alguns blogs.

Audiência é importante, principalmente pra quem deseja patrocínios. Não é errado buscar audiência nem patrocínios. Mas acho errado, de forma bastante especial, buscar audiência a qualquer custo falando de Deus. É bastante complicado... mas há quem faça.

Foi aí que fiquei mais sossegado. Decidi escrever com mais leveza e sem o peso da necessidade de manter este espaço rigorosamente atualizado (nem tampouco de enviar algum material para outro blog). Até porque as atividades nas quais estou envolvido nesses dias não me permitiriam tal proeza. Contudo, preciso confessar: estou melhor. Estou mais leve. Estou mais feliz e em paz.

Só de lembrar já me canso. Como era fastidioso ter que responder a diversas críticas a respeito de um ou outro texto. Não que não fosse gratificante em parte, mas a satisfação não era proporcional ao enfado. Além de que é bastante chato ser antagonista. Sim, antagonista, aquela figura que passa o filme inteiro brigando com o protagonista (que geralmente é o mocinho).

Como disse um de meus professores outro dia: “Quer desconstruir alguma coisa, construa algo melhor.” Isso é verdade. Repare você que as coisas não mudam ou melhoram só porque existem críticos que se levantam contra elas. Talvez o papel desses críticos devesse ser outro. Ou talvez a sua função devesse ser exercida com maior criatividade e sutileza. Esse é o caso das igrejas/empresas religiosas. Não adianta criticá-las. Elas crescem sempre mais e mais. Até porque o “alvo” em potencial dessas comunidades raramente lê um artigo bem elaborado na internet ou um bom livro que gere reflexões saudáveis a respeito da fé e da religião. Infelizmente... muitos mal leem o jornal.

Daí a vida de antagonista ser bastante cansativa e ingrata. Além de que o antagonista incorre no risco de se tornar medíocre. Ou mesmo dependente essencialmente do protagonista para definir sua identidade. É bem assim, a pulga precisa do cão para sobreviver. Sem o cão, a pulga pode se aventurar no ser humano (daí seria um tipo de piolho), ou poderá se aventurar nas couves dos quintais (se tornando talvez um pulgão), e por aí vai. Por isso, melhor um cão doente, magro e capenga – mas vivo – do que ele mortinho da silva.

É claro que o cão, ou melhor, os alvos da crítica religiosa (ou mesmo política) não deixarão de existir. Mas isso não significa que um ser humano precise de fato viver de criticar, como se essa fosse sua função maior.

Talvez eu esteja um pouco equivocado. Talvez. Até porque eu mesmo reconheço o valor da crítica – pelo menos dela como uma manifestação inteligente acerca de algo, não sendo necessariamente uma argumentação negativa daquilo que se critica. Ela de fato é importante. Só que não me prende mais. Tenho outras coisas e outros prazeres aos quais me dedicar. E espero que essa decisão e esse caminho durem por bastante tempo. Caso não dure, podem me criticar!

3 comentários:

Alex Fajardo disse...

Mano Beto, leveza ao seu coração. Creio que fez a melhor escolha sim. Continue nesse pensamento.

Forte abraço,

Alex Fajardo

Humberto Ramos disse...

Fala Alex,

Brother, já há algum tempo que tenho pensado dessa maneira, mas precisava me expressar aqui... rsrs

De qualquer forma, tem sido muito mais leve meu caminho nesse sentido. Não que eu não tenha opinião nem que não me indigne com as coisas, mas apenas estou redirecionando minhas forças.

Tudo demais faz mal, tudo em excesso perde seu sentido de ser, fora o fato de que algumas batalhas são inglórias e não são dignas de serem lutadas.

Abração, mano!

Felipe disse...

Véio, faço minhas as tuas palavras!

Perdi a paciência com a assim chamada apologética, com aquele esforço constante de confrontar as idéias do submundo religioso. Chega! É canseira e enfado demais!

Gostei do dito do teu professor. Vou buscar construir algo melhor, ao invés de atuar de antagonista dos caciques evangelicais.
Abraços fraternos!

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